terça-feira, 10 de dezembro de 2013

AUTO DE NATAL DO SERTÃO 2013


O AUTO DE NATAL DO SERTÃO, será apresentado pelos atores da I Escola de Teatro de Sertânia e Cia. Primeiro Traço ao ar livre na calçada do Cinema EMOIR, nos dias 22 e 23 de dezembro às 20:00 texto de Marcos Freitas, adptado e dirigido por Flávio Magalhães. onde estaremos fazendo uma campanha para os necessitados e doaremos todo material arrecadado para as Instituições,(Casa do Ancião,Albergue São Vicente entre outros, estaremos recebendo doações, alimentos,roupas,cobertores e fraldas descartáveis, ajudem a nos fazermos um Natal mais digno para todos...

Nem Tente na XIV mostra de artes cênicas A Porta Aberta - Homenagem ao Totem

Homenagem ao Totem

A Porta Aberta – Ano 14.2

Mostra de Artes Cênicas da EMAJP
09 a 13 de dezembro de 2013

Homenagem ao Grupo Totem

Convidados Grupo Totem, d'Improvizzo Gang, Coletivo Zé Pelim, Poesis, Coletivo Loucura Roubada, Coletivo 4 Planos e o Coletivo de Fotografia Corpo Ritual.


O Projeto 'A Porta Aberta – Ano 14.2' - acontecerá entre os dias 09 e 13 de junho, sendo esta, a segunda edição de 2013. Durante o evento serão apresentados trabalhos de teatro, dança e performance da própria EMAJP, e dos grupos e coletivos convidados. Mais uma vez consolida-se a parceria entre a EMAJP e o SATED/PE, com a prova pública dos formandos do Curso Profissional de Teatro com o espetáculo "Kaos”, com texto de Millôr Fernandes adaptado e dirigido por Fred Nascimento. A abertura da Mostra ficará a cargo do espetáculo infantil Chuva Chuvarada sob a direção de Waldomiro Ribeiro e Kedma Macêdo, em seguida o Totem apresenta sua mais recente performance, Nem Tente, criada a partir de poemas de Charles Bukowski, um espetáculo performático com música ao vivo de livre improvisação. A noite de encerramento terá a estreia da Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Holanda, com o Coletivo Zé Pelim, sob a direção de Waldomiro Ribeiro e Keline Macêdo. 
Todas as atividades são abertas ao público.

Nem Tente, segunda-feira 09 de dezembro às 20:30 

Grupo Totem - Nem Tente -Gabi Cabral em performance. Foto de Fernando Figueirôa


Grupo Totem - Nem Tente -Taína Veríssimo em performance. Foto de Fernando Figueirôa


Grupo Totem - Nem Tente - Lau Veríssimo em performance. Foto de Fernando Figueirôa

Grupo Totem - Nem Tente -Fred Nascimento. Foto de Fernando Figueirôa













Grupo Totem - Nem Tente - Juliana Nardin em performance. Foto de Fernando Figueirôa








segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Errata!



A data de exibição da peça Senhora de Engenho entre a Cruz e a Torá foi transferida para o dia 01/12 as 19h.

Local: Pátio Externo da Casa Grande do Engenho Camaragibe, Av. Belmino Correia, s/n,Centro, Camaragibe-PE(o local é conhecido como o "Casarão de Maria Amazonas).

Entrada Gratuita.

Única apresentação.



Abraços.

Pedro Dias

TODOS EM DEFESA DA SECRETARIA DE CULTURA DE PERNAMBUCO!‏

É muito importante assinar minha petição: TODOS EM DEFESA DA SECRETARIA DE CULTURA DE PERNAMBUCO!

Toda pessoa que se junta a esta campanha aumenta nossa força de ação. Por favor, separe um minuto para compartilhar este link com todos que você conhece:

http://www.avaaz.org/po/petition/TODOS_EM_DEFESA_DA_SECRETARIA_DE_CULTURA_DE_PERNAMBUCO/?tBhAxbb

Vamos fazer a mudança juntos,

Clébio Marques


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Aqui está a petição para encaminhar para seus amigos:

TODOS EM DEFESA DA SECRETARIA DE CULTURA DE PERNAMBUCO

Pernambuco é o único Estado que não aderiu ao Sistema Nacional de Cultura. Além de manter intocável o formato antidemocrático do atual Conselho Estadual de Cultura, criado em 1967, em plena ditadura militar, onde o governador continua escolhendo todos os seus integrantes, agora Eduardo Campos pretende extinguir a Secretaria Estadual de Cultura, incorporando-a à Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Essa é a “nova política” do governador Eduardo Campos?
De novo essa proposta não tem nada. Na verdade, expressa a “velha política”, a velha concepção que entende a cultura como mero complemento, a ”cereja do bolo”, como dizia o ministro Gilberto Gil. É o oposto de uma visão contemporânea que vê a cultura como um dos pilares do desenvolvimento sustentável, juntamente com o econômico, o social e o ambiental. As políticas públicas de cultura, nos últimos dez anos, avançaram muito no Brasil e, infelizmente, Pernambuco com o governo Eduardo Campos foi ficando para trás e, agora, poderá retroceder definitivamente. 

