quinta-feira, 31 de março de 2011

ATÉ QUANDO VAMOS SER ILUDIDOS PELA FUNDARPE?


Mais uma vez o Movimento Teatral e Cultural de Sertânia estão decepcionados com mais uma atuação da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco(FUNDARPE) mostrando que não tem nenhum compromisso com Sertânia, e com a Paixão de Cristo a tradicional Paixão do Sertão,que no ano passado foi aprovado no II Edital das Paixões, pasmem um projeto de 10 mil reais, e não pagaram, apesar dos desvios de 51 milhões de reais, que todo mundo já sabe... Vai ficar nisso mesmo, e a cultura do nosso estado sendo assaltada por pessoas que não tem nenhuma sensibilidade cultural, apenas financeira. Até quando vamos ser iludidos pela FUNDARPE?

Olha que essa história da FUNDARPE aqui em Sertânia vem de longe, em 1997 foi preciso colocá-la na justiça para poder receber dois mil reais e agora o pior, as pessoas que participam da Paixão do Sertão estão com muito medo de esse ano não ter a apresentação do espetáculo, que é encenando desde 1999, sem interrupções, pois o Projeto foi aprovado na primeira etapa e depois foi desclassificado, não sabemos os critérios, só lamentamos pelos prejuízos e pelas pessoas que participam (estudantes, comunidades de risco, etc.). Realmente a FUNDARPE sabe como incentivar para acabar com as Paixões do interior. É uma pena que um governo de tantos acertos como o de Eduardo Campos, tenha um órgão com tantas irregularidades em nome da “cultura” de nosso Estado... Lamentável, mas pensaremos nisso nas próximas eleições.

Associação Teatral de  Sertânia (ATAS)

LACAIO (Por Ivon Rabêlo)

O pai dela era. perfeito fantoche nas mãos das suas irmãs de carne. mais jovens do que ela, eram presas, desde muito atadas, ao mesmo fio umbilical da eternidade, quando se perceberam disputando beleza e segurança na avareza de sentimentos e fraternidade ausentes naquele covil. um inferno inteiro é muito gélido para descrever a candura de sua carência, mas apodrecer era estar convicta de tudo que lhe fazia falta, suportar calada, aquiescer contida e regurgitar o fel. aprendeu depressa a regra: sem exceções, largar o copo na hora exata e, sutilmente, cantarolar o hino dos senhores da guerra, a engrossar o coro dos contentes.

Chegando alegre das compras, depositou as sacolas em cima da mesa e esvaziou os bolsos. correu à geladeira e verificou se haveria espaço suficiente para mais garrafas. havia também o peixe de ontem, as terrinas com gelo e o frio de sempre. abriu espaço entre tudo e enfiou lá dentro os artifícios de sua morte. correu à vitrola e escolheu aquele de capa cinza dentre os vários discos de seu pai. pôs a tocar e sentou-se exaurida e trêmula no sofá, a ouvir os arranhões que faziam pulular seu peito e lamentar a interrupção de grandes trechos na música que a compelia à angústia, ao sentimento de impermanência e solidão, embora a casa já cheia de barulhos e correrias.

Era Natal. inúmeras crianças cacarejavam abusivamente, sobrinhos em corridas bruscas pela casa. as mães, solteiras irmãs suas vestidas de abandono, confabulavam na cozinha, discutindo sempre em voz alta onde deveriam servir os doces e os salgados, os quentes e os gelados, os líquidos e os sólidos, os moles e os brutos, os novos e os velhos, os corpos e os restos, os desejos e os pecados.

Nesta azáfama, Mariana, a primogênita, ergueu o copo e entregou outro ao pai, para brindarem juntos e sozinhos o instante de contentamento que sentiam em serem filha e pai, em terem laços e família, ouvindo juntos a voz grave do cantor que idolatravam unidos. a mãe nada falava, envolta na dança da época, retirada de sua cadeira amarga e convidada a bailar pelo corredor da casa, iluminada por rasgos de luz ora amarelos, ora verdes como seus olhos, ora azuis como seu passado, ora vermelhos como o sangue do Cristo, ora violáceos como o vinho que todas bebiam.

e bêbadas, todas, acusaram a filha e irmã de ladra, esquiva ladina a roubar-lhes a atenção do pai, o dominante e dominado, lacaio de suas próprias crias e companheiras, atiçando-lhe no espírito insano a desavença que se insurgia só, em instantes de arrebatamento ébrio. exausto, ele dirigiu-se ao quarto e quedou-se a ouvir os rumores da discórdia, do pleito acusatório que o faria engatilhar a arma e mirar a fronte entorpecida de sua filha mais velha.

