quarta-feira, 24 de julho de 2013

EXPOSERTÂNIA 2013

Adeus, sanfoneiro amigo‏

Oi,
Aqui está minha despedida do genial instrumentista Dominguinhos publicada no Caderno 2 de hoje.
Um príncipe
nascido em
forma de
matuto-flor
José Nêumanne
Sanfoneiro e cantor encarnou o lado sensível da música regional nordestina
Legenda: Reinado absoluto. O sanfoneiro toca em Caruaru em 2007
Trecho de Tenho sede, de Dominguinhos e Anastácia: “Traga-me um copo d’água, tenho sede / e essa sede pode me matar. / Minha garganta pede um pouco d’água / e os meus olhos pedem o teu olhar”.
 “O sertanejo é antes de tudo um forte”, sapecou Euclides da Cunha em “Os sertões”. Os desavisados reconhecerão na definição o protótipo do cangaceiro, do cabra macho, do matuto destemido que não leva desaforo para casa. Ledo engano. Como o próprio Euclides deixou claro, essa força não reside na coragem, na valentia ou no destemor, mas repousa na improvável força interior contida no termo euclidiano Hércules-Quasímodo. O sanfoneiro, compositor e cantor Dominguinhos encarnou o lado sensível, belo e pungente dessa força, contrapondo-o à valentia da cabroeira que dormia ao relento e lutava contra as tropas da lei e da ordem. Lampião era o sertanejo-mandacaru. Dominguinhos, o matuto-flor: a flor que brota do cacto com a beleza protegida pela agressividade bélica dos espinhos.
Desde cedo ungido príncipe da música regional nordestina que o Rei Gonzaga fundou e sustentou com o rebuliço mágico dos 180 baixos de sua sanfona, o garoto de Garanhuns, Pernambuco, cruzou as veredas da vida sem trocar de patente nem de coroa: sempre foi menino, sempre foi príncipe. Consciente da majestade de seu Lua, legitimada pela dimensão universal de sua herança, a grandeza dele, caudatária da simplicidade, o tornou herdeiro perpétuo, impedindo-o de subir ao trono com o desaparecimento físico do criador do forró. Não se confunda, contudo, essa simplicidade com complexo de inferioridade ou desconhecimento do próprio potencial que levou Gonzaga a lhe transferir sanfona, cetro, reinado e gibão. Nada disso: mantendo-se na infância, ele preservou o segredo da beleza e da variedade da obra que o fundador trouxe das brenhas para transformar no ponto de contato e de solidariedade dos deserdados da seca no bulício das metrópoles.
Em Dominguinhos comungavam a humildade dos mansos de espírito e a altivez dos gênios que reconhecem seu valor ao identificá-lo não nas glórias da fama, mas na consciência da fidelidade a sua grei, que a retribui com um amor mudo, sincero e pleno, que vai além do aplauso fácil. Este reconhecimento passou, é claro, pela unção real, mas se confirmou em todos os contatos que o artista manteve com seu público, gente com quem partilhava as mesmas origens e com quem se comunicava pela mudez de cúmplices egressos dos mesmos roçados nos quais a necessidade e a escassez tornam a solidariedade gênero de primeira necessidade. Esse povo aprendeu a linguagem das pausas longas e o reconhecimento da labuta na textura áspera da pele da palma da mão acostumada com a soleira que ofusca e a aridez do solo de pouca água.
Se o Rei do Baião fez de Asa Branca, com a letra do urbano Humberto Teixeira, o hino da diáspora nordestina pelo mundo afora, o príncipe da sanfona compôs em Lamento Sertanejo, com a letra-síntese de Gilberto Gil, negro e interiorano qual Gonzaga, a saga do retirante aculturado. “Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação, / eu te asseguro, não chore não, viu, / eu voltarei, viu, pro meu sertão”:  Gonzaga e Teixeira cantaram o mito da volta do homem à terra, bastando que caia a chuva do céu. “Por ser de lá, / na certa por isso mesmo, / não gosto de cama mole, / não sei comer sem torresmo. / Eu quase não falo, / eu quase não sei de nada. /  Sou como rês desgarrada / nessa multidão boiada caminhando a esmo“ - na melodia de Dominguinhos Gil decretou a saga de um Ulisses-Quasímodo que não retorna a Penélope, mas faz do desassossego solitário o jeito de ficar onde estiver, construindo Ítaca em si mesmo.
A Odisseia do cantor do vale do Araripe, nos confins onde Pernambuco acaba no Ceará, foi registrada no percurso do peixe em Riacho do Navio, com letra do parceiro Zé Dantas, partindo do Atlântico na direção do paraíso idílico perdido nas margens do riacho da Brígida, contra a correnteza. Essa busca do cordão umbilical enterrado na porteira do curral avoengo se expressa na utopia do desterrado: “Pra ver o meu brejinho, / fazer umas caçada, / ver as ‘pegá’ de boi, / andar nas vaquejada, / dormir ao som do chocalho / e acordar com a passarada, / sem rádio e sem notícia / das terra civilizada”.
A Ilíada do sanfoneiro da “Suíça nordestina” mantém o desterrado no desterro, universo transportado de Garanhuns para os guetos nordestinos nas metrópoles - o Brás em São Paulo, o Campo de São Cristóvão no Rio... Nesses lugares, o cavalo de madeira transporta o retirante para os ambientes urbanos, tornando-o uma espécie de extra-terrestre adaptado aos hábitos e à cultura da Troia que desconhecia. O retirante pede água, busca o amor e vai ficando: a obra de Dominguinhos é a consciência de que todo lugar é sertão e o sertão é aqui mesmo, reconhecido nas manchas de suor tornadas mapas da solidão que virou ritual de encontro. Como cantou emTenho sede, com letra de Anastácia, sua mulher e parceira de origem: “Traga-me um copo d'água, tenho sede / e essa sede pode me matar. / Minha garganta pede um pouco d'água / e os meus olhos pedem teu olhar”.
Jornalista, poeta e escritor
Jose Neumanne Pinto

