quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

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Saudades...


"A nossa política é o bom humor. Todas pessoas sérias foram assassinadas. Nós queremos ser os palhaços do mundo" (John Lennon)

O Corinthians é uma “nação” quando convém ao clube e deixa de sê-lo se não lhe convém, é?

O que ocorreu em Oruro, na Bolívia, há uma semana não foi um acidente,
mas um assassinato. E o único inocente nessa história é a vítima, o
boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, torcedor do San
José, que recebia o Corinthians Paulista na primeira rodada de seu
grupo da Taça Libertadores da América. O assassino, seja quem for –
seja um dos presos pela polícia local ou não, seja o menor apresentado
aos meios de comunicação antes de ser levado às autoridades (um sinal
de nossos tempos midiáticos) ou não –, terá de ser identificado e
processado na forma da lei.

Ninguém, a bem da verdade, espera que a polícia boliviana seja mais
eficiente do que seria a brasileira se o incidente (e não uma tragédia
acidental) houvesse ocorrido em território nacional. A manutenção de
12 corintianos presos, sendo atribuída a autoria a dois e impingida à
dezena restante a pecha da cumplicidade, sem que seja apresentado o
autor do disparo, aumenta essa dúvida. Afinal, o assassino poderia ser
identificado, até com relativa facilidade, nas imagens geradas pela
emissora local de televisão, com o uso de tecnologia simples. Mas a
demora em identificar o assassino na cena gravada do crime não deve
servir de desculpa para a reação sem propósito dos brasileiros
envolvidos no episódio e da cúpula da Confederação de Futebol da
América do Sul (Conmebol) na punição adotada.

A rápida localização do bode expiatório perfeito – de família pobre e
menor de idade – em nada isenta ninguém. A julgar que realmente H. A.
M., de 17 anos, tenha disparado o artefato, como é alegado, resta
perguntar: quem era o maior responsável que o acompanhou na viagem
para fora do País, onde ele teria comprado o sinalizador naval que
serviu como arma do crime e, caso este pertencesse a outrem, quem era
o dono? É bom alertar, de saída, que a inabilidade alegada pelo autor,
em oportuna entrevista à televisão, não deveria servir de atenuante,
mas de agravante, similar à de um menor acusado de atropelar alguém
sem habilitação para conduzir automóvel.

Ainda que se esclareça isso e se encontre uma explicação para o fato
de o menor ter deixado o território boliviano para confessar o crime a
confortável distância do local onde ele ocorreu e ao qual não será tão
fácil como se pensa ele voltar, o episódio não pode ser resolvido
assim, num piscar de olhos. Além da necessária identificação de quem
disparou e do indispensável processo penal para puni-lo, urge pôr fim
à violência em estádios sul-americanos e à facilidade com que esta é
perdoada a pretexto da paixão clubística.

No século 20, a filósofa alemã judia Hannah Arendt cunhou a expressão
“banalidade do mal” para explicar o genocídio praticado em ditaduras.
Este é um caso de banalização da morte. Por isso mesmo não pode ser
tratado no velho padrão da diluição da responsabilidade, uma das
raízes da impunidade que assola e envergonha a sociedade brasileira em
vários campos de atividade, entre as quais o esporte, o futebol em
particular.

Assim como um ex-jogador do Corinthians, Vampeta, definiu sua relação
profissional com o time de maior torcida do Brasil, o Flamengo, numa
sentença-síntese – “eles fingem que pagam, nós fingimos que jogamos”
–, a argumentação do clube que vem de ganhar o Campeonato Mundial pela
segunda vez se baseia na presunção da inocência coletiva pelo crime
individual. Pretextos do tipo “a torcida inteira não pode pagar pelo
delito de um torcedor” ou “quem comprou ingresso para os próximos
jogos do time não pode ser prejudicado” desrespeitam a memória da
vítima. Faixas, chororô e minutos de silêncio são de uma desfaçatez de
fazer corar frade de pedra.

O policial Mário Gobbi, presidente do clube, deslustra seu currículo
ao reivindicar para sua grei o direito de delinquir sem punição. O
Corinthians é uma “nação” quando convém e na adversidade deixa de
sê-lo? O truísmo é tolo: todo time perde mando de jogo em represália a
torcidas mal comportadas.

Se urge deter as mãos que disparam projéteis em arquibancadas, para
isso deveriam ser aplicadas punições mais duras do que as anunciadas
pela Conmebol. Um exemplo histórico mostra que é possível acabar com a
violência em estádios de futebol. Em 29 de maio de 1985, 39 torcedores
morreram e 600 ficaram feridos no Estádio de Heysel, em Bruxelas, na
Bélgica, durante a final da Liga dos Campeões da Europa, entre a
Juventus, de Turim, Itália, e o Liverpool, da cidade portuária
britânica dos Beatles, num tumulto provocado por hooligans. Por causa
da tragédia, todos os times britânicos foram suspensos por cinco anos
dos torneios da Uefa, entidade que gere o futebol europeu, como a
Conmebol o da América do Sul. O Liverpool, time de tradição na
Grã-Bretanha comparável à do Corinthians aqui, ficou seis anos fora
das disputas. E 14 torcedores identificados pela polícia belga como
criadores do distúrbio passaram três anos na cadeia. Desde então se
adota no Reino Unido a prática de impedir que encrenqueiros frequentem
estádios nos jogos de seus times: enquanto a bola rola, executam
trabalhos sociais. Hoje, alambrados e até fossos são dispensáveis em
estádios ingleses.

