quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sucessão pegando fogo emSão Paulo

Apoio de Kassab torna ex-governador único tucano viável para enfrentar Haddad
>
> Apesar de ser o maior colégio eleitoral municipal do País, a capital
> paulista nunca protagonizou eleições para a Prefeitura que tivessem
> consequências nos pleitos imediatos para a Presidência da República
> nem para o governo do Estado. Este ano, contudo, o panorama parece ser
> bastante diferente: nos governos federal e de Estados importantes como
> Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco, a aliança governista,
> sob o comando do Partido dos Trabalhadores (PT), tem uma espinha
> entalada na garganta de seu projeto de conquista do poder pelo voto
> popular: apesar de terem vencido as três últimas eleições nacionais,
> Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff foram derrotados tanto na
> capital como no Estado de São Paulo. E, tendo mudado de armas e
> bagagem para São Bernardo do Campo, onde elegeu para a prefeitura seu
> sucessor na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos, Luiz Marinho, o
> ex-presidente resolveu usar seu capital de popularidade para começar o
> projeto de conquista do último bastião adversário, São Paulo de
> Piratininga, pela eleição de um correligionário de confiança, para, no
> passo seguinte, subir as colinas do Morumbi.
>
> O projeto de Lula é audacioso e arriscado: depois de ter sido
> diagnosticado um câncer em sua laringe, local estratégico para o
> exercício de seu maior trunfo, o discurso, usou a desvantagem para
> retirar de cena a senadora e ex-prefeita Marta Suplicy e impor ao
> partido o noviço Fernando Haddad. Assumiu tarefa hercúlea num desafio
> à lógica e à sensatez. Seu ex-ministro da Educação, novo, bonito e sem
> rejeição que assuste, não é conhecido, mas tem um passado capaz de
> condená-lo: as lambanças cometidas pela burocracia que comandou na
> realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prato cheio para
> adversários no horário gratuito dos partidos no rádio e na TV.
>
> Afastados os pretendentes não ungidos pelo chefão popularíssimo,
> Fernando Haddad não conseguiu até agora tirar proveito das vantagens
> que seus adversários da oposição, os tucanos em particular, lhe têm
> oferecido de mão beijada. Único no palanque petista, ainda não se
> demonstrou capaz de ganhar terreno com o tempo perdido na escolha do
> candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) para
> domingo que vem, quando se realizará sua prévia.
>
> Tudo mudaria para melhor se Gilberto Kassab, do Partido Social
> Democrata (PSD), tivesse, como chegou a anunciar, confirmado o apoio à
> chapa do PT. Mas foi o anúncio que fez os ventos favoráveis ao projeto
> de Lula, Dilma e Haddad mudarem de direção. Ao ensaiar seu
> surpreendente movimento para a esquerda, o prefeito paulistano
> sentiu-se forçado a deixar patente que apoiaria incondicionalmente o
> ex-governador José Serra. Desde que o processo sucessório foi
> deflagrado em São Paulo, o tucano nunca hesitou em se dizer fora da
> luta pela Prefeitura para manter acesa a chama de sua ambição de
> enfrentar Dilma Rousseff na eleição presidencial de 2014. Kassab
> acreditou nisso até o fim e, aí, deu o pretexto para o recuo
> inesperado, mas que se tornou inexorável, de Serra.
>
> Num pleito difícil e disputado como será o deste ano no maior
> município do País, só um louco abriria mão do apoio do prefeito, que
> manda no PSD, ou seja, decidirá para que candidato irá o tempo
> disponível para seu partido no horário gratuito no rádio e na
> televisão (se o ganhar no Supremo) e trabalhará a máquina
> administrativa da Prefeitura. Essa obviedade vem recheada com uma
> revelação: na entrevista que deu na semana passada ao Valor Econômico,
> o secretário das Finanças que Kassab herdou de Serra, Mauro Ricardo
> Costa, anunciou que este ano os cofres paulistanos estão abarrotados
> para transformar a cidade num canteiro de obras, reluzente e sólido
> trunfo de qualquer candidato em cujo palanque o prefeito subir.
> Somente um político alienado deixaria de considerar os efeitos que
> poderão produzir os planos habitacionais, escolas e hospitais que
> forem construídos com as sobras de caixa da Prefeitura, que o
> secretário sovina que virou estroina calcula entre R$ 4,3 bilhões e R$
> 6 bilhões.
>
> Nem o governador paulista, Geraldo Alckmin, de posse dos cordéis que
> manipulam o teatro de marionetes da eleição municipal, se sentiria
> confortável em manter o pé atrás em relação à candidatura de seu
> ex-chefe e sempre rival. Ao anunciar que o único tucano que apoiará
> será Serra, Kassab escreveu o roteiro da retirada de seu companheiro
> de chapa em 2004 de sua posição, que ele imaginava irremovível, de se
> guardar para disputar com o senador e ex-governador mineiro Aécio
> Neves a legenda preferencial contra a presidente petista, daqui a três
> anos.
>
> Dos quatro inscritos na prévia marcada para o dia 4, os secretários
> estaduais Andrea Matarazzo e Bruno Covas já apoiaram o ex-governador,
> empurrados pelo clamor do óbvio ululante. A importância do pleito não
> comporta movimentos de ambição ou vaidade. Até este texto ser escrito,
> contudo, outro subordinado de Alckmin, o secretário José Aníbal, e o
> deputado Ricardo Tripoli insistiam em enfrentar o ineludível. O pior
> que lhes pode acontecer se mantiverem a teimosia até o fim será um
> deles vencer Serra nas prévias. Pois, se isso ocorrer, fatalmente
> Kassab correrá para o regaço de Dilma, Lula e Haddad, que o esperam
> ansiosamente; Alckmin lavará as mãos da sorte de qualquer uma das
> candidaturas, de vez que terá cumprido o seu dever de pedir que os
> pretendentes renunciassem em nome não da disciplina nem dos interesses
> maiores do partido, mas do apreço aos fatos; e Serra terá atendido ao
> apelo dos companheiros e readquirirá autoridade moral para disputar o
> que sempre lhe interessou mais: a convenção contra Aécio e a eleição
> contra o PT
>
> Se ocorrer a improvável vitória de um adversário de Serra nas prévias,
> seja Aníbal, seja Tripoli, o malogro eleitoral não premiará nenhum dos
> dois sequer com o saco de batatas que Machado de Assis dizia ser
> reservado aos vencedores nas guerras tribais.
>
> Jornalista, escritor e editorialista do Jornal da Tarde
>
> (publicado na Pag. 2A do Estado de S. Paulo de quarta-feira 29 de
> fevereiro de 2012)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

GLOBALIZAÇÃO

Desta vez o Luiz Fernando Veríssimo se superou.

A melhor definição  de
GLOBALIZAÇÃO que os professores nunca ensinaram.

Pergunta:
Qual é a mais correta definição de Globalização?


Resposta:

A Morte da Princesa Diana.


Pergunta:

Por quê?


Resposta:

Uma princesa
inglesa com um namorado egípcio, tem um acidente de carro dentro de um túnel francês, num carro alemão com motor holandês, conduzido por um belga, bêbado de whisky escocês, que era seguido por paparazzis italianos, em motos japonesas. A princesa foi tratada por um médico canadense, que usou medicamentos americanos. E isto é enviado a você por um brasileiro, usando tecnologia americana (Bill Gates) e provavelmente, você está lendo isso em um computador genérico que usa chips feitos emTaiwan e um monitor coreano montado por trabalhadores de Bangladesh, numa fábrica de Singapura, transportado em caminhões conduzidos por indianos, roubados por indonésios, descarregados por pescadores sicilianos, reempacotados por mexicanos e, finalmente, vendido a você por chineses, através de uma conexão paraguaia

Isto é   *
GLOBALIZAÇÃO!!!*

 

 
E QUEM SOU EU?