[ao dormir, pensava ela, poderia reunir as imagens e conhecer os segredos que encobrem as honras manchadas, as febres intermitentes provocadas pelo incesto, as invejas despertadas pela humildade e clareza leves de um caráter reto. nesta noite sonharia, apesar de assolada por vívida dúvida em estar ou não atenta aos fatos que desencadearam o ato]

pressionada, ela negou inocência. inconformadas, suas irmãs verteram veneno em doses mortíferas. irracional, seu pai disparou a arma. um tiro e nada mais. nem mesmo o som do silêncio.

a música das esferas de chumbo tilintou em sua caixa craniana e ela adormeceu. nessa hora, um menino nascia em cama de palha seca. outras crianças gritavam assustadas e as mães calavam. a voz grave do cantor era interrompida há tempos pela agulha da vitrola, aos solavancos. os vizinhos nada ouviram e ela adormecera, após largar o corpo na hora exata e, precisamente contida, engrossar altiva o coro dos descontentes, ao murmurar contrita o hino dos senhores da guerra.



Ivon Rabêlo (1972) nasceu e vive em Sertânia/PE. Mestre em Literatura e Interculturalidade pela UEPB/Campina Grande-PB, atualmente é Professor de Língua portuguesa na Escola Técnica Arlindo Ferreira dos Santos em Sertânia.

A verdade pode ser muito cruel...

O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA

Disponível em: http://hisbrasileiras.blogspot.com/search?q=o+cravo
 
Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto. Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais “O cravo brigou com a rosa”. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa/debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada".
 
Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha. Será que esses doidos sabem que “O cravo brigou com a rosa” faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro? É Villa Lobos, cacete!
 
Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/Tá com a cabeça quebrada/Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê.
 
A tia do maternal agora ensina assim: “Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar”. Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, melodia de Heitor Villa Lobos e letra da Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.
 
Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichanos. A Sociedade Protetora dos Animais cairia em cima com processos.
 
Quem entra na roda dança, nos dias atuais. Não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil, estimula o sexo sem amor, a vulgaridade.
 
Ninguém mais canta: “Pai Francisco entrou na roda, tocando seu violão, vem de lá Seu Delegado, e pai Francisco foi pra prisão”. O pobre do Pai Francisco foi preso apenas por vadiagem, mas atualmente ficaria sob a suspeita de ser traficante.
 
Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não lembrar à garotada a desigualdade de renda entre os homens. Dia desses alguém [não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda] foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado.
 
Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse que algum filho estava militando na causa da preservação do mico-leão-dourado, em defesa das bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.
 
Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do humor, da criatividade, da divertida sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.
 
Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular pintor de roda-pé ou leão-de-chácara de baile infantil - de deficiente vertical. O crioulo - vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) - só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo - o famoso branco azedo ou Omo total - é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação. A mulher feia - aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno - é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo - outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, “Orca, a baleia assassina” e bujão - é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto-de-fome, pau-de-virar-tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.
 
Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais... Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.
 
O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra puta-que-o-pariu e o centroavante pereba tomar no olho-do-cu, cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de “Jesus, Alegria dos Homens”, do velho Bach.
 
Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé-na-cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro-funeral, o popular tá-mais-pra-lá-do-que-pra-cá,  já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".
 
Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não. Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do Pé-Junto.
 
Luiz Antônio Simas
(Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor de História do ensino médio)

INTERROGAÇÕES pelos labirintos da INTERPOÉTICA

Se a internet nos condiciona, sem aprisionar, à mais dinâmica das leituras, VOCÊ consegue PENSAR no que está olhando na telinha enquanto raio da silibrina?

Se v. não se habituar a escrever, como se fosse escritor profissional impactante, tal Raimundo Carrero ou Ronaldo Correia Brito, tudo poderá tornar-se mais um ócio narcisista? Pense no profissionalismo à deriva de premiações, resenhistas e o que mais?

Dúvidas? Por que não?  Espaço em branco para intervenções...

Por que v. , da web instantaneidade, não procura compreender a poeticidade intersemiótica de O BONECO ÍNTIMO  do Paulo Fernando Craveiro? Literatura pelo fluxo de imagens cinematográficas em diálogo com o texto ficcional. PENSE mais.

Enquanto divagamos sem pressa, a retórica inflamável do Arnaldo Jabor zomba de nossa falência crítica? Além das dores do mundo e demandas reeleitorais?

É possível distinguir a dissipação comportamental das cognitivas dissonâncias?

Tudo pela suprema infelicidade dos paradoxos? E do que mais?

Todos os blogs maledicentes não valem um gesto poderoso de Maria Bethania.  Viva a poesia em video clip!  Em todas as mídias e interritorialidades.

Qual a relação entre a FENEARTE ,esplendor do universal artesanato, e a próxima BIENAL DO LIVRO em Pernambuco?

Por que  a primeira dama Renata Campos não é solicitada para reinventar o maior evento de nossas literaturas: orais, escritas, audiovisuais, intersemióticas, sem fronteiras de gênero.