Ter um órgão específico que pense a cultura nas suas dimensões simbólica, cidadã e econômica é imprescindível para uma gestão qualificada no campo cultural e uma exigência básica do Sistema Nacional de Cultura. A Meta 1 do Plano Nacional de Cultura é, até o ano de 2020, ter o Sistema Nacional de Cultura institucionalizado e implementado, com 100% das Unidades da Federação (UF) e 60% dos municípios com sistemas de cultura institucionalizados e implementados. A Meta 37 é ter 100% das Unidades da Federação (UF) e 20% dos municípios, sendo 100% das capitais e 100% dos municípios com mais de 500 mil habitantes, com secretarias de cultura exclusivas instaladas. Enquanto os demais Estados já chegaram lá ou estão a caminho, o nosso Pernambuco caminha celeremente na contramão.

Estamos às vésperas da 3ª Conferência Nacional de Cultura e isso é uma vergonha para um Estado com a importância cultural e a tradição política de Pernambuco. É um total desrespeito à 3ª Conferência Estadual de Cultura, realizada no último mês de setembro, na cidade de Gravatá, que exigiu a adesão imediata do Estado de Pernambuco ao Sistema Nacional de Cultura, mediante a implantação dos elementos previstos na legislação nacional, garantindo a democratização do Conselho Estadual de Cultura, com a representação dos segmentos culturais e das 12 RDs, assegurando a paridade (Estado e Sociedade) e a eleição dos representantes da sociedade civil pelos respectivos segmentos, conforme determina o SNC.
O governo Eduardo Campos faz exatamente o contrário: não adere ao SNC, mantém o Conselho intocável e propõe a extinção da Secretaria de Cultura. É demais.

COMPASSOS CIA DE DANÇAS

FEDAP 2013


domingo, 10 de novembro de 2013

I SARAU DE POESIA DO SERTÃO

CONVITE:

     Poetas, Escritores, Músicos, Seresteiros ,Declamadores ,artistas em geral é chegada a hora de participarem do I SARAU DE POESIA DO SERTÃO, nesta sexta-feira no auditório da Escola Isaura Xavier, na Estação Ferroviária, às 20:00 horas.(Org.: Flávio Magalhães, “Homenagem aos 25 Anos do Cabeça de Rato”   PARTICIPEM!!!

Grupo de teatro da ETE fez o maior sucesso com a obra adaptada de "O CORTIÇO" de Aluizio Azevedo, adaptada e dirigida por Flavio Magalhães.


3ª Mostra de Atividades Pedagogicas foi o maior sucesso... (Professor Lindomar Bento, Poeta Rômulo Campos e Flávio Magalhães)