Nesta altura da vida já não sei mais quem sou....
Vejam só que dilema!!!
Na ficha da loja sou
CLIENTE, no restaurante FREGUÊS, quando alugo uma casa INQUILINO, na condução PASSAGEIRO, nos correios REMETENTE, no supermercado CONSUMIDOR.
Para a Receita Federal
CONTRIBUINTE, se vendo algo importado sou CONTRABANDISTA. Se revendo algo, sou MUAMBEIRO, se o carnê tá com o prazo vencido INADIMPLENTE, se não pago imposto SONEGADOR. Para votar ELEITOR, mas em comícios sou MASSA . Em viagens TURISTA , na rua PEDESTRE, se sou atropelado ACIDENTADO e no hospital viro PACIENTE. Nos jornais sou VÍTIMA, se compro um livro LEITOR, se ouço rádio OUVINTE. Para o Ibope sou ESPECTADOR, para apresentador de televisão TELESPECTADOR, no campo de futebol TORCEDOR.
Se sou corintiano,
SOFREDOR. Agora, já virei GALERA. (se trabalho na ANATEL , sou COLABORADOR) e, quando morrer... uns dirão... FINADO, outros... DEFUNTO, para outros... EXTINTO, para o povão... PRESUNTO.... Em certos círculos espiritualistas serei... DESENCARNADO, evangélicos dirão que fui... ARREBATADO...

E o pior de tudo é que para todo governante sou apenas um
IMBECIL !!!
E pensar que um dia já fui mais
EU.

Luiz
Fernando Veríssimo.

Totem convida pro ritual do debate

Galera do meu Brasil,
Grupo Totem está em pesquisa durante o ano de 2012 estudando os rituais presentes nas mais diversas sociedades.É assim que em cada etapa de 3 meses, que foca em um tipo de ritual,que será criada uma performance baseada no ritual em estudo.
E o ano começou pelo fim.
O estudo foi iniciado pelos rituais de morte.
Nesses rituais onde busca-se a conscientização de que a morte é o fim compartilhado por todos e que tanto nós evitamos perceber.
E é sobre essa impermanência de todas coisas que debateremos nessa terça, 28, os rituais de morte com a Arteterapeuta Patricia Barreto e o sociólogo Paulo Marcondes e mediação de Carolina Cosentino.

Para debater tem que comparecer!
De grátis, amanhã, no Teatro Arraial, 19h!
Vamo encarar?
=D

BIENAL DO LIVRO NO CALENDÁRIO OFICIAL DE PERNAMBUCO

Um dos mais importantes eventos literários do País, sendo a terceira maior Bienal do Brasil e a maior do Norte e Nordeste, a Bienal do Livro de Pernambuco agora está inscrita no Calendário Oficial de Eventos do Estado. A Lei 14.536, aprovada pela Assembleia Legislativa, por iniciativa do deputado Luciano Siqueira, foi sancionada pelo governador e publicada no Diário Oficial no último dia 14 de dezembro.

A lei é o reconhecimento institucional do trabalho relevante desenvolvido há mais de uma década por Rogério Robalinho à frente da Cia de Eventos, empresa realizadora da Bienal.
Durante todos esses anos, a Cia de Eventos proporcionou a interação ideal entre agentes públicos e privados, sempre com o objetivo maior de ressaltar o caráter educativo de uma feira literária de grande porte em nosso Estado. Com determinação diante das dificuldades enfrentadas ao longo do percurso, e o esforço dedicado de vários colaboradores, a Cia de Eventos se irmana à população na alegria pela sanção de uma lei que, ao mesmo tempo, beneficia a todos, especialmente os mais jovens, ao estimular a paixão pela leitura, e descortina horizonte sustentável para o mercado editorial nordestino.

Em sua oitava edição, no ano passado, a Bienal do Livro alcançou novamente números expressivos, consolidando a posição de destaque no cenário nacional e alçando Pernambuco a esta posição de destaque. Mais de 600 mil visitantes, dos quais milhares de crianças, adolescentes e professores de 645 escolas públicas e privadas estiveram no Centro de Convenções para conferir as ofertas da feira e uma rica programação de lançamentos, palestras e debates distribuída em oito espaços exclusivos de conteúdo, nos estandes institucionais e das editoras e livrarias presentes.

Sintonizada com as políticas públicas em prol da leitura e da literatura, a Bienal do Livro se tornou em poucos anos um exemplo grandioso de evento bem-sucedido, porque exprime a dimensão cultural do povo pernambucano. A relação do cidadão é cada vez maior com a Bienalgraças ao significado que o evento confere à paixão de Pernambuco pelo universo encantado dos livros.

A aprovação de uma lei na Assembleia, e sua sanção pelo governador em exercício João Lyra Neto, representa uma conquista coletiva que ressalta o poder da cidadania intrínseco ao poder da literatura. Como disse a manchete do Jornal do Commercio, na véspera da abertura da oitava edição, a literatura quer, sim, mudar o mundo. A aproximação com a cidadania, que já se dá na prática e foi o tema da Bienal passada, ganha status de compromisso com a existência do instrumento legal.

A partir de agora, a formulação das políticas do governo do Estado para a disseminação e valorização do livro e da leitura passa pela realização, de dois em dois anos, de um evento referencial para a cultura regional e nacional, com inserção na agenda global de eventos literários.

Sem dúvida, uma lei histórica para a cultura, a educação e o futuro de Pernambuco.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

POBRES OU RICOS????

Não sei se a fonte é mesmo o comentarista da Globo. Mas o conteúdo é uma realidade. Participe essa idéia!
 

Crônica de Alexandre Garcia:
Um amigo ianque acaba de me mandar uma comparação do tipo de vida do cidadão estadunidense e do cidadão brasileiro: 

Ricos amigos brasileiros!

Vocês brasileiros pagam o dobro do que os americanos pagam pela água que consomem. Embora tenham mais água doce disponível. Aproximadamente 25% da reserva mundial de água doce está no Brasil.

Vocês brasileiros pagam 60% a mais nas tarifas de telefone e eletricidade. Embora 95% da produção de energia em seu país seja hidroelétrica (mais barata e não poluente) enquanto nós somente podemos pagar pela energia altamente poluente produzidas por termelétricas a base de carvão e petróleo e as perigosas usinas nucleares.

Vocês brasileiros pagam o dobro por uma gasolina, de má qualidade, que acaba com os motores dos carros. Não dá para entender um país que é auto-suficiente em produção de petróleo (96% da demanda) e ainda assim tem preço tão elevado. Aqui o preço do combustível está stabilizado a vários anos. (US$ 0,30 trinta centavos de Dólar = R$ 0,80 - oitenta centavos de Real. Obs.: gasolina pura, sem mistura).

Por falar em carro, vocês brasileiros pagam R$ 40 mil por um carro que nós nos Estados Unidos pagamos R$ 20 mil.
Na Flórida o governo estadual cobra apenas 2% de imposto sobre o valor agregado (equivalente ao ICMs no Brasil), e mais 4% de imposto federal, o que dá um total de 6%. No Brasil, vocês são muito ricos, afinal concordam em pagar 18% só de ICMs.