23º FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS


Grande Dado Villa-Lobos, a guitarra urbana dessa eterna legião...

MORRE O ÚLTIMO CANGACEIRO DO BANDO DE LAMPIÃO

Foto: MORRE O ÚLTIMO CANGACEIRO DO BANDO DE LAMPIÃO

Faleceu hoje o Senhor Manoel Dantas Loyola, que na época do cangaço, era conhecido como Candeeiro e foi um dos que sobreviveram ao massacre de Angicos. Pernambucano de Buíque,  ingressou no bando de Lampião em 1937, mas afirma que foi por acidente. Trabalhava em uma fazenda em Alagoas quando um grupo de homens ligados ao famoso bandido chegou ao local. Pouco tempo depois, a propriedade ficou cercada por uma volante e ele preferiu seguir com os bandidos para não ser morto. 
 
Com 98 anos de idade, Manoel Dantas Loyola vivia como comerciante aposentado na vila São Domingos, distrito de sua cidade natal, onde atendia também pelo apelido de "Seu Né". 
 
O Sepultamento será hoje às 16h, na Vila São Domingos.

Faleceu o Senhor Manoel Dantas Loyola, que na época do cangaço, era conhecido como Candeeiro e foi um dos que sobreviveram ao massacre de Angicos. Pernambucano de Buíque, ingressou no bando de Lampião em 1937, mas afirma que foi por acidente. Trabalhava em uma fazenda em Alagoas quando um grupo de homens ligados ao famoso bandido chegou ao local. Pouco tempo depois, a propriedade ficou cercada por uma volante e ele preferiu seguir com os bandidos para não ser morto.

Com 98 anos de idade, Manoel Dantas Loyola vivia como comerciante aposentado na vila São Domingos, distrito de sua cidade natal, onde atendia também pelo apelido de "Seu Né". 

LUTO! Morre aos 84 anos Djalma Santos, o maior lateral-direito da historia do Palmeiras.

Foto: LUTO! Morre aos 84 anos Djalma Santos, o maior lateral-direito da historia do Palmeiras.



Esta reportagem saiu na TV Globo (programa: Espaço Pernambuco), em dois blocos, no dia 20.07.2013. Foi transmitido para todo o Estado de Pernambuco.

http://g1.globo.com/videos/pernambuco/espaco-pe/t/edicoes/v/1o-bloco-espaco-pernambuco-mostra-o-trabalho-do-padre-airton-freire/2704855/

Mostra Sesc de Literatura Contemporânea destaca palavra dita pelo autor 
O projeto acontece de 23 a 28 de julho no Sesc Santa Rita e na Livraria Cultura  
“Era uma vez a palavra” é o tema da IV Mostra Sesc de Literatura Contemporânea, que acontece de 23 a 28 de julho no Laboratório de Autoria Literária Ascenso Ferreira e no auditório da Livraria Cultura do Paço Alfândega. Atividades de formação de escritores e leitores são o foco do evento realizado pelo Sesc Pernambuco. 
 
A novidade desta Mostra é o convite a alguns autores para uma leitura dos seus próprios textos. Na programação, estão Marina Colasanti (RJ), Fabiano Calixto (PE/SP), Xico Sá (CE/SP) e Ronaldo Correia de Brito (CE/PE). A curadoria realizada por Cida Pedrosa e Sennor Ramos optou por esse formato de leitura com o objetivo de gerar uma comunicação direta e de troca entre autor e o público através da sua própria obra. 
 
“Alguns dos convidados virão só para ler. Já nas mesas, os autores irão trocar ideias com o público no que se refere aos processos criativos, às relações entre obra e vida, além de seus projetos em curso. Os autores irão dialogar sobre importância da palavra nas suas mais diversas formas: no romance, na crônica, no conto, na poesia”, planeja Cida Pedrosa. 
 