Do Congresso Nacional vêm vozes em alvoroço denunciando a “judicialização” da política na democracia brasileira. Basta dar uma espiada no noticiário para perceber que a queixa tem razão de ser. A questão é saber se isso é bom, ou não, para a democracia. A princípio, não devia ser. Ao estilo americano do Estado Democrático de Direito, na definição de seus inventores, os chamados Pais Fundadores dos estados que se uniram para formar a jóia mais preciosa da coroa britânica e depois lhe deram um pontapé no traseiro, o segredo da estabilidade democrática é o equilíbrio doschecks and balances, controles e contrapesos. Do outro lado do Atlântico, um francês, também herdeiro das tradições de luta da Revolução que guilhotinou os reis, Montesquieu, teorizou sobre a autonomia e o equilíbrio entre os três Poderes da República ideal: um congresso de representantes da cidadania debatendo, votando e aprovando as normas de conduta; uma equipe, também escolhida pela sociedade, para executar a vontade do poulacho; e juízes togados que garantam a restrita execução de tais cânones. Legislativo, Executivo, Judiciário, cada um na sua. “Judicialização” da política significa no jargão parlamentar, juiz (o terceiro) metendo o bedelho na gestão do Estado, assunto do segundo, e, em vez de só julgar a legalidade das medidas, legislar, assunto do primeiro poder citado. A questão fundamental, contudo, não é a restrita obediência às regras, mas a garantia de que direitos de cidadãos serão preservados e seus deveres, cobrados. E isso ocorre quando o Judiciário não intervém?
Não se trata de adotar o velho brocado católico do “Roma locuta, causa finita” (o juiz bateu o martelo, fim de papo). Trata-se, isso sim, de garantir a paz, a ordem e a igualdade de direitos entre os cidadãos. Em 1988, os senhores congressistas se reuniram e ergueram os pilares do marco democrático da Constituição, dita cidadã pelo seu principal artífice, Ulysses Guimarães, presidente de tudo e avalista da transição da ditadura abrandada para a democracia escancarada. O documento definitivo, a chamada Carta Magna, deu aos funcionários públicos o direito de pararem de trabalhar para obter melhores salários e condições mais decentes de trabalho, em isonomia com os metalúrgicos das montadoras de automóveis e os estivadores do cais. Desde então, passou meia dúzia de presidentes pelo trono republicano, dois dos quais em mandatos longevos, e nenhum se aventurou a desagradar os amanuenses da máquina pública para reforçar esse direito com a enunciação de limites e obrigações. Tamanha ficou a bagunça que o Supremo Tribunal Federal (STF) teve de descer das colinas romanas do Planalto Central para evitar que o Zé Mané da esquina continuasse sendo achincalhado pelo barnabé do guichê, que não faz greves, mas goza de férias, de acordo com sensata definição do maior líder grevista da História e mais popular e hábil chefe de governo republicano, Luiz Inácio Lula da Silva. Será condenável esse tipo de “judicialização”? Duvidoso, não é mesmo? Mas, mesmo após o acórdão da Corte Suprema, nem o Executivo se dispôs a usar o poder de sua maioria acachapante nem o Congresso decidiu fazer valer a condição de que vive se arrogando de única representação popular autêntica e direta. A precária (apesar de suprema) decisão judiciária não foi até a tessitura destas linhas substituída pela necessária lei que regulamente o direito dando-lhe mais força.
Exemplo mais notório disso aí é o julgamento mais famoso e popularizado da história da mais alta instância do Judiciário – o chamado mensalão. Dentro da tradição do “herói da retirada”, flagrado por Hans Magnus Enzensberger e que ganhou o mundo no romance de Javier Cercas,Anatomia de um instante, o advogado e parlamentar Roberto Jefferson delatou a compra de apoio parlamentar com o emprego de dinheiro público ou de empresas contratadas pelo Estado. Apesar de denotar um dos mais graves defeitos do Judiciário, a lerdeza, pois o processo levou sete anos para ser levado a julgamento (já na metade do mandato da sucessora do presidente em cujo primeiro de dois mandatos o crime foi cometido), o processo se notabilizou pelo desmanche de uma das práticas mais nefandas de nossa democracia à brasileira: a prerrogativa que os políticos profissionais se arrogam de não fazerem parte do universo de cidadãos iguais perante a lei. Mandatários públicos do Executivo e do Judiciário (bem como dirigentes partidários) sempre partiram do pressuposto de que têm direito a delinqüir, embora, como agentes do Estado, o neguem aos sem-mandato. Deste ponto de vista, sem querer aqui expor nenhum parti pris, o julgamento fez história, pois esclareceu que o principal álibi dos acusados – o de que praticaram crime contábil, negado a empresários, mas a eles permitido – não tem sentido ou nexo nem pode merecer perdão. A condenação de altos dirigentes do partido no poder federal ao longo de dez anos confirmou a inviolabilidade de um dos direitos fundamentais da cidadania nas democracias dignas de tal denominação: a igualdade de todos perante a lei.
No entanto, a “judicialização” da política, de que o Judiciário tem sido acusado pelos políticos dos dois outros Poderes da República, mormente nesse caso, tem fragilidades evidentes. A indicação dos membros dos tribunais por executivos de governos, embora eleitos pelo povo, comprometem a necessária imparcialidade do poder que julga. E não há no horizonte soluções perfeitas para a resolução desse impasse.
De outro lado, a cristalização de falsos direitos, como a liberação da delinquência aos autores das leis que a definem continua representando um risco, não apenas ao equilíbrio e à independência dos poderes, mas principalmente à garantia do respeito aos direitos do cidadão. O divórcio entre Nação e Estado sabota o exercício da democracia fortalecendo uma espécie de “neofeudalismo”, no qual os representantes do povo e os escolhidos por este para exercerem o poder em seu nome e na defesa de seus interesses e direitos comportam-se como senhores de baraço e cutelo tratando a patuleia na planície dentro das limitações da vassalagem.
Difícil é o papel do Judiciário, minado internamente pelos próprios defeitos (privilégios de classe, corrupção e lerdeza, principalmente), de assegurar ao homem comum o status de cidadão, e não de súdito. No panorama atual das instituições brasileiras, contudo, o que tem assegurado o mínimo de poder real à sociedade não representada no Parlamento e desrespeitada pelo Executivo é, muito mais do que a harmonia tida como ideal, a permanente tensão entre os Poderes. Só esta permitirá que os “heróis da retirada”, na prática benigna da “ética da traição”, tragam a baila novos processos que provoquem rachaduras no poder monolítico do Leviatã estatal pela garantia dos direitos inalienáveis dos cidadãos, sejam estes contribuintes ou não.

