Junho acabou no sábado

José Nêumanne
A onda junina da raiva popular virou esgoto em que chafurdam ratos oportunistas e covardes
Em junho as multidões ocuparam as ruas das grandes cidades brasileiras, assustando os políticos governistas e surpreendendo os da oposição, acendendo o sinal de alerta do Poder Judiciário e dando à sociedade a ilusão de que o gigante tinha acordado e o monstro da opinião pública devoraria os inimigos do povo.
Tudo começou com uma manifestação contra o reajuste das tarifas dos transportes coletivos, que logo se tornou reclamação contra a péssima qualidade da mobilidade urbana. A classe média engrossou o caldo para gritar contra as óbvias mazelas de um Estado que arrecada muito para que os donos do poder fiquem com praticamente tudo, quase nada restando para a gestão decente dos serviços públicos. A corrupção prejudica todos os que não são corruptos e só beneficia ladrões e traficantes de drogas. Basta ver que, como publicou este jornal anteontem, a caça aos larápios totalizou 20,7% das missões desencadeadas pela Polícia Federal de janeiro a agosto deste ano nos Estados e em Brasília, enquanto ações contra o tráfico de drogas somam bem menos – 16,9% dos casos. A inflação atinge diretamente o bolso do pobre, a primeira vítima da péssima gestão pública em educação, saúde e segurança.
Agora, dois meses depois, percebe-se que quem confiou na revolução direta das ruas, ao contrário de Chapolim, não contava com a astúcia de quem domina as manhas do regime patrimonialista. Este, na prática, nunca se renova, desde os tempos da colônia, do Império, da República Velha, das ditaduras de Vargas e dos militares e dos interregnos democráticos que as substituíram.
Após algum tempo de mutismo, decerto provocado pela perplexidade da inexperiência, Dilma Rousseff convocou rede de televisão para, em seu estilo “balança, mas não cai”, tentar convencer seus críticos de que o povo queria dar-lhe e a seu partido instrumentos para não largarem o suculento bife do poder, deixando o osso da eterna oposição para os adversários: financiamento público de campanha, voto em lista, etc.
O Congresso Nacional, composto por macacos velhos mais espertos do que ela, adotou o sistema Vampeta de agir. O volante baiano definiu assim sua relação trabalhista com o clube de futebol mais popular do País: “O Flamengo fingia que nos pagava e nós fingíamos que jogávamos”. Deputados e senadores repetiram essa malandragem até que a falseta foi desmascarada na votação secreta em que os primeiros deram ao colega Natan Donadon (ex-PMDB-RO) ocupação inusitada de legislador-presidiário. Logo depois, o mesmo plenário inventou – no país onde há leis que vingam e outras, não – a norma aprovada para nunca valer, ao tornar abertas quaisquer votações em parlamentos.
Assim como se espantaram com a explosão de raiva da população contra as escolas de lata, os pacientes morrendo nas macas em corredores de hospitais públicos e outros flagelos nacionais e fingiram que nada tinham que ver com essas queixas, governantes, parlamentares e magistrados temeram o Dia da Pátria. Tratava-se do mais apropriado feriado, pensaram, para o monstro voltar às ruas e despertar o gigante adormecido em berço esplêndido. Mas junho acabou no sábado.
Como aconteceu muitas vezes na História e foi registrado com clareza e estilo por Karl Marx em O 18 Brumário de Luís Bonaparte, a onda da indignação de todos contra tudo se dissolveu num esgoto povoado pelos ratos oportunistas de sempre. O Executivo brinca de médico cubano, dando um dinheirinho aos tiranos Castro de Cuba e fingindo que com a caridade resolve os problemas perenes dos prontos-socorros sem penicilina, macas e gaze. O Legislativo abre uma sucursal no presídio, enquanto os petistas do governo distrital em Brasília têm de ser obstados por um juiz para não concluírem um puxadinho de luxo para mensaleiros condenados. E no Judiciário prima a lerdeza, em vez da justiça, como de hábito.
Das manifestações de junho sobrou o que há de pior: a destruição generalizada dos anarquistas mascarados, que deixaram no caminho seu rastro ofensivo de ódio, sem relação alguma com a ira defensiva popular; e a covardia dos gestores públicos, que preferem perder a autoridade a arriscar-se a perder a eleição. Nada foi feito para debelar a inflação, a corrupção e a péssima gestão pública em geral, principalmente no que toca a educação, saúde e segurança. Nenhum mecanismo institucional foi criado para favorecer o encurtamento da distância abissal entre o representante e o representado. E a Justiça permanece lerda e caolha, surda para quase todos e muito sensível aos melindres dos privilegiados que têm alguma proximidade com a toga.
O rescaldo negativo da bela manifestação popular, contudo, recende a matéria orgânica apodrecida. Nenhuma autoridade foi exercida para garantir que o cidadão comum se locomova em seu hábitat. Ao contrário, quaisquer grupelhos de gatos-pingados com uma palavra de ordem continuam a impedir o trânsito de ambulâncias em vias como a Paulista, em São Paulo, e a Rio Branco, no Rio, entre outras. Com a mesma estridência com que reclamam, com justiça, dos parlamentares escondidos sob o sigilo do voto, querem que mascarados sigam promovendo quebra-quebras nas ruas. Até o inefável baiano Caetano cobriu o rosto com uma camiseta em defesa desse direito e pedindo paz, equiparando os predadores vândalos a inocentes foliões de máscara nos blocos de sujos do carnaval.
Essa mixórdia resultou no triste Dia da Pátria de 2013. Com medo da violência, o povo ficou em casa, faltando aos protestos convocados nas redes sociais e aos desfiles da comemoração da Independência. Mas os grupelhos de vândalos deixaram sua marca nada simbólica por onde passaram, chamando a atenção geral para o pesadelo do monstro adormecido em catre mísero e para a perda da noção da data nacional – e um símbolo maligno destroçou um símbolo benigno.
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo na quarta-feira 11 de setembro de 2013).