EIS O CONVITE NECESSARIAMENTE OUSADO EM CLAMOR DA INTERPOÉTICA.
Recife,março/abril 2011.

quarta-feira, 23 de março de 2011

PRECE POR NOSSOS IRMÃOS - JAPÃO


Que Jesus abençoe e ampare nossos irmãos do outro lado do mundo!

FALAR GROSSO E FALAR FINO

E como de petróleo se trata, temos que atentar para as preocupações de Washington com relação, ao nosso continente. Segundo revelações recentes do Wikileaks, divulgadas pela imprensa argentina, os Estados Unidos consideram Mercosul,  uma aliança contra seus interesses, por conta disto muitos jornalistas e revistas brasileiras por conseguinte são contra também. Eles tentam impedir que o Paraguai, que tem o poder de veto, aprove, no Senado, a incorporação da Venezuela ao bloco. Não devemos nos preocupar só com o óleo de Maracaibo, mas também com as jazidas do pré-sal do Atlântico  brasileiro.  Esta carga que a imprensa brasileira dá contra Hugo Chaves e a Venezuela não é de graça eles seguem o roteiro traçado pelos interesses dos Eua.  Como disse Xico Buarque de Holanda, eles falam fino com os EUA e seus governantes e grosso com os países da América Latina e seus Presidentes. Ou seja muitos jornalistas revistas e tvs são comprados para defenderem os interesses dos EUA em vez dos interesses do povo brasileiro. Quando você ver ou ouvir uma revista ou tv esculhambando com países que os EUA não gostam saiba que por trás disto há muito dinheiro em jogo. Bilhões de reais na verdade e alguém está recebendo para fazer este noticiário. Estes mesmos indivíduos perdem completamente o sentido crítico quando se trata dos EUA e das desgraças que eles provocam no mundo. Vivem como no passado tentando e derrubando governos legitimamente eleitos pelo povo e colocando em seu lugar indivíduos comprados para defenderem os seus interesses economicos. Mauro Santayana.

NEM KADHAFI NEM INVASÃO "INTERNACIONAL" COM “ROUPAGEM "

Amigos! Amigas!

Vimos acompanhando, com inquietação e esperança, a intensa mobilização dos povos do Norte da África e do Oriente Médio, em sua justa luta contra as ditaduras.

Em alguns casos, o ditador se foi. Sabemos tratar-se de um primeiro passo, pois até pode ir-se o ditador, e permancecer a ditadura, agora sob roupagem "democrática"...

Mais recentemente, sobrevém o caso da Líbia, que excita, de imediato, a cobiça dos países centrais do Capitalismo, não por razões humanitárias, mas pelos fartos recursos de que dispõe...

Se não há como nem por que solidarizar-nos com Kadhafi, também não dá para aprovar a medida tomada pelo Conselho de Segurança da ONU (com toda a sua perda de credibilidade, pois ela também se tem mostrado um espaço ditatorial), de atacar o território da Líbia, sob o pretexto de proteger sua população...

Outros, em verdade, são os interesses dos invasores!  Se estivessem em busca realmente de uma saída pacífica - e para isso têm recurso ao seu alcance -, com certeza não recorreriam a expediente militar.

Vamos aguardar o resultado...

A posição do Governo brasileiro deveria ter sido contra o encaminhamento votado, mas se absteve. Menos mal do que fizeram outros dez (as grandes potências) que optaram pelo direito da força, ainda que com pretexto "humanitário".

Interessante o pronunciamento da Presidente Dilma Rousseff, por ocasião da recepção ao Presidente dos Estados Unidos, anunciando sua opção pelos meios pacíficos.

É o que me ocorreu compartilhar, movido pela indignação ante as imagens do INÍCIO dos bombardeios que costumam ter hora de começar, mas não de acabar... Já estamos cansados de ver esse filme...

Resta-nos lutar por uma nova organização dos povos, alternativa ao desenho obsoleto da ONU, que só serve aos interesses dos grandes conglomerados transnacionais, ancorados no poder bélico das grandes potências. A propósito, as grandes empreiteiras e a indústria de armamentos devem estar bastante satisfeitas com a decisão da ONU...

Com indignação e com esperança em que "Outro mundo é possível",

  Dr.Alder Ferreira Calado

sábado, 19 de março de 2011

IN MEMORIAN

Jorge Magalhães de Souza - ETERNAS SAUDADES
Faleceu na quinta feira(17/03/2011) na cidade de Arcoverde o músico, pai, avô, bisavô...Jorge Magalhães de Souza, Seu Jorge, grande músico da Orquestra Sinfônica de Arcoverde, pai do vereador Múcio Magalhães, Presidente da Câmara dos Vereadores do Recife, o nosso eterno Cabogué, vai deixar eternas saudades e nós do Garganta Magalhães, queremos fazer essa humilde homenagem, saudades...