José Nêumanne é articulista do jornal O Estado de S. Paulo e comentarista do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e da Rádio Jovem Pan

Abertura da IX Bienal Internacional do Livro, com o ex-integrante da Banda Moxotó, Natércio Araújo, Gera Camilo, ator global, escritor e músico e o poeta Flávio Magalhães.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ILUSTRE DESCONHECIDO

A IX BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO de Pernambuco, em sua abertura, teve a participação de um ilustre desconhecido, o professor de Inglês e Arte, Flávio Magalhães da Escola Tecnica Estadual Arlindo Ferreira dos Santos de Sertânia, presente na abertura da Bienal, numa mini-versão da balada literaria promovida pelo escritor e poeta Sertâniense Marcelino Freire e com as participações dos escritores e poetas e a presença de: Helder Santos, lançando seu romance "Raiar"; Gera Camilo (Ator global, musicista, poeta alem das presenças de Ronaldo Corréia de Brito, Ícaro Tenório, Vertin Moura, Allan Jones, Nelson Maca, etc.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Junho acabou no sábado

José Nêumanne
A onda junina da raiva popular virou esgoto em que chafurdam ratos oportunistas e covardes
Em junho as multidões ocuparam as ruas das grandes cidades brasileiras, assustando os políticos governistas e surpreendendo os da oposição, acendendo o sinal de alerta do Poder Judiciário e dando à sociedade a ilusão de que o gigante tinha acordado e o monstro da opinião pública devoraria os inimigos do povo.
Tudo começou com uma manifestação contra o reajuste das tarifas dos transportes coletivos, que logo se tornou reclamação contra a péssima qualidade da mobilidade urbana. A classe média engrossou o caldo para gritar contra as óbvias mazelas de um Estado que arrecada muito para que os donos do poder fiquem com praticamente tudo, quase nada restando para a gestão decente dos serviços públicos. A corrupção prejudica todos os que não são corruptos e só beneficia ladrões e traficantes de drogas. Basta ver que, como publicou este jornal anteontem, a caça aos larápios totalizou 20,7% das missões desencadeadas pela Polícia Federal de janeiro a agosto deste ano nos Estados e em Brasília, enquanto ações contra o tráfico de drogas somam bem menos – 16,9% dos casos. A inflação atinge diretamente o bolso do pobre, a primeira vítima da péssima gestão pública em educação, saúde e segurança.
Agora, dois meses depois, percebe-se que quem confiou na revolução direta das ruas, ao contrário de Chapolim, não contava com a astúcia de quem domina as manhas do regime patrimonialista. Este, na prática, nunca se renova, desde os tempos da colônia, do Império, da República Velha, das ditaduras de Vargas e dos militares e dos interregnos democráticos que as substituíram.
Após algum tempo de mutismo, decerto provocado pela perplexidade da inexperiência, Dilma Rousseff convocou rede de televisão para, em seu estilo “balança, mas não cai”, tentar convencer seus críticos de que o povo queria dar-lhe e a seu partido instrumentos para não largarem o suculento bife do poder, deixando o osso da eterna oposição para os adversários: financiamento público de campanha, voto em lista, etc.
O Congresso Nacional, composto por macacos velhos mais espertos do que ela, adotou o sistema Vampeta de agir. O volante baiano definiu assim sua relação trabalhista com o clube de futebol mais popular do País: “O Flamengo fingia que nos pagava e nós fingíamos que jogávamos”. Deputados e senadores repetiram essa malandragem até que a falseta foi desmascarada na votação secreta em que os primeiros deram ao colega Natan Donadon (ex-PMDB-RO) ocupação inusitada de legislador-presidiário. Logo depois, o mesmo plenário inventou – no país onde há leis que vingam e outras, não – a norma aprovada para nunca valer, ao tornar abertas quaisquer votações em parlamentos.
Assim como se espantaram com a explosão de raiva da população contra as escolas de lata, os pacientes morrendo nas macas em corredores de hospitais públicos e outros flagelos nacionais e fingiram que nada tinham que ver com essas queixas, governantes, parlamentares e magistrados temeram o Dia da Pátria. Tratava-se do mais apropriado feriado, pensaram, para o monstro voltar às ruas e despertar o gigante adormecido em berço esplêndido. Mas junho acabou no sábado.
Como aconteceu muitas vezes na História e foi registrado com clareza e estilo por Karl Marx em O 18 Brumário de Luís Bonaparte, a onda da indignação de todos contra tudo se dissolveu num esgoto povoado pelos ratos oportunistas de sempre. O Executivo brinca de médico cubano, dando um dinheirinho aos tiranos Castro de Cuba e fingindo que com a caridade resolve os problemas perenes dos prontos-socorros sem penicilina, macas e gaze. O Legislativo abre uma sucursal no presídio, enquanto os petistas do governo distrital em Brasília têm de ser obstados por um juiz para não concluírem um puxadinho de luxo para mensaleiros condenados. E no Judiciário prima a lerdeza, em vez da justiça, como de hábito.
Das manifestações de junho sobrou o que há de pior: a destruição generalizada dos anarquistas mascarados, que deixaram no caminho seu rastro ofensivo de ódio, sem relação alguma com a ira defensiva popular; e a covardia dos gestores públicos, que preferem perder a autoridade a arriscar-se a perder a eleição. Nada foi feito para debelar a inflação, a corrupção e a péssima gestão pública em geral, principalmente no que toca a educação, saúde e segurança. Nenhum mecanismo institucional foi criado para favorecer o encurtamento da distância abissal entre o representante e o representado. E a Justiça permanece lerda e caolha, surda para quase todos e muito sensível aos melindres dos privilegiados que têm alguma proximidade com a toga.
O rescaldo negativo da bela manifestação popular, contudo, recende a matéria orgânica apodrecida. Nenhuma autoridade foi exercida para garantir que o cidadão comum se locomova em seu hábitat. Ao contrário, quaisquer grupelhos de gatos-pingados com uma palavra de ordem continuam a impedir o trânsito de ambulâncias em vias como a Paulista, em São Paulo, e a Rio Branco, no Rio, entre outras. Com a mesma estridência com que reclamam, com justiça, dos parlamentares escondidos sob o sigilo do voto, querem que mascarados sigam promovendo quebra-quebras nas ruas. Até o inefável baiano Caetano cobriu o rosto com uma camiseta em defesa desse direito e pedindo paz, equiparando os predadores vândalos a inocentes foliões de máscara nos blocos de sujos do carnaval.
Essa mixórdia resultou no triste Dia da Pátria de 2013. Com medo da violência, o povo ficou em casa, faltando aos protestos convocados nas redes sociais e aos desfiles da comemoração da Independência. Mas os grupelhos de vândalos deixaram sua marca nada simbólica por onde passaram, chamando a atenção geral para o pesadelo do monstro adormecido em catre mísero e para a perda da noção da data nacional – e um símbolo maligno destroçou um símbolo benigno.
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo na quarta-feira 11 de setembro de 2013).