E já que falamos em impostos, eu não entendo porque vocês alegam ser pobres, afinal vocês não se importam em pagar além desse absurdo ICMs mais PIS, COFINS, CPMF, ISS, INSS, IPTU, IPVA,IR, ITR e outras dezenas de impostos, taxas e contribuições em geral com efeito cascata de imposto sobre imposto... e ainda fazem festa nos estádios de futebol e nas passarelas de carnaval.
 
Nós americanos, lembramos que somos extremamente pobres, tanto que o governo isenta de pagar imposto de renda todos que ganham menos de US$ 3 mil dólares por mês (equivalente a R$ 9.300,00 Reais) enquanto aí no Brasil os assalariados devem viver muito bem pois pagam imposto de renda todos que ganham a partir de R$ 1.200,00.

Além disso, vocês têm desconto retido na fonte, ainda antecipam o imposto para o governo, sem saber se vão ter renda até o final do ano, aqui nos Estados Unidos nós declaramos o imposto de renda apenas no final do ano. Essa certeza nos bons resultados futuros torna o Brasil um país insuperável.

Aí no Brasil vocês pagam escola e livros para seus filhos porque, afinal, devem nadar em dinheiro, aqui nos Estados Unidos nós, pobres pais americanos, mandamos nossos filhos para as excelentes escolas públicas com livros gratuitos.

Vocês, ricaços do Brasil, quando tomam empréstimo bancário, pagam por mês o que nós pobres americanos pagamos por ANO.

Caro amigo brasileiro, quando você me contou que pagou de R$ 2.500,00 pelo seguro de seu carro, aí sim eu confirmei a minha tese: Vocês são podres de rico!!!!! Nós nunca poderíamos pagar tudo isso por um simples seguro de automóvel. Por meu carro grande e luxuoso, eu pago US$ 345,00 dólares. Quando você me disse que também paga R$ 1.700,00 de IPVA pelo seu carro não tive mais dúvidas. Nós pagamos apenas US$ 15,00 de licenciamento anual não importando qual tipo de veículo seja.

Afinal, quem é rico e quem é pobre? Aí no Brasil,20% da população economicamente ativa não trabalha. Aqui, não podemos nos dar ao luxo de sustentar além de 4% da população que está desempregada. Não é mais rico quem pode sustentar mais gente que não trabalha?
---
Caro leitor: estou sem argumentos para contestar este ianque. Afinal, o brasileiro parece priorizar a aparência e viver num mundo onde, em vez de ser, basta parecer ser.

Realmente é difícil comparar os Estados Unidos, que desde seu descobrimento tiberam uma colonização de povoamento, com nosso país que foi colônia de exploração por mais de 300 anos. Até hoje explorados, só que dos próprios governantes que pilham e enviam nossas riquezas para suas contas bancárias em paraísos fiscais. E não fazemos nada para promover uma mudança radical de atitudes, conceitos e afirmação de nossa dignidade.

Precisamos sair deste comodismo que estamos vivendo ou o sonho do país do futuro será apenas um ideal na boca dos demagogos que estão no poder.

Carnaval de Sertânia

Por Josessandro Andrade
Este ano Pierrots e Columbinas
Ficaram tristes com o nosso carnaval
Se o frevo e até as serpentinas
Perderam a graça só por causa de você
Você que agora está pensando em mim
Você, que agora já tem outro amor.
Você, que antes me fez feliz.
Acabou meu carnaval
Aumentado a minha dor.

Nunca me esqueci de "Você", gravado por um dos melhores cantores pernambucanos Expedito Baracho, um frevo-canção de Jairo Araújo, já na década de 1980 um compositor primoroso, que após acabar um namoro com uma musa, Tomou um porre antológico, e apaixonado, compôs e cantava inspirado, e que fornece as palavras para referir-nos ao carnaval, ontem e hoje, nos seus aspectos nostálgicos e atuais.

O Carnaval é uma das festas populares mais esfuziantes do planeta Brasílis. As  pessoas mergulham no colorido das fantasias, em meio às cores e brilhos, se entregam aos delírios da alegria, na gandaia que mistura ritmos e paixões, embalando sonhos no caldeirão fervente, que é o reinado de Momo, eletrizado pelos açoitados frevos de rua, onde muito do proibido passa a ser permitido, pelo menos de forma complacente durante os quatro dias. Embevecido pelo néctar etílico, o folião conduz seu estandarte de utopias na avenida de ilusões, na festa pura da carne, que alguém já chamou de "comunismo erótico". Ela que teve origem religiosa, caiu de boca na profanidade e depois se tornou uma festa de família. Virou lirismo  nas marchas rancho, nos corais de vozes femininas dos frevos-de-bloco e nos amores românticos dos frevos-canções.

Os festejos momescos de antigamente eram marcados pela criatividade popular, espontânea, por iniciativa das pessoas que ornamentavam sua rua, durante o dia atiravam-se  no mar de  talco e serpentinas brincavando em blocos e troças nas ruas ornamentadas pelos moradores, e de noite refugiavam-se nos clubes feericamente iluminados, para, banharem-se de  confetes  e  purpurina nos salões decorados com glamour e requinte. Com o passar do tempo, as prefeituras assumiram o comando da festa carnavalesca, que perdeu um pouco de sua autenticidade, pois o caráter espontâneo e de diversidade de tons, cores e passos foi cedendo lugar a um roteiro traçado, padronizado, como se fosse um espetáculo num teatro ao ar livre previamente ensaiado, onde o povo é mais espectador do que protagonista. Os Clubes perderam público para as festas gratuitas de rua. Mas o carnaval em si, ainda preserva a irreverência, a excentricidade e um congraçamento que irmana as pessoas, superando diferenças de classe social e nível econômico.

As origens do Carnaval de Sertânia remontam aos tempos ainda de Alagoa de Baixo. Ulysses Lins, um dos Mestres da Poesia de Sertânia, escritor e memorialista, escreveu em seu livro "Um Sertanejo e o Sertão-Memórias de uma região sertaneja", que:" Em 1904, Alagoa de Baixo vibrava com o primeiro clube de carnaval que ali se exibia, enchendo de alegria a vila durante os três dias de Momo. O padeiro Severino Biu, chegado alí há pouco tempo tomara aquela iniciativa. Articulando-se com Francisco Freire, Binga ( Seresteiro e boêmio inveterado) e outros rapazes organizou o Clube Vassourinhas, á frente do qual, com uma Baliza, saía a cantar:

Quem foi quem viu
Quem te deu siná
Arreda do caminho
Vassourinhas quer passar
Quem de Nós Seguirá
Para puxar nosso cordão
Olhem que o Vassourinhas
Traz prazer no Coração..."

Donde podemos concluir por indicação e tese do meu amigo e poeta Paulo Henrique Ferreira dos Santos em brilhante artigo, que o carnaval de Sertânia é mais velho que o surgimento do frevo pernambucano, uma vez há registros da nossa folia já em 1904 e do frevo oficialmente é assinalado como nascido em 1907.
"O bloco da saudade com saudade vai passar
Brincando de folia em Fevereiro
Prá tudo reviver no encanto desta praça
Aonde o Bola de ouro passa com Manuel Carroceiro."