Para provocar esses diálogos sobre a palavra em tempos pós-modernos, participam também Raimundo Carrero (PE), Sidney Rocha (CE/PE), Maurício Melo Junior (PE/DF), Everardo Norões (CE/PE), Geraldo Holanda Cavalcanti (PE/RJ), Alexandre Furtado (PE), Marcelino Freire (PE/SP), Antônio Cícero (RJ) e Jomard Muniz de Brito (PE). 
 
Oficina Como em todas as Mostras produzidas pelo Laboratório de Autoria Literária Ascenso Ferreira, haverá uma oficina na mesma semana à tarde. Luiz Brás (SP) virá ao Recife para orientar uma oficina de prosa. O escritor, antes conhecido como Nelson de Oliveira, criou uma ficção para a própria vida quando percebeu que sua obra tinha se esgotado. Assim, nasceu Luiz Brás na cidade onírica de Cobra Norato (MS) e seu novo caminho na ficção científica. A oficina acontece de 23 a 26 de julho, das 14h Às 18h, no Sesc Santa Rita. 
 
Todas as atividades são gratuitas. 
 
SERVIÇO
Mostra Sesc de Literatura Contemporânea
 
23 a 28 de julho de 2013 
Laboratório de Autoria Ascenso Ferreira | Sesc Santa Rita 
Cais de Santa Rita, 156 - São José - Recife/PE 
Fone: (81) 3224-7577 | www.sescpe.com.br 
 
Livraria Cultura | Paço Alfândega 
Rua Madre de Deus, s/nº - Paço Alfândega - Recife/PE 
Fone: (81) 2102-4033 
 
PROGRAMAÇÃO
 
23 a 26/7 (terça a sexta) - Local: Laboratório de Autoria Literária Ascenso Ferreira 
14h às 18h | Oficina de Prosa, com Luiz Brás (SP). 
 
25/7 (quinta) - Local: Livraria Cultura 
19h 
Leitura: Marina Colasanti (RJ). 
Mesa: Raimundo Carrero (PE) e Sidney Rocha (CE/PE). Mediação de Maurício Melo Junior (PE/DF). 
 
26/7 (sexta) - Local: Livraria Cultura 
19h 
Leitura: Fabiano Calixto (PE/SP). 
Mesa: Everardo Norões (CE/PE) e Geraldo Holanda Cavalcanti (PE/RJ). Mediação de Alexandre Furtado (PE). 
 
27/7 (sábado) - Local: Livraria Cultura 
19h 
Leitura: Xico Sá (CE/SP). 
Mesa: Marcelino Freire (PE/SP) e Cida Pedrosa (PE). 
 
28/7 (domingo) - Local: Livraria Cultura 
19h 
Leitura: Ronaldo Correia de Brito (CE/PE). 
Mesa: Antônio Cícero (RJ). Mediação de Jomard Muniz de Brito (PE). 
 
Maiores informações: http://www.sesc-pe.com.br/hotsites/2013/literaturacontemporanea/index.php 




Dentro das ações comemorativas pelos seus 25 anos, o Grupo Totem visando compartilhar sua linguagem híbrida, ritualística, investigativa, que o grupo desenvolve durante sua trajetória, irá ministrar a oficina CORPO RITUAL, que tomará como base, o trabalho corporal, uma dos pilares de sua pesquisa continuada de linguagem, desenvolvida durante os seus 25 anos de atividades. Um corpo performático, através do qual ocorrem as emergências, os fluxos. Um corpo criador que procura rotas para a retomada de elementos cosmológicos, que busca materializar a metafísica através da performance, o ritual contemporâneo.

A primeira fase será vivenciada na Peligro, a segunda, de imersão, na Mata Atlântica.
A oficina culminará com a criação de trabalhos híbridos de performance e fotografia:"foto-performances".
Coordenação: Fred Nascimento e Lau Veríssimo
Ministrantes: Fred Nascimento, Gabi Cabral, Juliana Nardin, Lau Veríssimo, Tatiana Pedrosa e Taína Veríssimo.
Fotógrafos: Camilla Rocha, Elizabeth Leal, Elizabeth Moreira, Fernando Figueirôa e Renata Pires.

PERÍODO: dias 10, 17, 24 e 30 de agosto; dias 14 e 21 / setembro / 2013
HORÁRIO: 14:00 às 18:00
LOCAL: PELIGRO - Rua Dona Ada Vieira, 112, Casa Forte e Aldeia/Camaragibe (Mata Atlântica)
INVESTIMENTO: 150,00 via depósito bancário. Banco do Brasil, agência nº 3242-5 Conta nº 5020-2
Informações: e-mail grupototem@hotmail.com
(81) 87324678 (Taína); (81) 88679316 (Lau); 86393787 (Fred)


Agradecemos a divulgação


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