CARLOS FERNANDO por ele MESMO

Olhando seus olhos me perco
No mesmo compasso poeira carreira
Areia do mar Olinda mandou me chamar
Seus olhos claros faróis
De perto te vejo aqui quase longe
Sou anjo avesso
A praça vazia
O palhaço sem graça
O prefeito sem voto
E o poeta sem nada
Sou anjo avesso
É um raio que rompe e traça
E a massa espanta a dor
Na primavera do som o sol
No meio de suas cores estou
Meu coração acelerou também partiu
Anjo avesso
Incendiando quem escapou do incêndio
Girando em espiral
Você sorrindo jogou aquela flor
E um bloco veloz feito um raio
Sou Tupã presente
Guerreiro sempre
Galhos de semente
Do algodão do pau-brasil
Da serpentina que coloriu
A vida e o meu coração de leão
Eu sou daqui mas vim de longe
Dando cambalhotas no ar
A vida na ponta dos dedos
E a felicidade sem nenhum segredo
Porque você foi ver o arco-íris
E não me chamou... e fale do arco do céu
Das cores no sol
Quero ver o amanhecer
Do ser do ser
Que a beleza total vem de dentro da gente.
INCONCLUSÕES:
Autor do mais belo e coletivo projeto – ASAS DA AMÉRICA – Carlos Fernando soube cultivar a rebeldia enquanto
delicadeza de Príncipe do Bem.
Mas nada foi facilitado demais.
Nem de menos. Nem por medo.
Seu diálogo com políticos convictos
foi herança lyrica do país de Caruaru.
Mitos em ritos de familiaridade.
Por isso recordemos A LIRA DO DELÍRIO, filme que soube TRANSformar em vida
a morte banal e (ab)surda.
Tempo folião sem determinismos.
Do TRANSregional da Pipoca Moderna à Constelação Valenciana.
O Músico e Maestro Geraldo Azevedo
sabendo de tudo, por todos e todas.
Caetanave em máscaras desafiadoras.
Tempo cidadão com O GOLPE NA ALMA.
A bricolagem acima é o mínimo que podemos
vislumbrar do coração celeste celestial
nos TRANSfigurando e ultrapassando.
Jomard Muniz de Britto
Recife, setembro de 2013

terça-feira, 10 de setembro de 2013

VEM AI A III MOSTRA PEDAGOGICA DA ETE, DIAS 8 E 9 DE OUTUBRO


José Mujica - Uruguai.

Dificil acreditar que existam polític
o
s deste naipe. Quem dera seja mesmo verdade e que tiv
 
é
ssemos aqui pelo menos alguns que pudessem segurar "a corja" do nosso país.
 
      
Eu não sou pobre! Pobres são aqueles que acreditam que eu sou pobre.
Tenho poucas coisas, é certo, as mínimas, mas apenas para ser rico. Quero ter tempo para dedicá-lo às coisas que me motivam.
Se tivesse muitas coisas, teria que me ocupar de resolvê-las e não poderia fazer o que eu realmente gosto.
Essa é a verdadeira liberdade, a austeridade, o consumir pouco. Vivo em uma pequena casa, para poder dedicar tempo ao que verdadeiramente aprecio.
Senão, teria que ter uma empregada e já teria
uma interventora dentro de casa. Se eu tivesse muitas coisas, teria que me dedicar a cuidar delas, para que não fossem levadas... Não, com três cômodos é suficiente. Passamos a vassoura, eu e a velha, e já se acabou. Então, temos tempo para o que realmente nos entusiasma. Verdadeiramente, não somos pobres!"
                     (José Mujica - Presidente do Uruguai)

QUEM É JOSÉ MUJICA?
Conhecido como "Pepe" Mujica, o atual Presidente do Uruguai recebe USD$12.500/mês (doze mil e quinhentos dólares mensais) por seu trabalho
à frente do país, mas doa 90% de seu salário, ou seja, vive com 1.250 dólares, cerca de R$2.538,00 reais ou ainda 25.824 pesos uruguaios. O restante do dinheiro ele distribui entre pequenas empresas e ONGs que trabalham com habitação.