Em o "Bloco da Saudade", Hino da extinta agremiação sertaniense, composto por Anacleto Carvalho e Zeto, eles resgatam a magia telúrica dos blocos do passado e grandes foliões como Mané Carroceiro (Avô do cantor e compositor Charuto), bloco da massa da cidade, mas que tinha em suas fileiras o professor, poeta, compositor e boêmio indomável Waldemar Cordeiro, que sempre estava em todas e tinha postura comportamental de vanguarda, bem a frente do seu tempo.

"A Ema de Elpídeo, o remexido do Xerém,
O Disparada encena o carnaval que agora vem
Luiz Pintô sai pintando os batuques do Pitu
Sertânia sou eu e tu "

O Xerém toda vida foi o bloco da elite, mas só permitia a participação de homens. Surgiu então o Bloco Disparada, organizado pelos jovens de um grupo de teatro e jornal da cidade, do mesmo nome, que estudavam no Recife e por suas intenções intelectuais, estava sintonizado com os ventos de emancipação feminista e da revolução social e de costumes de 1968 Abrira suas fileiras para a entrada de mulheres, bem como de jovens de classe média e de famílias pobres. Isto provocara uma rivalidade enorme, a ponto de em um desfile o Xerém sair em  sua linha de frente com uma faixa que provocava o rival "Não disparem em Nós", ao que no outro dia, o Disparada  respondia com um cartaz no mesmo tom: " Nem com Leite presta..."

Luiz Pintô, compositor, músico, interprete e folião, verdadeiro ícone do carnaval sertaniense, apaixonado por frevo, samba e por Dona Dôra, sua esposa, que não gostava de carnaval, e a quem dedicou a singela marchinha "Não faça isto”, criou a  Escola de Samba da Pitú, que se tornou uma tradição na rua velha, tendo na bateria os seus cinco filhos músicos: Luisinho, Lailton, Natério, Wanderley, Lailton.  Depois que os meninos foram, um a um, indo se juntar em São Paulo, para formar a Banda Moxotó, Luiz Pintô ficou tocando a vida e o cavaquinho, formando depois o Pau e Corda Moxotó, que em 1987 saiu da Ladeira de Francisquinho, quando ele foi morar naquela rua, ocasião que foi lançado o disco "Junção das águas, que trazia a música "Narra Frevo" de autoria de Luiz Pintô e seu filho Lailton Araújo, premiada num festival em São Paulo, que diz em um trecho: “... É Pernambuco cantando o poema da terra/dançando a ciranda da guerra/dos versos banhados de mar...." Luiz Pintô, morreu num dia de Semana Estudantil de Artes , em 1999 , conforme pedira, seu corpo foi velado nos salões do América E..C. , ao lado de estandartes de vários blocos da terrinha e o  enterro foi acompanhado por músicas de carnaval, fato completamente inusitado para os padrões locais.  

A Ema de Elpídeo Junta-se ao acervo de figuras simbólicas genuínas da folia sertaniense, como a Jabiraca, criativa fusão de girafa com Jararaca, criada pelo pessoal do matadouro, A burrinca de Arthur (eu, menino, tinha um mistura de encanto e medo daquela troça), o Lobisomem da Rua da Cruz e  A Burra, Que até hoje existe pelas mãos do meu amigo Madson Vaz, da Constrular.

“... Como Pássaros libertos, Jaime Pires de braços abertos
Sertânia toda em folia, cada passo um novo amor.
Guardanapos, Espanador passando com Harmonia.
E o Coração Vencedor sai procurando a folia...”

O  Guardanapos era o bloco da elite senhoril, comandado por Olavo Siqueira, gerente do Cine Emoir, assim como Pássaros Libertos foi o bloco do Ex-Vice-Prefeito e comerciante Jaime Pires. Coração vencedor ou Coração magoado levava à avenida as prostitutas do decano cabaré de Sertânia "as falenas", assim chamadas poeticamente por Waldemar Cordeiro, cuja designação  significa "borboletas noturnas".

No final dos anos 70 e início dos anos 80, eu que nasci e criei-me na Travessa  Siqueira Campos, mais conhecida como "Ladeira de Francisquinho", ficava do terraço para a calçada ouvindo os ensaios na sede da Orquestra Marajoara, 2ª fase, ou na varanda da casa do Maestro e compositor, que já era consagrado com frevos-de rua, a exemplo de "Batalha de confetes", gravadas por grandes orquestras do País e que dividia a parceria de diversos frevos-canções com Waldemar Cordeiro:

"Lá vem a onda delirante
caíamos todos na folia
é a linda festa de Momo
No reino da Fantasia
Amei alguém
faz hoje um ano
não se lembra mais de mim
não sei porque se esquece
um Pierrot assim..."

Quem imaginaria o sisudo médico Dr. Aristóteles de Siqueira Campos Araújo, filho de Francisquinho, euforicamente integrado junto aos familiares do Maestro no molha-molha daqueles dias, dando um banho em Zé Lopes, meu pai, e em Zezito Barbeiro? Ou o  hoje comerciante Marcos de Adir, juntamente com outros adolescentes, de bomba d’água molhando quem passasse nos carros do Corso. Lembro-me dos filhos de Francisquinho, Jairo Araújo e Hugo Araújo, ensaiando com um som no terraço de Dona Floriza, um frevo de autoria deles, "Recordações", que concorreu e foi classificado no "Frevança", festival de música carnavalesca da Rede Globo Nordeste, que era transmitido ao vivo pela TV.

"Trago dentro do peito uma saudade que não tem mais fim
Recordações dos velhos carnavais, das Columbinas e dos Arlequins.
Choro esta saudade em ver de novo Fenelon cantar
Encher de amor todos os corações ver Pirilampos outra vez passar
Adormecer e acordar de vez toda esta saudade
Vivendo os sonhos da eternidade
Quero prá sempre Sertânia te amar"

Em Meados e no final da década de Oitenta, havia uma profusão de blocos que desfilavam os três dias: Psiu, Todo de sacos cor azul, AMA-sigla que indicava A Mundiça do Alto, do Alto de Afogados, Avenida Presidente Vargas e adjacências, Cabaço e sua dissidência Cabaceiras, reunindo o pessoal da periferia em geral, tendo a frente um dos filhos de mestre Abílio, “Boca de caeira”, reunindo os músicos do Grupo Musical Nozes e Vozes, que teve Giba como porta-estandarte, além de Edmar (Mazinho de Arcoverde) e meus primos Jacildo (Andrade de Sertânia,) e Antônio Amaral, além de Walmar e outros; Agá, do saudoso "compadre" Marcos Estelita e Taí, do qual minhas Irmãs Lala, Doca e Norina saíram no primeiro ano, 1983 e me fizeram debutar em carnaval, junto com meu primo Walter Amaral, um fervoroso passista de frevo e músico de sua bateria. Estes dois últimos blocos sobreviveram até bem pouco tempo, talvez inspirados pela força dos versos de seus hinos, compostos pela dupla: Waldemar Cordeiro e Francisquinho. O do  Agá até hoje eternizado no imaginário do povo como neste trecho:

" ...É pena ver o Sertão
Sem chover anos a fio
Mas vamos á falta d’água
Fazer da cachaça um Rio..."