Será sonho de uma noite de verão esperar que um dia isso ocorra nesta
“pátria em chuteiras” e nos domínios da Conmebol? Pelo visto,
brasileiros e bolivianos ainda terão de conviver mais com a
banalização da morte pela violência de quadrilheiros travestidos de
membros de torcidas organizadas. O Tigre, da Argentina, desrespeitou
impunemente a torcida que compareceu ao Morumbi na final da Copa
Sul-Americana, em 12 de dezembro último, deixando de jogar o segundo
tempo, pois não recebeu dos organizadores a devida punição. O péssimo
comportamento do anfitrião, o São Paulo, foi punido com a perda de um
mando de campo, o que significa anistia, na prática.

Não suspender o Corinthians por pelo menos esta edição da Libertadores
e não proibir sinalizadores navais nas arquibancadas é manter a
impunidade e estimular a violência.

Jornalista, poeta e escritor



(Publicado na pág. A02 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 27 de
fevereiro de 2013)

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Estudantes de todas as Escola de Sertânia abrem o Carnaval 2013


Programação Do Carnaval De Sertânia 2013


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Cantilena Em Ingazeira: Festa da Música e Poesia








Sertânia deu um Show na Cantilena de Ingazeira com uma caravana cultural de músicos (Chico Arruda, Bruno Sanfoneiro, Antônio Amaral entre outros) e poetas como Antony Patrício, Josessandro Andrade, Expedito Matos, Flávio Magalhães, Gabriel Oscar, Luiz Pinheiro, Gato Novo entre outros... Destacar a participação do grande poeta de São José Do Egito, Vinicius Gregório...

Fábrica Das Artes De André Pinheiro




André Pinheiro resgatou o Memorial do seu avô mais conhecido como Seu Pinheiro, lá no Alto do Rio Branco, André Pinheiro também é músico, cantor, compositor e poeta e faz um excelente trabalho com a Casa Dos Espíritas de Sertânia visitem o museu e vale a pena conhecer um pouco desse grande industrial que foi Seu Pinheiro.

Fernando Morais: Todos são Chávez, mesmo


Fernando Morais: Todos são Chávez, mesmo sem Chávez

Por Fernando Morais, na página da CTB
Dias atrás, centenas de milhares de venezuelanos ocuparam o centro de Caracas para “tomar posse” no lugar do presidente Hugo Chávez, ausente do país para tratamento médico. Colorida e ruidosa, a multidão que cercou o Palácio Miraflores não carregava fuzis AK47 nem coquetéis molotov, mas uma arma com poder de fogo muito maior: a Constituição nacional.

Portando no peito faixas presidenciais de pano ou de papel, feitas a mão, em vez de slogans sangrentos, repetiam um único bordão: “Todos somos Chávez! Todos somos Chávez!”.



Ironizado pela imprensa de direita como cena do realismo fantástico, o episódio estava carregado de simbolismo e significado. Se Chávez é mesmo um ditador e se a economia da Venezuela está pela hora da morte, como martelam diariamente nove entre dez veículos de comunicação no Brasil, por que, diabos, ele é tão popular?
Os esfarrapados rótulos de “populismo” e “caudilhismo” são cada dia mais ineficazes para explicar por que Chávez e seu governo já se submeteram a 16 processos de avaliação, entre eleições e referendos, e em apenas um saíram derrotados. A última vitória, ocorrida em dezembro, aconteceu quando Chávez já se encontrava em Cuba: os chavistas elegeram 20 dos 23 governadores de estados venezuelanos.

Quem quer que visite o país interessado em ver as coisas como as coisas são, sem preconceitos nem estereótipos, terá a oportunidade de constatar o que os jornais não mostram. Qualquer brasileiro médio, jejuno em informação independente sobre a Venezuela, se surpreenderá.
Em 14 anos de chavismo, os índices de analfabetismo foram reduzidos a zero. Nos últimos dois anos, o projeto Gran Misión Vivienda construiu 350 mil casas populares, metade das quais edificada em parceria com mutirões de comunidades organizadas.
O número de médicos por 10 mil habitantes subiu de 18 para 58. Só o sistema público de saúde dispõe de 100 mil médicos, dos quais cerca de 30 mil são cubanos que vivem há cinco anos nas favelas que cercam Caracas, oferecendo atendimento gratuito e permanente a milhares de pessoas. A taxa de mortalidade infantil desabou de 25 para 13 óbitos por mil nascidos vivos e 96% da população tem acesso a água potável.
O coroamento dessas políticas sociais implantadas sob o comando de Chávez não poderia ser outro: em levantamento recente, realizado pela Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) em 18 nações da América Latina e do Caribe, a Venezuela aparece em primeiro lugar como o país com a mais baixa taxa de desigualdade social.
O que deixa a oposição sem fala e sem munição é que essa marcha pacífica rumo ao socialismo é liderada há 14 anos por um católico praticante sob um processo sui generis, onde não houve fuzilamentos, as instituições funcionam, não há presos políticos e a imprensa desfruta de absoluta liberdade de expressão.
Exagero? Quem tiver dúvidas que entre nos sites www.eluniversal.com e www.el-nacional.com para ver como os dois maiores jornais de oposição do país tratam Chávez e seu governo, todos os dias, sem exceção.
A ideia de que a Revolução Bolivariana não sobreviverá a Hugo Chávez é apenas uma manifestação de desejo dos golpistas de 2002, da elite saudosa da velha Venezuela. Aquela em que a fortuna decorrente do petróleo ia parar em contas bancárias em Miami e na Suíça e não em projetos sociais, como acontece hoje.
Como milhões de outros admiradores do processo venezuelano, torço para que Hugo Chávez vença a batalha contra o câncer e volte logo ao batente. Mas sei que, como todos os demais seres humanos, o presidente é mortal. Sei também, no entanto, que a Revolução Bolivariana que ele concebeu e lidera é para sempre. Quem viver verá.

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