"Esse dinheiro me basta e tem que bastar, porque há outros uruguaios que vivem com menos", diz o presidente Mujica.
Aos 77 anos, Mujica vive de forma simples, usando as mesmas roupas e desfrutando da companhia dos mesmos amigos de antes de chegar ao poder.
Além de sua casa, seu único patrimônio é um velho Volkswagen, cor celeste, avaliado em pouco mais de mil dólares. Como transporte oficial, usa apenas um Chevrolet Corsa. Sua esposa, a senadora Lucía Topolansky, também doa a maior parte de seus rendimentos.

A poucos quilômetros de Montevidéu, já saindo do asfalto, avista-se um campo de acelgas. Mais à frente, um carro da polícia e dois guardinhas: o
único sinal de que alguém importante vive na região. O morador ilustre é José Alberto Mujica Cordano, conhecido como Pepe Mujica, presidente do
Uruguai.
Perguntado sobre quem é esse Pepe Mujica, ele responde: "Um velholutador social, da década de 50, com muitas derrotas nas costas, que queria consertar o mundo e que, com o passar dos anos, ficou mais humilde e agora tenta consertar um pouquinho de alguma coisa".

Ainda jovem, Mujica se envolveu no MLN - Movimento de Libertação Nacional e ajudou a organizar os tupamaros, grupo guerrilheiro que lutou contra a ditadura. Foi preso pela ditadura militar e torturado.   "Primeiro, eu ficava feliz se me davam um colchão. Depois, vivi muito tempo em uma salinha estreita, e aprendi a caminhar por ela de ponta a ponta",lembra o presidente uruguaio. Dos 13 anos de cadeia, Mujica passou algum tempo em um prédio, no qual o antigo cárcere virou shopping. A área também abriga um hotel cinco estrelas. Ironia para um homem avesso ao consumo e ao luxo.
No bairro Prado, a paisagem é de casarões antigos, da velha aristocracia uruguaia. É onde está a residência Suarez y Reyes, destinada aos presidentes da República. Esse deveria ser o endereço de Pepe Mujica, mas ele nunca passou sequer uma noite no local. O palácio de arquitetura
francesa, de 1908, só é usado em reuniões de trabalho.

Mujica tem horror ao cerimonial e aos privilégios do cargo. Acha que presidente não tem que ter mais que os outros. "A casinha de teto de zinco é suficiente", diz ele. "Que tipo de intimidade eu teria em casa, com três ou quatro empregadas que andam por aí o tempo todo? Você acha que isso é vida?", questiona Mujica.
Gosta de animais, tem vários no sítio. Pepe Mujica conta que a cadela Manoela perdeu uma pata por acompanhá-lo no campo e que ela está com ele há 18 anos.
A vida simples não é mera figuração ou tentativa de construir uma imagem, seguindo orientações de um marqueteiro. Não, ela faz parte da própria formação de Mujica.

No dia 24 de maio de 2012, por ordem de Mujica, uma moradora de rua e seu filho foram instalados na residência presidencial, que ele não ocupa porque mora no sítio. Ela só saiu de lá quando surgiu vaga em uma instituição. Neste início de inverno, a casa e o Palácio Suarez y Reyes, onde só acontecem reuniões de governo, foram disponibilizadas por
Mujica para servir de abrigo a quem não tem um teto.
 Em julho de 2011, decidiu vender a residência de veraneio do governo, em Punta del Este, por 2,7 milhões de dólares. O banco estatal República a comprou e transformará a casa em escritórios e espaço cultural. Quanto ao dinheiro, será inteiramente investido - por ordem de Mujica, claro - na construção de moradias populares, além de financiar uma escola agrária na própria região do balneário.

O Uruguai ocupa o 36ª posição do ranking de EDUCAÇÃO da Unesco, enquanto o Brasil ocupa a 88ª posição. Já no ranking de DESENVOLVIMENTO
HUMANO, o Uruguai ocupa o 48º lugar, enquanto o Brasil ocupa o 84º lugar.
Enquanto isso no Brasil, políticos reclamam que recebem salários baixos para os cargos que exercem. QUE VERGONHA!!!

Mujica é um homem raro, nesses tempos de crise de valores morais e ética, dentre os políticos sul-americanos.
Compartilhem essa história, compartilhem mesmo! Os brasileiros têm que saber que existem  políticos de verdade, que trabalham em favor do povo, e não das suas contas bancárias!