E  o não menos belo e inspirado, o do Taí, que enriquece de sobremaneira o nosso cancioneiro frevístico, como nesta estrofe cantada por todos:

"...Os foliões da cachaça
Em Sertânia mostram raça
Taí, Taí, venham ver.
Quanta gente esquecida,
Que vive apenas três dias
Mergulhados na bebida
A cachaça é um...
Delicioso e ameno
Tem um sabor de pecado,
De mulher e de veneno...”

Não poderia deixar de lembrar o irreverente "Nóis baxa o níve", já em 1991, idealizado por mim, bloco do pessoal dos grupos de teatro Mandacaru e Primeiro Traço, jornal de Poesia Cabeça de Rato e gente do Movimento Cultural da cidade. O hino foi escrito pela dupla: Anacleto e Zeto, tendo o estandarte e a camisa bem bolada pelo artista plástico e poeta Zito Jr. Nosos Porta-estandartes eram Nobinha e Fátima Capitão e na época deu até casamento. Foi neste bloco que o poeta e Crítico literário Luiz Carlos Monteiro, recentemente falecido, conheceu Késia, que mais tarde seria sua esposa e mãe de sua filha Aimê.

"É na folia que gente baixa o níve
baixa o níve da garrafa..."

Em 1997, como Diretor do Departamento de Cultura, conjuntamente com César Amaral, ajudamos a coordenar o esforço do governo municipal da época, que deu uma dimensão muito grande ao Carnaval, que passou a ser planejado e ser na rua, para o povo. A Orquestra Marajoara completa dando Show, o surgimento do primeiro homenageado vivo do carnaval, “Luiz Pintô a Folia", ideia do quengo criativo de César. O concurso de passista de frevo, o desfile de fantasias infantis, o banho-de-bica tudo isto foi implantado neste período, num carnaval inesquecível na Praça João Vale. Some-se a isto, a então primeira dama do município Lucicleide Xavier, atual prefeita Cleide, Idealizou e organizou com outras senhoras o Baile Municipal de Sertânia, uma ideia tão boa que foi sucesso a cada ano, com  o clube América voltando a suntuosidade dos grandes bailes de máscaras e fantasias carnavalescas e que deveria ter voltado na sua administração de Prefeita. O carnaval de rua foi reforçado pelo Afaser - Associação dos Filhos e Amigos de Sertânia, que traziam de Recife e outras cidades os filhos da terra para voltar a brincar carnaval em seu berço. A partir dai surgem muitos blocos alternativos seguindo o modelo do AFASER:

"Princesinha do Moxotó viemos nos aquecer
Sobre o calor do teu sol os nossos corações
Sentem novo renascer revendo os amigos
Unidos no sonho trazendo o passado..."

Depois que eliminou o Marajoara de sua programação de rua , Deixou morrer o baile Municipal e mudou-se para a Praça de Eventos( Que poderia se chamar Waldemar Cordeiro por tudo que fez pela cidade como professor, fundador do CEOB, autor do letra do hino oficial do Município de Alagoa de Baixo e de Sertânia, poeta , compositor, músico, diretor de educação e prefeito interino), o Nosso carnaval perdeu a identidade e o charme e nunca mais foi o mesmo. Vieram boas atrações como orquestra Super Oara e SPOK, mas o que tem prevalecido é os grupos de suingueira, uma mistura de barulho, performance, baixaria e músicas medíocres e pobres.  

Ao longo deste tempo vi ideias positivas como de João Lúcio, este guerrilheiro cultural e saxofonista de mão cheia tentar formar uma orquestra de chão, para tocar na avenida principal e nos barros durante o dia animando em arrastões curtos e focos não ter apoio por questões partidárias. Isto, um polo com orquestra de frevos e bandas mais compactas  evitaria aquele pandemônio de mau gosto que se forma na frente do América, com cinco, seis carros de som, na maior altura, num competição de caos e atentado ao bom senso, cada um tocando uma porcaria diferente. Ou a nossa sugestão prá o município fazer uma grande oficina de frevo para jovens, crianças e adultos aprenderem os diversos passos do frevo e ensinarem os outros foliões na praça, dando uma magia toda especial a festa. Também sugerimos exibição de DVD'S em telões nos bairros e a distribuição em massa de cópias promocionais destes dvd's para o povão, como fazem as grandes bandas e reforçar a divulgação nas rádios do mais legítimo ritmo pernambucano, aproximando de forma mais efusiva do folião dos bairros mais carentes. Nada foi levado em conta, pois a cegueira política impediu e quem perdeu foi Sertânia e nós que a amamos e ao carnaval. Para não ser injusto vi também surgirem boas propostas como O Bode, que não precisaria ter esta locução adjetiva "da Madrugada", pois dá a impressão de querer pegar carona no sucesso de algo que já tem fama e creio eu, que o Bode não necessita disto.

Uma constatação do que falamos anteriormente neste texto é que o Carnaval de Sertânia, realizado há 16 anos pelo poder público municipal parou no tempo é o fato de que outras cidades da região como Arcoverde (que já nos superou no São João e  é era por ele conhecida) já, em tão pouco tempo estar nos superando no Carnaval. Uma prova disto é que o governo do estado a escolheu prá ser o polo da região. E se não foi este ano, pois já anunciaram em cima da hora e muita gente já estava agendada prá o carnaval em outro canto, poderá ser no próximo ano. Tal medida provocou a reação de um vereador do PSB local, que inconformado Com o fato de Arcoverde não ter Tradição em Carnaval, nem tinha quase nada em folia, aprovou na câmara uma moção de repúdio à FUNDARPE Talvez, bem intencionado, pense em estar defendendo os interesses do município, mas deveria refletir mais. Não acredito que isto foi por peso político do prefeito de Arcoverde Zeca Cavalcanti e falta de prestígio de Sertânia, afinal, o deputado estadual da terra é tão amigo do governador... Ora, Arcoverde é competente, os eventos que faz tem um projeto com tema definido, que vai desde as atrações com temática  a cada noite, folder, divulgação lá fora, até a ornamentação. É assim no São João, o 2º maior do estado e agora  no "Carnaval dos Bois", em homenagem aos 15 anos da morte Chico Science, (vê que sacada!), trazendo atrações nacionais como Zeca Baleiro, Lirinha, Fundo de Quintal, Cristina Amaral, entre outros, com polos nos bairros e muito folclore e criatividade. E Sertânia além de espernear, propôs o que a FUNDARPE? Um projeto? Alceu Valença? Claudionor Germano? Alcimar Monteiro (que tá dando um show com ritmos carnavalescos)? Não, colocamos Trio Huana, Marreta Y O Planeta e outras baboseiras do gênero, tudo em nome de uma mistura de populismo e mau gosto. Gostamos de ser medíocres? Então, não reclamemos.

Até porque esta situação poderia ter sido mudada. Basta lembrar ao mesmo vereador, que, então líder do governo na câmara, apresentou um projeto- de- lei que disciplinava e priorizava a contratação de artistas que tinham mais ligação com frevo e ritmos pernambucanos e a música de qualidade, Recebeu nosso apoio, das entidades culturais da cidade e até de todos os vereadores da oposição, mas foi vetado pela prefeitura e  derrotado na votação em plenário pelos próprios membros do seu grupo político, demonstrando que eles não têm compromisso e nem gostam da música boa, especificamente da música pernambucana, nem estão preocupados em educar a sensibilidade musical de nossa gente. Além do mais nossa festa perde em identidade, em criar uma marca, um tema. "Carnaval do povo" é algo já muito banalizado e vago, que, aliás, esta história de homenagear o povo só é justamente em ano de eleição municipal (2000,2004 e 2008), denotando demagogia eleitoreira. A ornamentação das sombrinhas criadas Pelo Talentoso Artista Plástico Ruy Sales em 1999, é requentada a cada ano, junto com as bonecas dos anos 2000. Estamos em 2012, mas as tiras coloridas dos postes da ornamentação são as de 15 anos atrás, motivando até piada do carnavalesco e poeta Anacleto que diz que se armá-las de um lado são de carnaval, mas se jogá-las prá cima já caem prontas pro nosso moribundo São João. Faltam ideias, gente qualificada e disposta a ouvir sugestões, projeto.