A INDESEJADA BATENDO À PORTA DO VIZINHO DE SALA

Morreu esta terça-feira de madrugada uma lenda do jornalismo
brasileiro, Antônio Carvalho Mendes, que se tornou conhecido como
Toninho Boa Morte por ter editado por meio século a coluna de
obituários do jornal O Estado de S. Paulo. Paulistano de nascimento,
são-paulino barulhento, solitário por vocação, lacerdista fanático,
praticamente morou na redação, chegou aos 77 anos sem nunca ter casado
nem formado família e sucumbiu a uma sequência de enfartes no
miocárdio acompanhados de outras complicações, a última das quais uma
anemia. Será sepultado no cemitério Paquetá em Santos ao lado da mãe,
única companhia que teve enquanto ela viveu.
Quarta-feira foi a vez de outro viajante fora da hora, este ainda mais
precoce. Meu amigo Sidnei Basile, da equipe da reportagem geral em que
trabalhei sob o comando de JB Lemos na Folha de S. Paulo nos anos 70,
nos deixou vitimado por um câncer terrível.



A Indesejada das gentes tem rondado muito as redondezas de meu convívio.
Que Deus tenha e guarde esses companheiros de guerra e paz. E que eles
por nós velem lá do céu.

Em homenagem a estes dois companheiros vai um poema que fiz há algum
tempo sobre a minha vez, quando ela chegar (espero que tarde, pois não
tenho medo de envelhecer e, sim, de não envelhecer)
Será uma Vez


José Nêumanne Pinto

No dia em que chegar o dia,
nem é preciso que eu esteja pronto,
enfatiotado para a viagem de rumo incerto
e com bagagem feita, além de minha nudez.
Na hora em que chegar a hora,
a hora incerta, a que não tem seguinte,
pretendo apenas estar sóbrio e lúcido,
para me servir de boa companhia,
pois longa será a travessia
e não haverá a chance de chamar alguém.

Quando chegar a visita que não se espera,
não lhe servirei café na xícara
nem terei palavras para lhe saudar a entrada.
Quero estar mudo como a matéria, que serei de novo,
pois quanto mais houver silêncio num adeus,
mais comovido será o momento.
Não importa quanto o tempo vivido,
pois será sempre escasso.
Nem a saudade que fica conta,
pois sempre haverá o vazio imenso...

Quando o dia chegar, sem aviso,
não haverá testamentos a assinar
nem encontros combinados a confirmar,
muito menos o testemunho de minha ausência.
Será, como sempre, numa hora precária,
pois, afinal, precárias são todas as horas
e, pelo menos para quem fica, ela terá
a vaga importância que têm todas as horas.
Reservo-me apenas o direito de sonhar sozinho
o sonho definitivo do último sono,
o delírio final da razão partindo
e o último alento da visão, que escapa.

Não é lícito escrever tanto sobre estas coisas
nem cabe aqui descrever o não sabido,
que, no entanto, é só o que se sabe.
Sei apenas que sou pó
e, quando voltar ao pó, de onde venho,
gostarei de ter passado como um cometa,
não apenas um meteorito tonto
a esmagar as pedras que rolam no caminho.
Quando eu passar, definitivamente,
mesmo tendo sido em vão o meu desfile,
quero que meu amor guarde de mim os doces instantes
e os inimigos eventuais tenham cebolas a cortar.

Quando hoje houver, mas amanhã nem talvez,
quem tiver cruz a transportar nas costas
que a fixe sobre o chão que me abrigar
e meus filhos me possam lembrar
como a semente que teimou em germinar.
Quando mergulhar no mar vazio,
de onde vim, também sem o saber,
estarei, como nunca, melado
da placenta pastosa das palavras,
berrando o urro primevo e primal
de todo inexistente que alguma vez tenha existido.

quinta-feira, 17 de março de 2011

ARTISTA GLOBAL EM SERTÂNIA

Esteve em Sertânia o ator global Humberto Guerra (sua ultima participação foi na novela Duas Vidas), no momento está residindo em nossa querida cidade vizinha Cústodia, onde está com um espaço teatral e já produziu um curta. Esteve no Programa do Jô Soares no final do ano passado e no momento está começando os preparativos de uma Paixão de  Cristo  em Cústodia e esteve aqui para fazer contatos com o pessoal da Cia. Primeiro Traço e com Flávio Magalhães. Nós da Cia. ficamos muito honrados com a sua presença e do pessoal do teatro de Cústodia...

CONVITE - CELEBRAÇÃO DO ANIVERSÁRIO DE TRÊS ANOS DO TEATRO DE RETALHOS

O Teatro de Retalhos tem o prazer de convidá-lo para a celebração do seu aniversário de três anos, a acontecer no dia  19 de março, sábado, às  20hs no Sesc Arcoverde, contamos com a presença de todos para formar esta colcha de retalhos, um abraço e viva o Retalhos.

Atenciosamente,

Teatro de Retalhos

VEM AI “SUPERMOONS”

O mundo está prestes a presenciar a aparição da maior lua cheia das duas últimas décadas. Na semana que vem este satélite natural vai chegar ao ponto mais próximo da Terra.