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PARA COMPREENDER OS ATENTADOS? Jomard Muniz de Britto, jmb

Antes de tudo confirmar que nosso autor
de textos audiovisuais, com suas heranças
e errâncias no cinema superoitista, continua
exercitando-se nas zonas fronteiriças 
da prosa com a poesia, 
da crônica com a pop filosofia,
misturando gêneros e ousando perturbar 
as hierarquias entre "alta cultura" universitária 
e subterrâneos tropicalistas, na mídia e fora dela,
através de redes alternativas de comunicação.
Itinerário de "afinidades eletivas" que poderiam
até gerar uma quase enciclopédia de poemações
e filosofemas, lembranças de almanaque,
reflexões emotivas, cortes epistemológicos e
papos-cabeça em qualquer lugar.
Reunindo autores consagrados e outros ainda não,
ele vai praticando interferências, homenagens,
recortes e colagens verbais.
Nesse jogo de reconstruções linguísticas, quase
chega a definir um ideário, pensamento em processo.
Os leitores são, por sua vez, instigados a redescobrir
outros elos, encadeamentos, livres associações,
compromissos além da mera ou cara retórica.
Tudo prazerosamente na medida do possível.
Continua acreditando - sua utopia concreta? -
nas possibilidades do pluralismo 
estético-ideológico entre jovens de todas as idades
e contemporaneidades. Até quando?
Tudo girando em torno dos enigmas da poeticidade
e da democratização cultural.
Em todos eles, o senso de humor - mesmo sem
perder o sentimento trágico da existência - 
é sua nuclear motivação.
Diálogos com Paulo Freire & diferenciações.
Ironia amorosa e sarcasmo sem compaixão.
Atenção aos signos, ocultações, 
reverberações e superstições.
Antropoemia devorada pelos antropófagos
dos experimentalismos.
Nem a favor nem contra
as veias aortas do machonalismo.
Promessas de felicidade e 
catástrofes desafortunadas.
A letra e a voz sem esquecermos os gestos
fundacionais arcoverdejantes de
Pedro das Américas. Arrudiando o mundo.
Todos os solos. Todas as luzes e trevas.
Todos e todas no Grito dos Excluídos.
Recife, quase setembro 2013.
atentadospoeticos@yahoo.com.br 
                                        

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

IN MEMORIAN

(Texto de Josessandro Batista de Andrade)


Doutor Bartolomeu Brasiliano de Melo, advogado, Secretário de Justiça, o vereador com maior número de mandatos da história de Sertânia,um dos homens i mais nteligentes e cultos de Sertânia, conhecedor de histórias de nossa terra e região há poucos reveladas e sobretudo poeta, autor de toadas boca de grota, de composições musicais e poemas diversos , até em verso livre, como este de 2008, que critica o processo de decadência de Sertãnia;Sertânia... Que foi alagoa de baixo

Sertânia canta um mote só:
já foi já teve, hoje não tem mais
já teve casa do menor, hoje não tem mais
já teve algodoeiras, hoje não tem mais
já teve festa de rua hoje não tem mais
já teve já teve cinema hoje não tem mais
já teve praças com coretos hoje não tem mais
já teve agencia do IPSEP hoje não tem mais
já teve já teve escritório da CELPE hoje não tem mais
já teve trem de ferro hoje não tem mais
já teve estação de trem de ferro hoje não tem mais
já teve palma forrageira hoje não tem mais
já foi o carro – chefe do Moxotó, hoje não é mais
já teve seus notáveis hoje não tem mais
já teve Juiz na Comarca hoje não tem mais
já teve cadeia na cidade hoje não tem mais
danou-se... Sertânia prá onde vai?
É tanta coisa que já teve
coisa que não tem mais
já teve... Teve... Uai
pois, não terá mais!
Está faltando honestidade
- a coisa que falta mais!
Triste sina, só prá baixo, só prá trás
de quem é a culpa,
do homem ou do tempo?
Do homem, sim
do tempo, jamais!
O tempo é o espaço e medida
que mede o que o homem faz
esse tema é muito ruim:
já teve, não tem mais...
... Já foi não é mais.
...Foi moço não é mais...
...está velho demais..
e o nome do homem:
tu me darás?

Bartolomeu, meu amigo, meu irmão. Eis minha homenagem...