De qualquer forma tenho esperança no carnaval de Sertânia, nos blocos alternativos, Os tangerinos, uma atração genuína e cultural dos nossos festejos momescos. No Movido ao Uísque, um Manjar para os olhos e a alma,  deste maior carnavalesco que temos em Sertânia, Rinaldo Lima, este ano homenageando  um dos maiores artistas de Sertânia, meu poeta, cantor e violonista Chico Arruda.  Ele, nosso carnaval, já desfrutou de grandes glórias e pode voltar a tê-las. Basta seus dirigentes terem a humildade de, ao invés de se irritarem com as criticas, fazerem uma autocrítica  e tentar corrigir e melhorar. Se houver esta vontade é meio caminho andado. E muita gente se dispõe a colaborar. Compositores com músicas nossas, músicos, Artistas plásticos, foliões, propostas, talento e garra não faltam a Sertânia. Para começar que tal uma parceria patrocinando a Rádio para em Novembro começar a tocar frevo, principalmente dos compositores da terra: Francisquinho, Anacleto, Jairo e outros vencedores de festivais no Recife como Walmar, Wilson Freire e Reginaldo Siqueira. Em janeiro o povo iria tá afiado com os frevos da terra. Não seria fácil, mas também não seria tão difícil, Para que, como diria o mestre "Dema", em nosso hino em ritmo de frevo, na voz de Cristina Amaral:
"... Embora vá-se tudo ao Deus dará
calamidade em solo brasileiro,
Sertânia se ergue deste mar de Pó
para a ressureição do Moxotó ..."

Tenho dito!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Tangerinos faz o diferencial no carnaval de Sertânia

Em Sertânia o carnaval tem um diferencial em relação a outras cidades:é o folguedo dos Tangerinos, brincadeira popular que toma as ruas da cidade na terça-feira de carnaval.Os tangerinos são mascarados, portando chapéus de palha e uma longa roupa estampada. Cipós e chocalhos também fazem parte do conjunto desses brincantes, que saem na folia tangendo o boi enganoso.
Logo cedo os tangerinos saem de casa e começam a brincar nas ruas. A festança atinge o ponto culminante com o desfile da troça "os tangerinos e o boi enganoso", que sai da vila da COHAB, na periferia da cidade e ganha as ruas em direção ao centro.No trajeto,Os tangerinos também pedem dinheiro, para custear o carnaval. A folia é acompanhada pela banda de pífanos da mata, tocando frevos e marchinhas carnavalescas.um som mecânico reproduz a trilha sonora do ritual dos tangerinos: uma toada , um repente, que servem de fundo musical para o folguedo, que tem a pega do boi enganoso sendo encenada pelos tangerinos.Um frevo encerra a apresentação e tudo acaba em festa.


Tangerinos são humildes tangedores de gado alheio, que a pé conduziam boiadas pelas cidades do sertão nordestino. a origem do folguedo sertaniese está diretamente ligada á tradição folclórica do lugar, onde haviam bastantes tangerinos."o próprio fundador de Sertânia, Antão Alves era um Tangerino", afirma Josessandro Andrade, um dos fundadores da troça.O s tangerinos também estão ligados as diversas histórias de bois da região, contadas de forma oral, como o boi japonês ou registradas também em livro como o boi de ouro, de Ulysses Lins de Albuquerque, no livro homônimo e o boi enganoso, de Marcos Cordeiro, no Romançal Paranambuco.


Os tangerinos já são uma marca registrada do carnaval de Sertânia, que enche de colorida alegria as ruas da cidade. "Ano passado, as pessoas de outras cidades que passavam nos seus veículos vibravam , tiravam fotos e nos parabenizavam pelo nosso brinquedo carnavalesco. queriam ver nosso chocalho, nosso chapéus.Enfim , foi muito, testemunha Wilton Augusto, carnavalesco que coordena a troça.

Realese

Carnaval dos Tangerinos
“OS TANGERINOS E O BOI
ENGANOSO”
                                              Troça carnavalesca  e folguedo
                                        UMA HISTÓRIA, UMA RAIZ,UMA POESIA


A histórias de bois influenciaram a literatura de Sertânia. No livro “ O Boi de Ouro e Outras Histórias”, o escritor e poeta Ulisses Lins de Albuquerque relata um pouco de sua história. Já o Poeta, Artista Plástico e Dramaturgo Marcos Cordeiro em seu premiado Romançal Paranambuco, dedica todo um capítulo para narrar o “Romance do Boi Enganoso”.Há ainda toda uma tradição oral.
Baseado nas figuras quases lendárias do Boi Japonês, o boi de ouro e o boi enganoso e as míticas que envolvem as sua pegas, é que surge este folguedo. São histórias reais, acontecidas em Sertânia, que serviram de pesquisa e inspiração para que se criasse o enredo para o ritual dos tangerinos, aqueles que tangem o boi,que é um boi enganoso, fruto de uma colagem popular dessas histórias, que imaginava-se que era apenas uma, mas com o estudo descobriu-se tratar-se de várias.Mas aí na cabeça do povo e na mente dos artistas populares o folguedo já estava sedimentado: os tangerinos que correm tangendo o boi, que representa os vários bois anteriormente citados.
No enredo do ritual folclórico, o boi enganoso foi enjeitado pela mãe, ainda pequeno, tendo sofrido muito. Criado na caatinga Pela mãe natureza virou um animal bonito e forte. Muito querido na Região que habitava, em Sertânia.A Mitologia criada em torno de sua imagem é de que era um boi que ninguém pegava, atraindo a atenção dos vaqueiros da região com espírito aventureiro,ao ponto de se organizarem levas destes no rastro do Boi Enganoso. Há quem diga que o mesmo “alumiava”. Outros testemunham tê-lo visto voando.
Os Tangerinos não são os Vaqueiros que em suas indumentárias de couro em montaria que perseguiam o Boi . São humildes e pobres tangedores de animal alheio pelas estradas desse sertão de Deus, cantando suas toadas e aboios e que certamente também tangeram um dia um Boi Enganoso.
Os Tangerinos tangem as mágoas e tristezas e com seus aboios e chocalhos buscam a alegria de um carnaval que, como um Boi Enganoso, nos engana nos 04 dias da Festa de Momo.
Na imaginação dos Carnavalescos, os Tangerinos vão em busca do boi Enganoso, o boi da alegria carnavalesca da gente!
Este é um projeto baseado numa pesquisa a um tema dos mais originais dentro do Contexto-folclórico de nossa terra: As História de Bois , que misturam realidade e lenda.
“Os Tangerinos e o Boi Enganoso”, se constituiu em uma Troça Carnavalesca e proporcionou uma identidade Cultural de Raízes genuínas aos festejos de Momo em Sertânia.Fundado por Wilton Augusto e Josessandro Andrade,é uma marca registrada do carnaval sertaniense, que traz criatividade , originalidade e raiz cultural.