No dia 19 de março, a lua cheia vai aparecer mais exuberante do que o usual na noite celeste quando ela atinge o ponto máximo de um ciclo, conhecido como ‘Perigeu Lunar’.

É esperado um espetáculo visual quando a lua se aproximará da Terra a uma distância de 221,567 milhas da órbita – chegará mais próxima do nosso planeta desde 1992. 

A lua cheia poderá aparecer no céu 14% maior e 30% mais luminosa, especialmente quando nascer no horizonte do oriente ao pôr-do-sol ou em condições atmosféricas bem favoráveis. 

Este fenômeno é reportado como o mais relevante assunto sobre ‘supermoons’ que esta conectado com o as extremas manifestações do clima -  como os terremotos, vulcões e tsunamis. A última vez que a lua passou tão próxima da Terra foi no dia 10 de janeiro de 2005, nos dias próximos dos terremotos na Indonésia que registrou 9.0 na escala Richter.

O furacão Katrina em 2005 também foi associado com a lua cheia incomum.

Previsões de ‘supermoons’ aconteceram em 1955, 1974 e 1992 – cada um destes anos tivemos a experiência de fortes manifestações climáticas.

terça-feira, 15 de março de 2011

MOLDURA DA SAUDADE

Foto do saudoso Geraldo Barros (falecido em 1999), com o Grupo Emidio Neto,do nosso amigo Ezequias Cardoso que fazia teatro no começo dos anos 80 e trazia pessoas como Geraldo Barros de Arcoverde, um dos maiores diretores de todos os tempos, além de Romildo Moreira e Zé Manoel, onde também realizava às Semanas Estudantis da época, bons tempos.

PRAZERES BARBOSA - MAIS UM TRABALHO DE SUCESSO NA GLOBO


Nossa querida amiga Prazeres Barbosa, grande atriz do teatro Pernambucano, natural de Caruaru, vem há bastante tempo fazendo papéis marcantes na TV Globo e atualmente está na novela Insensato Coração.

Você pode conferir mais trabalhos em vídeos da Atriz Prazeres Barbosa no site you tube!

OS GRÊMIOS ESTUDANTIS

Por Ésio Rafael.

 

Um dos maiores estragos causados pela ditadura militar foi, sem sombra de dúvidas, o desmantelo e a conseqüente deteriração do movimento estudantil. Pernambuco tinha um movimento estudantil secundarista, entre as décadas de 60, e início de 70, com padrão de consciência, e organização da maior importância. Era um orgulho para todos nós, pertencermos à UNE (UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES). Porque, a UNE era representativa, lutava e apoiava o movimento estudantil, em praticamente, todos os Estados da Nação. Quando a UNE, era UNE de verdade, o que pouco ou quase nada tem a ver com os dias atuais, onde a Instituição está repleta de “carreiristas” binitinhos, atrelados aos partidos políticos ou as verbas do governo Federal. O resultado está em nossas caras, não nas nossas, (cinquentões, e sessentões), mas, nas dos nossos descendentes que palidamente tentam soerguer os Grêmios Estudantis mas, sem o apoio necessário por parte dos dirigentes, “caras pintadas”, filiados à UNE, que não aparecem nas escolas para pelo menos dizer ao pessoal, a importância de um grêmio estudantil, a história política do movimento, a dignidade dos militantes, que foram perseguidos, presos, torturados e mortos pela repressão. E o que é pior, é que os estudantes ainda encaram um grêmio nas escolas( vejam que absurdo), não são vistos com bons olhos pelos diretores atuais. Atuais “sim sinhor”. Pois vou dar dois exemplos acontecidos comigo mesmo. Fui até Caruaru, junto à minha família, e lá me desloquei até a escola Estadual, onde estudei, no sentido de retroceder na história, e catar notícias do grêmio estudantil, onde tive a honra de ser o seu primeiro Presidente. Me apresentei a diretora, ela me recebeu muito bem. Claro, perguntei pelo grêmio. Ela no percurso da conversa disse:- È preciso cuidado com os “gremistas”, eles são anarquistas. Isso, em Caruaru. Mas, vamos ao Recife. Nas primeiras reuniões desse ano, acredito que a Secretaria de Educação, deve ter orientado os diretores das escolas, para facilitarem a implementação dos seus referidos , grêmios estudantis. A diretora, depois dos informes regulamentares, disse que dentre as ações do ano letivo, estaria o “apoio ao grêmio”. E, adiantou:- Eu gostaria que a Professora fulana de tal, que é quem me ajuda nos eventos da escola, que ela fique junto a esse pessoal do grêmio, vocês sabem muito bem como é esse pessoal. 