Tudo como dantes no
cartel de Abrantes
José Nêumanne
As ruas calaram por falta do que propor e a sucessão está na mesma por falta de algo melhor
Em junho, as multidões saíram às ruas para reclamar de tudo o que está aí – a inflação que corrói o valor da moeda com que é pago o salário do trabalhador, a corrupção desenfreada, a péssima gestão pública (principalmente na saúde, na educação e na segurança pública, mas não apenas nesses setores) e outras mazelas institucionais. Eram todos contra tudo. Em julho, milhões foram à Praia de Copacabana se encantar com o papa humilde que carrega a própria maleta de mão, é favorável aos humildes e tolerante com os casais divorciados e os homossexuais. Agosto entrou com Francisco no Vaticano e os brasileiros em casa, deixando ao papa o que é do papa e aos políticos o que dos políticos é. Entre mortos e feridos salvaram-se quase todos.
De início, os políticos assustaram-se. A presidente Dilma Rousseff, de estilo bruto, embora oscilante, choramingou em particular e despejou ideias em público para “atender ao clamor das massas”. Nada do que ela propôs pegou. Tentou dar o golpe da Constituinte exclusiva para a reforma política para consolidar na Constituição ações para fazer o próprio partido crescer e prosperar: cobrar as contas pesadas das campanhas eleitorais pegando dinheiro do bolso furado do contribuinte extenuado e transferir do cidadão a escolha de seu representante para a zelitedirigente partidária pelo voto de lista. O resto – acabar com os suplentes no Senado e com as votações sigilosas nos plenários do Congresso Nacional – era a perfumaria para disfarçar o odor desagradável do oportunismo golpista sem disfarce do que só interessava de fato ao seu Partido dos Trabalhadores (PT). Ninguém havia exigido na rua a reforma política, mas o cinismo passou batido, de vez que a fábrica de factoides dos marqueteiros do Planalto trouxe à baila o plebiscito, uma consulta prévia ao povo para fazer o que não salvaria um paciente mal atendido num hospital público nem educaria uma criança no ensino público, que continua não apenas indigente como sempre foi, mas só faz piorar.
E em resposta às queixas contra a saúde pública Dilma propôs aumentar de seis para oito anos a duração dos cursos de Medicina, restaurando os trabalhos forçados extintos no século 19 no Brasil por outra mulher, a princesa Isabel. A ideia absurda foi abandonada, mas o alvo, não. Aproveitando-se do fato de os médicos muitas vezes não se comportarem à altura do que deles é exigido no cumprimento do juramento que fazem repetindo as palavras de Hipócrates, o governo transferiu para eles toda a culpa pelo péssimo atendimento, aproveitando-se do contato direto que eles têm com os pacientes, ao contrário dos gestores públicos, que ficam a confortável distância dos doentes.
Nada do que ela propôs deu solução a nada. E com a queda espetacular de 28 pontos porcentuais na preferência do voto para sua reeleição na pesquisa Datafolha em três meses (de 58% em 20 e 21 de março para 30% em 27 e 28 de junho), seus aliados se viram em condições de aumentar o preço do próprio passe, enquanto os opositores passaram a sonhar com o milagre da vitória em 2014. Mas em 7 e 9 de agosto o índice dela subiu cinco pontos e os áulicos agora aguardam a nova rodada da pesquisa para decidir se continuam mamando nas tetas oficias e permanecem em seu palanque ou lhe viram as costas em busca de perspectivas mais alvissareiras.
A pesquisa da Datafolha publicada no domingo foi uma ducha gelada no ânimo dos ingênuos que acreditam que o povo seja um coletivo virtuoso de uma massa composta por ingredientes diversos e imperfeitos de uma multidão disforme. Esta reclamou de tudo o que está ruim, mas está longe de ter a mínima ideia do que se fazer para melhorar. Dilma é o que é e a alternativa ao governo chinfrim não é algum opositor sem nada melhor a oferecer nem o ex-aliado indeciso entre os sobejos do ágape governista ou o jejum do deserto sem poder.
Ora, ora, a alternativa a Dilma é Lula, que também ganhou cinco pontinhos entre o clamor das massas e a fria calma da ressaca atual, mas passou para 51% da preferência, ou seja, mantém a perspectiva da vitória em primeiro turno. O ex-presidente não é candidato, mas continua seu padrinho e basta que transfira o cacife dele – feito de que já se mostrou capaz há três anos – para levá-la a uma inédita vitória petista no primeiro turno. E se isso não ocorresse, ela levaria vantagem sobre todos os eventuais adversários no provável segundo turno, conforme a pesquisa.
Fora do palácio, Marina Silva, da Rede, é a que mais se aproxima da favorita, mas não tão próxima assim (46% a 41%) e ainda sem condições sequer de disputar, pois não tem partido formalizado. Outro sem partido, Joaquim Barbosa, ficou em terceiro lugar, 23 pontos abaixo de Dilma (53% a 30%), com índice bem semelhante ao do tucano José Serra (52% a 31%), que deixou o correligionário Aécio Neves na poeira (53% a 29%). O desempenho de Eduardo Campos (55% a 23%) indica que o melhor que ele tem a fazer é esperar 2018.
Tudo ficou como dantes no cartel de Abrantes, o que não surpreende quem aprendeu com o Barão de Itararé que “de onde nada se espera é de onde nada virá”.Tendo perdido uma eleição municipal para o neófito Fernando Haddad, Serra nada acrescentou ao que já se sabe: ele quer ser presidente, mas não convence eleitores suficientes de que merece seu voto. Em vez disso, protagoniza o escândalo de um eventual cartel para licitações no Metrô e em trens suburbanos, que permitiu aos adversários um neologismo cruel (o trensalão) e uma dúvida nunca esclarecida de que tucanos e petistas seriam “farinha do mesmo saco”. E a presidência nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de nada serviu para o senador Aécio Neves provar que é melhor do que Dilma.
As ruas calaram por falta do que propor e a sucessão não saiu da mesmice pela falta de quem proponha algo melhor.
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 14 de agosto de 2013)

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