Hoje algumas cidades já possuem algo que identifique o seu Carnaval: Bezerros tem Os Papangus, Triunfo tem Os Caretas, Pesqueira tem Os Caiporas. Sertânia  tem “Os Tangerinos” como referência do seu carnaval.
Acompanhados por uma banda de pífanos, Bandinha da Mata,dos Saudosos mestres Zuza Galdino e Zé Florêncio, hoje chefiada por Reginaldo, A trilha sonora de sua apresentação tem frevo, Repente e toada originais, que fazem parte de um ritual que foi desenvolvido para futuras apresentações. O desfile é na segunda-feira de carnaval, concentrando –se na vila da COHAB, para sair de manhã pelas principais ruas da cidade.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Profeta da Partilha

-Aos 30 anos de vida sacerdotal do Padre Airton Freire-

(Cordel de Josessandro Andrade)


Da família Freire Santana
Sua origem singular
Um neto de Seu Vicente
Homem do povo exemplar
Cria de Dora e cabo Jaime
Um humilde militar

Assim nosso Airton Freire
Traz no sangue a essência
Do Cordeiro Waldemar
Legado de inteligência
Da poesia e da música
Faz do espírito ciência

Da infância na Rua Velha
A adolescência no CEOB
Lapidou as ferramentas
Da oficina do saber
Para a fé esclarecida
Ser sinônimo de poder

Ainda na juventude
Pôde até participar
No teatro “A Triste Partida”
Ele fez representar
E a Semana Estudantil
Ajudou a coordenar.

Ali já estava o germe
De lutar e protestar
Acudiu Rua da Cruz
Que queriam despejar
E no Jornal O carcará
Sussurrava ao criticar

Foi estudante xepeiro
Com típica ideologia
Depois foi seminarista
E cursou filosofia
Lá no ITER de Dom Hélder
Ele fez teologia.

Pode então descobrir
Qual era a sua missão
De celebrar sacra ceia
E nela fazer-se pão
E então se repartir
Para tudo que é irmão.

Como operário da Igreja
Escolheu Rua do Lixo
Na cidade de Arcoverde
Para ali fazer seu nicho
como  abelha de Cristo
trabalhou como um bicho

Fazendo a colméia do amor
Em favor dos oprimidos
Foi morar com os pobres
Os párias e excluídos
E dando como lição
A do pão ser dividido

Pregou palavra de Deus
E logo a pôs em prática
Debatendo com o povo
Toda sua problemática
Escutou gente que era
Na fome uma catedrática.

Casas de  alvenaria
Em regime de mutirão
Foram brotando assim
Tal flores novas no chão
Sem teto ninguém ficar
Foi sua primeira ação.

Mas foi buscar na Alemanha
O seu mais fiel jardineiro
Arquitetando projetos
E arranjando dinheiro
Que metal só tem sentido
para o sonho ser faceiro.

Surgiram cravos e lírios
Em creche e grupo escolar
Margaridas e mussambês
No banquete alimentar
Quem não tem o que comer
Lá pode a fome matar.

É na Fundação Terra
Com a fibra da utopia
Transformando a realidade
no concreto dia a dia
acolhendo os idosos
no aconchego da alegria.

Tem agora a referência
que é o seu Hospital
Que vem se somar também
Apo centro profissional
Com o néctar que é de tudo
Que é projeto cultural.

Além de dar o peixe,
Muito ele ensina a pescar
Além de oferecer pão
Ele oferta-nos o sonhar
Faz do evangelho um jardim
Para o mundo perfumar.

Os seus livros e CD’s
De um talento sem par
Difundem essa mensagem
Em tudo quanto é lugar
Letras que trazem o mel
do que é o partilhar.

Manso,meigo e solidário
Fraterno, humilde e Adorável
Assertivo como Cristo
Coração imensurável
Sempre a revelar coisas
Que vai buscar no insondável

Pra alimentar inda mais
A obra espiritual
Criou os Servos de Deus
Um trupe especial
É  na Fazenda Malhada
Um Retiro Sem Igual.

É a Fazenda Malhada
Pomar de Meditação
Onde até os viciados
Fazem reabilitação
Até quem está sem vida
se encontra na Oração

É Padre Airton Freire
São Vicente do Sertão
Dom Hélder do Moxotó
Misturado em Caldeirão
Para se servir ao povo
A mais completa porção.

Porção de Mel e essência
De um profeta de luz
Irradiando na Terra
O Verbo que nos seduz
Fazendo em Carne e Alma
DNA de Jesus.

Por isto que em Betim
Lá Longe em Minas Gerais
Os Fiéis tem por ele
Encantos especiais
No Recife pra lhe ouvir
São filas grandes demais

Desse jeito é Padre Airton
O Profeta da Partilha
Orienta a humanidade
A seguir de Deus a trilha
Basta lhe acompanhar
Sem temer as armadilhas.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Oficinas gratuitas de Clown, Yoga e Capoeira

O projeto LE PETIT: GRANDEZAS DO SER, da Companhia Circo Godot de Teatro, dos artistas Andrêzza Alves, Ana Paula Sá, o italiano Damiano Massaccesi, Asaías Lira e Quiercles Santana, vai estrear o espetáculo de mesmo nome em maio desse ano, durante temporada no Teatro Hermilo Borba Filho, em Recife.

A partir desse mês inicia uma série de OFICINAS GRATUITAS DE CLOWN, YOGA E CAPOEIRA para artistas já experientes do teatro, da dança ou do circo, maiores de 18 anos, todas incentivadas pelo Prêmio Myriam Muniz, da Funarte.

São 15 vagas para cada (haverá seleção). É necessário enviar curriculum de uma página destacando formação e atividades artísticas práticas, além dos contatos, para o e-mail lepetitgrandezasdoser@gmail.com. As inscrições já estão abertas e independentes para cada oficina. São elas:

CLOWN - De 27 de fevereiro a 06 de março, das 14 às 18h, no Sesc Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1109, Mangabeira, Recife. Tel. (81) 3267-4410), com André Casaca (paulistano radicado na Itália) e Damiano Massaccesi.

YOGA – Março e abril, a partir de 1º de março, no Espaço Fiandeiros (Rua da Matriz, 46, 1º andar, Boa Vista, Recife. Tel. (81) 4141-2431), às segundas e quartas, das 9 às 10h, com Swami Munindra Mohan.

CAPOEIRA – Março e abril, a partir de 1º de março, no Espaço Fiandeiros (Rua da Matriz, 46, 1º andar, Boa Vista, Recife. Tel. (81) 4141-2431), às terças e quintas, das 17 às 18h, com Mestre Dendê (Antonio Carlos Lino dos Santos).

Dúvidas?  Ligue: (81) 9828-6916 / 8518-7387 ou 8198-4223.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Amores Proibidos na História do Brasil

AFASER CONVIDA

Com relação ao convite para o lançamento do CD de Reginaldo, por falha geral na comunicação, retificamos:
1 – O lançamento é no domingo dia 12.02.2012.
2 – As participações de Cristina Amaral, Spock e Rogério Rangel e outros, são no CD.
3 – No “grito” de carnaval quem vai tocar é a Orquestra Universal
E, por fim, a compra da camisa dá direito à entrada, feijoada e chopp.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O TEATRO CONTRA AS DROGAS...