Coitados dos gremistas! Agora vejam a mentalidade desses dirigentes atuais das nossas escolas Públicas. Diferem dos diretores da época? Não são todos. È lógico. Mas, como dizia, Wlisses Guimarães: - São os destroços da ditadura. Pergunta-se: cadê o pessoal a:- UBES, que não aparece nas escolas para orientar os estudantes? Eu fiz essa pergunta para os alunos da escola onde trabalho. Eles responderam que não têm assistência, orientação, a não ser uma vez ou outra, quando são chamados à participarem de algum comício de campanha partidária.

Os Grêmios Estudantis funcionavam como um suporte valoroso na formação intelectual extra classe, ao abrir caminhos que vieram a fortalecer a formação política, literária, musical dos estudantes. Da formação de caráter, da visibilidade do mundo. Era lá que se lia um bom livro, político, social, ou um romance de responsa. Era lá que se ouvia música de artistas comprometidos com a sua cidade, com o seu Estado, com a sua Nação. 

Esse pessoal da:- UBES, poderia muito bem, chegar junto. Explicar para os jovens, por exemplo o que foram os famigerados:- 477, 222? Como realizar a eleição de Presidente de grêmios. Vejam se não seria salutar dizer para eles, o que foi a “passeata dos cem mil? Sabe por que? Porque diretor de colégio pouco está se lixando para um movimento estudantil consciente, responsável, digno. Mirem-se no exemplo de Caruaru, e Recife. Isso não é parâmetro, mas, assusta, meu véi... de hoje, por exemplo: O que significaram, dos estudantes que, mesmo antes de ingressarem em uma Faculdade, tinham noções preliminares dos seus direitos e obrigações. 

Com o golpe de 64, esse movimento foi abafado pelos Atos Institucionais 477 e 222, ambos, caçadores dos direitos sagrados e legítimos dos estudantes. 

Foram atos brutais de conseqüências graves até hoje irreparáveis. Ninguém fala nisso, parece que nunca aconteceu. As informações enfocadas em livros, jornais e revistas não tiveram o mesmo tratamento, a mesma atenção dada aos presos políticos, que tiveram seus direitos cassados através do, AI-5. Há políticos que, pelo fato de terem levado uma mãozada no pé do ouvido, ainda hoje tiram proveito desse passado explorando-o em campanhas políticas. Mas, quem se lembra de Odijas de Carvalho, estudante da Universidade Federal Rural de Pernambuco, morto pela repressão? Inesquecíveis dias para a estudantada da época. A infiltração dos chamados “dedo duro”, a serviço da ditadura, no sentido de observar focos e células comunistas, de acordo com a linguagem dos militares: Escolas, Faculdades, salas de aulas, pensionato, qualquer lugar que superasse o contingente de quatro pessoas era considerado suspeito, um estilo de época na linguagem literária.

Agora sim, incluindo os Diretórios Acadêmicos das Universidades, junto aos Grêmios estudantis, era lá onde os estudantes liam bons livros, boas revistas escutavam uma boa música, longe das fatídicas salas de aulas. Era lá onde se discutia política e, supostamente, se traçava um destino mais digno para o futuro da Nação, longe das botas, das esporas e das cadeiras curriculares impostas pela repressão. 

Os Diretórios Acadêmicos, os Grêmios Estudantis de hoje e o movimento dos estudantes não são mais os mesmos. Evidente que os tempos mudaram, todavia, deve-se uma explicação em nome de um passado de honra e de história dos movimentos estudantis do nosso País. Os líderes cheiram a carreiristas. Não têm história. Em 68, os estudantes enfrentavam os cavalos da Polícia jogando bolas de ‘gude’ na pista para que os mesmos escorregassem, ou derramavam óleo queimado para que os pneus dos carros dos agressores deslizassem. Tudo por uma causa, pela defesa dos seus direitos, por um ensino de qualidade, sem necessariamente pensar em carreira política, o que não deu muito certo. 

Devagar, quase parando, os estudantes retomam o movimento Gremista, praticamente desamparados, sem orientação. O pessoal que os orienta, tem outra visão, o que é normal, afinal eles vivem em outra sintonia. Mas, e a consciência política, histórica, fica por onde? E o pior de tudo, é que as cabeças dos diretores de escola( deixe que eu diga, nem todos), porque se não o bicho pega. Então vejamos: conversei com uma diretora de colégio público, recentemente em Caruaru. Quase morro de desgosto. Perguntei se no colégio ainda havia o grêmio. Ela me deu como resposta:- Existe, mas, são uns anarquistas, é preciso ter cuidado. Algum problema com isso? Não, pois aqui em pleno Recife, A diretora da escola onde trabalho, na primeira reunião quando de volta das férias, lendo a pauta, certamente, orientada pela, GRE, falou na volta do grêmio estudantil, e, terminou dizendo:- È preciso ter cuidado com esse povo. Convocou logo, uma professora dedicada que gosta de organizar Eventos na escola, para colar nos gremistas. Pode, depois de tanto tempo? Agora, caros leitores, desse tipo de gestor no ensino oficial, “ta assim oh” Ela, falou dentre outros informes(orientada pela – GERE( que todo dia muda de nome), diretora, Na Universidade Rural de Pernambuco, o Diretório Central e os Diretórios Acadêmicos, viraram fantasmas, onde reinam capim, desolação e a sombra de um passado brilhante de luta e coragem. 

sexta-feira, 11 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER NA ETE - AFS

Foi Comemorado na Escola Técnica Estadual Arlindo Ferreira dos Santos(ETE-AFS), O Dia Internacional da Mulher,com a presença da nossa querida Secretaria Alessandra Melo,além de poemas recitados pelas alunas,poemas escrito por mulheres;como CéciliaMeireles,Micheliny Verunsky,Cora Coralina,Janice Japiassu,Elisa lucinda,Lucila Nogueira entre outras e a exibição do filme Olga,valeu demais...
Aguarde mais fotos em breve!

AVISO - BUDEGA DA POESIA EM ARCOVERDE

Salve a todos, estamos avisando que dia 12/03/2011 estaremos na budega da poesia em Arcoverde, com o Show "Coração de poeta" com Kalu Vital, Galdencio Neto, Branquinho e Vandinho.

VÍDEO - ANJO AGÔNICO




Direção e Roteiro:
Flávio Magalhães

Participação:
Wanderly Almeida
Josiene Lira
Flávio Daniel

Câmera:
Edmilson Siqueira

Edição de Imagens:
Fernando Neves

ARROCHA NEGRADA

Por Ésio Rafael.


Só para justificar o título: é que a alegria da garotada era grande quando chegava um circo pobre, a céu aberto, numa cidadezinha do interior. O palhaço perna de pau saía pelas vias da cidade, acompanhado por uma “reca” de meninos, para divulgar o espetáculo. Era o Clube do Bolinha. Não havia meninas. No calçamento, ouvia-se o toc toc das pernas de pau, e aquele longínquo homem na frente, com um megafone na mão chamando as famílias às portas e janelas para anunciar as atrações da noite, dentre elas, o palhaço, a rumbeira e a peça de teatro A Louca do Jardim, um verdadeiro clássico utilizado pela dramaturgia circense de pequena monta. 

A gurizada fazia a festa. Cada um mais esperto que o outro. Todos com as canas dos braços carimbadas, que se constituíam no passaporte para a entrada no circo, junto à recompensa de um lúdico trabalho:

- Ô raia o sol/ suspende a lua, cantava o palhaço. 

- Olhe o palhaço no meio da rua, respondia a meninada! E aí, o melhor: 

- Arrocha negrada!

- Uuuuuuuuuuu, gritavam em uníssono a todo vapor os participantes improvisados e coadjuvantes do espetáculo ambulante. Descalços, de calção e camiseta, ou no ritmo dos nus da cintura para cima, a meninada ia compondo e incorporando seus sonhos infantis. Sonhos inesquecíveis às futuras lembranças.

À noite, na porta de entrada do circo, outra festa. Tomados banho, cabelos penteados, orgulhosamente exibiam ao porteiro a marca do trabalho. Entravam sem problemas. Aqueles despossuídos de carimbos atravessavam o arame farpado, levantavam a lona e entravam no interior do circo por baixo do poleiro. E olhe que ainda sobravam-lhes as coxas das mulheres, sentadas em tábuas finas e desconfortáveis, exibindo calcinhas de pano com muitos botões. Enfim, o título é em homenagem a todas as crianças pobres que passaram por esses momentos.

Então, vamo nessa?! 

Os filhos de pobre, os mais trelosos, “quebravam o cabresto” com animais, justo que os animais são alvos e presas fáceis para a gurizada. 

Galinha, por exemplo, já está incluída no folclore brasileiro como portadora de cu quente, mas só dava certo com clientes bem novinhos, se não morreria. No outro dia, haja a mãe a desconfiar que o bicho teria mordido a penosa que amanhecera morta. Mas, musa mesmo de verdade, o símbolo da molecada, é a jega. Ainda hoje (pasmem!) a sua passividade, simplicidade, mansidão, o ar de tô nem aí arranca a preferência dos Meninos do Brasil. 

Em Sertânia, Moxotó pernambucano, havia uma jumentinha, por nome de Karolina, pertencente a seu Dão, um cidadão pacato, de baixa estatura, que residia no terreno do campo de futebol do América Esporte Clube. Aliás, clube de elite da cidade, lá pelos idos de 50. Pois bem, Karolina, amarrada debaixo da cerca de avelós (planta originária da África, cultivada no Nordeste), contemplava a garotada e aninhava corações. A molecada discutia o assunto, perguntava quem teria comido Karolina. À noite, fazia-se fila para o cortejo daquela musa sertaneja.

A história se complica aparentemente ao contarmos um fato verídico, segundo Essinho, meu sobrinho. Em Arcoverde, Sertão do Ipanema. E aí, nem Freud nem Piaget, nem Roberto Freire, o Psicanalista, seriam capazes de explicar tal acontecimento. 