A CIA TEATRAL PRIMEIRO TRAÇO,que neste ano completa 25 anos de resistência e de luta foi convidada para fazer parte do Projeto do Rotary Clube de Sertânia,em nome do Presidente o Sr. Madson Vaz,Projeto esse  que consiste em uma Campanha contra as Drogas,o que nos deixa muito honrado, principalmente em saber que pessoas do Rotary e de nossa sociedade estão preocupadas com os jovens e com a nossa Juventude,e de pessoas com compromisso por uma Sertânia melhor como o Empresário Lucílio Rufino, O Professor Lívio Chaves, Hamilton Veras,o Gerente do BNB, O Sr.Veríssimo e o Secretário da Educação do Município Washington Passos, que abraçou o Projeto, mas afinal o que é o Projeto?

O Projeto consiste em uma Peça (SEM SENTIDO) texto escrito pelo Professor Flávio Magalhães, onde será apresentada em todas as Escolas, Municipal e estadual de Sertânia, além de palestras, danças, Mostra de vídeos,etc, queremos parabenizar o Rotary Clube de Sertânia pela iniciativa e que outras iniciativas sejam feitas em nossa cidade.

Flávio Magalhães

Encontro do Conselho de Grupos da Artepe - Edital de Convocação

Prezados Artepianos, colaboradores e simpatizantes,
 
Após o 3º Congresso de Teatro, no início deste mês em Serra Talhada, no sertão, a nossa missão, estatutariamente, agora, é realizar o Encontro do Conselho de Grupos da Artepe, dessa vez no município de Orobó, no agreste pernambucano, no dia 25 de fevereiro (sábado), logo após o carnaval.
 
Em anexo se encontra o Edital de Convocação.
 
Conforme o Regimento Interno de nossa entidade, cada grupo/companhia filiado deverá remeter, com a máxima brevidade, ofício à Diretoria Executiva indicando dois membros, um titular e um suplente.
 
Aos grupos/companhias interessados em se candidatar à filiação, que ocorrerá nesse evento, inicialmente contactar com a presidência, por e-mail ou telefone.
 
Posteriormente encaminharemos informações acerca do meio de transporte e da pauta do evento.
 
 
Saudações culturais,

REDOBRANDO outros CARNAVAIS

Jomard Muniz de Britto, jmb em folia

É bom recomeçar pelas dobras da visual
verticalidade. Maior legibilidade?
Sua viagem será mais longilínea diante
das retas e curvas do desejo sem lei.
Pelas ruas, avenidas, becos sem saída
alguns tolinhos(as) podem até jogar
líquidos dengosos sobre nós.
Perversa nulidade da doença recorrente.
Mas não se irrite com vadios gestos e
grosserias suplementares.
Tudo é libertação sem estupros.
Se curvo é o caminho da eternidade,
compreenda as dobraduras carnavalescas.
Porém dispense e disperse a retidão
das acadêmicas imortalidades.
Igrejas de Olinda até a mais barroca
de São Pedro dos Clérigos no Recife
revisitam experimentações.
Carnavais neon-barrocos circulando
rotinas e roteiros, visgos da fogosa
mun da ni da de. Para todos.
Se pelos foliões não existe BEM &
MAL, o que persiste é bom e mau
REencontros:de corpos e compaixões,
dialéticas cotidianas, interesses
corporativos do Kapital, faxinas
obrigatórias, escambau de brasis.
Carnaval é acontecimento MULTIpolar
de raças e graças, famas e desgraças,
tudo rodopiando da poeira cósmica ao
abismo das terceiras opções e traduções.
O BLOCO do NADA pode ser nossa
MUSA RARA e ararinha azul.
Tudo pelas dobraduras e intensidades
dos amores líquidos às sutis e sórdidas
traições da língua em linguagens.
Pelos clarins clamando DORA, Rainha
do frevo e maracatudos. Acordando
multidões do Galo da Madrugada ao
Nóis Sofre Mas Nóis Goza dos céticos.
Recife, carnavais do ano inteiro.
atentadospoeticos@yahoo.com.br

A teoria Dilma da pedra na vidraça

A opinião de José Nêumanne
>
> Jornalista, escritor e editorialista do Jornal da Tarde
>
> Direitos humanos,
>
> conforme Dilma
>
> Presidente recorreu a desculpa da pedra na vidraça para não ter de
> comentar violações dos direitos humanos pela ditadura cruel de 53 anos
> de Fidel Castro, seu ídolo na juventude combatente
>
> À falta de mais o que dizer em Havana para não comentar as violações
> de direitos humanos em Cuba, Dilma Rousseff decidiu: “Quem atira a
> primeira pedra tem telhado de vidro”. Desde a época da consolidação do
> território pelo esforço do Barão de Rio Branco, nossa política externa
> nada produziu de tão inusitado - a teoria do telhado apedrejado.
> Tivesse Osvaldo Aranha seguido o lema no Estado Novo, Getúlio Vargas
> não teria criado a Força Expedicionária Brasileira (FEB) para combater
> na Europa ao lado dos aliados. Afinal, que autoridade teriam os
> britânicos sob Winston Churchill para atirar a primeira bomba nas
> fortificações nazistas se a “pérfida Albion” já havia antes submetido
> metade do planeta ao tacão colonial? Isso sem falar nos não menos
> maldosos sobrinhos do Tio Sam, que dizimaram índios nas estepes do
> Oeste distante. A metáfora da pedra na vidraça pode até ser trocada
> pela do ianque no metrô moscovita. Vale recontar a velha piada: o
> comissário dos transportes exibia ao turista imperialista o mármore
> nas paredes de uma estação metroviária em Moscou quando este,
> insensível à beleza, consultou o relógio porque tardava o trem. “É,
> mas vocês matam índios”, retaliou o camarada.
>
> Pois então os policiais que torturam presos nas delegacias brasileiras
> impediram nossa comissária-chefe de defender os dissidentes cubanos da
> tirania dos Castro, aos 53 anos . De nada vale nosso Estado de Direito
> comparado com os adversários do comunismo caribenho se violações de
> direitos humanos em nosso Estado (aliás presidido por ela) a forçam a
> calar.
>
> Aposentado o fuzil de guerrilheira no museu doméstico, Dilma decidiu
> revirar tudo pelo avesso com a autoridade que lhe concedem milhões de
> votos e altíssimos índices de popularidade. Havana inspirou-a a também
> a revirar pelo avesso os cânones gramaticais da língua que usou para
> jurar fazer cumprir a Constituição. “Os demais passos não É de
> competência do governo brasileiro”, disse ela ao se referir ao visto
> de turista concedido por seu governo à blogueira cubana Yoani Sánchez.
>
> Os jornais corrigiram para SÃO, seja porque os computadores não
> aceitam a construção disforme, seja porque não entenderam a postulação
> revolucionária da chefe do governo brasileiro em relação à última flor
> do Lácio. Da mesma forma como seu antecessor, Lula da Silva, fletia o
> gênero de advérbios inflexíveis - MENOS miséria por MENAS pobreza - a
> sucessora dele usa o poder e o prestígio de que desfruta para inverter
> a regência verbal, submetendo-a não mais ao sujeito, como de praxe,
> mas ao complemento, como ela determina, fiel à sentença petista de que
> não há erro gramatical por ser a gramática um “luxo fútil”.
>
>
>
> (Publicado na Pág. 2ª do Jornal da Tarde de quinta-feira 2 de fevereiro de 2012)

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