Ao dar uma volta no quintal de casa, um longo terreno, em torno das 18h, bem na hora do Ângelus, o pai se deparou com o filho acariciando a jumentinha da casa. Sabe o filme ‘Tudo Que Você Queria Saber Sobre Sexo’, de Woody Allen, onde um Psiquiatra se apaixona por uma ovelhinha?! Semelhante caso. O pai deu o flagra no filho, e foi aquele bafafá! Depois de mil discursos, a mãe, espalhafatosa, vazando corrente pra tudo quanto é de lado, deu o ultimato: “Fuláááaaano, para o esposo, amanhã bem cedinho você vai vender essa porra dessa jega! Esse infeliz, de dedo em riste para o filho, em vez de arranjar uma mulher...vê a nora que ele me arruma!!!. Você, pro marido, vai me dá fim a essa amaldiçoada por qualquer preço, custe o que custar”. 

Dito e feito. O pai, com a consciência de quem foi menino do sertão, laçou a jumentinha e, pacientemente, foi à procura de negócio na feira. “Quer vender por quê?, Perguntou um possível comprador. “Essa jega tá dando muito trabalho lá em casa! Minha mulher é quem luta com ela, vai procurar comida, juntar cambão de milho. Tudo isso porque o meu menino não ajuda, não chega nem perto dessa jega (já o defende, contra qualquer tipo de especulação). A mulher sofre como o Diabo”. Até que o pai conseguiu passar a jumentinha pra frente, por um preço simbólico e de uma vez para sempre. Voltou pra casa ofegante. “Pronto, se for por isso, tá resolvido o problema e eu não quero mais ladainha aqui dentro dessa casa”.

Tudo parecia nos conformes quando um fato estranho começou a surgir. O menino ficou triste, bateu-lhe um fastio, começou a emagrecer, não queria mais estudar, não prestava mais atenção às conversas nem à novela das oito. Fitava o vazio. O pai baixou a cabeça e disse pro seus botões “Vai começar tudo de novo”. A mãe quebrou a resistência, pisou maneiro “Meu filho, o que é que está acontecendo com você? Vá almoçar, você está amarelo”. Nada por resposta. Depois de um mês de roedeira, a mãe sentiu que só havia uma saída: “Fuláaano, pro marido, vá procurar saber que fim levou essa jega, por Nossa Senhora, se não esse menino morre!”. “Puta que o pariu, pensou o pai, só sobra pra mim!”. O pai refez o caminho da feira. Procurou-a em toda parte, inclusive na feira de troca-troca. Reencontrou a jumentinha. Ela já tinha sido trocada por objetos outros, inclusive celular “tijolo” e pomada Japonesa. Deu-lhe um refrescante banho, colocou-lhe um cabresto novo. E, já em casa, falou pra mulher: “pronto, daqui pra frente não moverei mais uma palha pra essa triste! Você é quem vai quebrar o milho seco, debulhar todinho e carregar cambão nas costas!”.

IN MEMORIAN

ETERNAS SAUDADES - ADAMASTOR DA CELPE
JÁ ESTOU CURTO DA VISTA
MANQUEJANDO DE UMA PERNA
A VELHICE É QUEM ME GOVERNA
ME ARRASTANDO PELA PISTA
A MORTE É QUEM ME CONQUISTA
HORA,DIA,MÊS,E ANO
SEREI ESQUELETO HUMANO
NO FUNDO DA SEPULTURA
ESSA VIDA É MERDA PURA
NA LAMA DO DESENGANO. ( ADAMASTOR da Celpe)

Adamastor Alves dos Passos, nasceu no dia 06 de Novembro de 1922, na cidade de Custódia - PE. Mais conhecido na cidade de Sertânia, onde residia, como "Seu" Adamastor da CELPE, orgão no qual trabalhou. De numerosa família, era um senhor reservado e de uma paciência extraordinária. Mantinha em casa, um quarto que apenas ele tinha chave. Lá, era o lugar onde ele passava a maior parte do dia, junto às suas "invenções", ao seus inscritos (ainda inéditos, a maioria deles!)... Participou várias cantorias e encontros poéticos, como, por exemplo, na Bodega da Poesia, em Arcoverde. Faleceu na cidade do Recife, em 30 de Janeiro de 2011.

Eternas saudades de famíliares e amigos!

Homenagem do Cabeça de Rato e do Blog GArganTA MAGAlhães

domingo, 6 de março de 2011

CARNAVAL DE 1976

A Escola de Samba Pitu,comandada por um dos maiores Carnavalesco folião da alegria de todos os tempos,Seu Luiz Pintor como sempre foi conhecido,esta foto de 1976, mostra toda alegria e saudades dos grandes Carnavais de Sertânia,Viva sempre Luiz Pintor a Folia..

Numéro de Visitas

Seguidores

TEMPO

GArganTA MAGAlhães | Template by - Abdul Munir - 2008 - layout4all