CARLOS FERNANDO por ele MESMO

Olhando seus olhos me perco
No mesmo compasso poeira carreira
Areia do mar Olinda mandou me chamar
Seus olhos claros faróis
De perto te vejo aqui quase longe
Sou anjo avesso
A praça vazia
O palhaço sem graça
O prefeito sem voto
E o poeta sem nada
Sou anjo avesso
É um raio que rompe e traça
E a massa espanta a dor
Na primavera do som o sol
No meio de suas cores estou
Meu coração acelerou também partiu
Anjo avesso
Incendiando quem escapou do incêndio
Girando em espiral
Você sorrindo jogou aquela flor
E um bloco veloz feito um raio
Sou Tupã presente
Guerreiro sempre
Galhos de semente
Do algodão do pau-brasil
Da serpentina que coloriu
A vida e o meu coração de leão
Eu sou daqui mas vim de longe
Dando cambalhotas no ar
A vida na ponta dos dedos
E a felicidade sem nenhum segredo
Porque você foi ver o arco-íris
E não me chamou... e fale do arco do céu
Das cores no sol
Quero ver o amanhecer
Do ser do ser
Que a beleza total vem de dentro da gente.
INCONCLUSÕES:
Autor do mais belo e coletivo projeto – ASAS DA AMÉRICA – Carlos Fernando soube cultivar a rebeldia enquanto
delicadeza de Príncipe do Bem.
Mas nada foi facilitado demais.
Nem de menos. Nem por medo.
Seu diálogo com políticos convictos
foi herança lyrica do país de Caruaru.
Mitos em ritos de familiaridade.
Por isso recordemos A LIRA DO DELÍRIO, filme que soube TRANSformar em vida
a morte banal e (ab)surda.
Tempo folião sem determinismos.
Do TRANSregional da Pipoca Moderna à Constelação Valenciana.
O Músico e Maestro Geraldo Azevedo
sabendo de tudo, por todos e todas.
Caetanave em máscaras desafiadoras.
Tempo cidadão com O GOLPE NA ALMA.
A bricolagem acima é o mínimo que podemos
vislumbrar do coração celeste celestial
nos TRANSfigurando e ultrapassando.
Jomard Muniz de Britto
Recife, setembro de 2013

VEM AI A III MOSTRA PEDAGOGICA DA ETE, DIAS 8 E 9 DE OUTUBRO


José Mujica - Uruguai.

Dificil acreditar que existam polític
o
s deste naipe. Quem dera seja mesmo verdade e que tiv
 
é
ssemos aqui pelo menos alguns que pudessem segurar "a corja" do nosso país.
 
      
Eu não sou pobre! Pobres são aqueles que acreditam que eu sou pobre.
Tenho poucas coisas, é certo, as mínimas, mas apenas para ser rico. Quero ter tempo para dedicá-lo às coisas que me motivam.
Se tivesse muitas coisas, teria que me ocupar de resolvê-las e não poderia fazer o que eu realmente gosto.
Essa é a verdadeira liberdade, a austeridade, o consumir pouco. Vivo em uma pequena casa, para poder dedicar tempo ao que verdadeiramente aprecio.
Senão, teria que ter uma empregada e já teria
uma interventora dentro de casa. Se eu tivesse muitas coisas, teria que me dedicar a cuidar delas, para que não fossem levadas... Não, com três cômodos é suficiente. Passamos a vassoura, eu e a velha, e já se acabou. Então, temos tempo para o que realmente nos entusiasma. Verdadeiramente, não somos pobres!"
                     (José Mujica - Presidente do Uruguai)

QUEM É JOSÉ MUJICA?
Conhecido como "Pepe" Mujica, o atual Presidente do Uruguai recebe USD$12.500/mês (doze mil e quinhentos dólares mensais) por seu trabalho
à frente do país, mas doa 90% de seu salário, ou seja, vive com 1.250 dólares, cerca de R$2.538,00 reais ou ainda 25.824 pesos uruguaios. O restante do dinheiro ele distribui entre pequenas empresas e ONGs que trabalham com habitação.

"Esse dinheiro me basta e tem que bastar, porque há outros uruguaios que vivem com menos", diz o presidente Mujica.
Aos 77 anos, Mujica vive de forma simples, usando as mesmas roupas e desfrutando da companhia dos mesmos amigos de antes de chegar ao poder.
Além de sua casa, seu único patrimônio é um velho Volkswagen, cor celeste, avaliado em pouco mais de mil dólares. Como transporte oficial, usa apenas um Chevrolet Corsa. Sua esposa, a senadora Lucía Topolansky, também doa a maior parte de seus rendimentos.

A poucos quilômetros de Montevidéu, já saindo do asfalto, avista-se um campo de acelgas. Mais à frente, um carro da polícia e dois guardinhas: o
único sinal de que alguém importante vive na região. O morador ilustre é José Alberto Mujica Cordano, conhecido como Pepe Mujica, presidente do
Uruguai.
Perguntado sobre quem é esse Pepe Mujica, ele responde: "Um velholutador social, da década de 50, com muitas derrotas nas costas, que queria consertar o mundo e que, com o passar dos anos, ficou mais humilde e agora tenta consertar um pouquinho de alguma coisa".

Ainda jovem, Mujica se envolveu no MLN - Movimento de Libertação Nacional e ajudou a organizar os tupamaros, grupo guerrilheiro que lutou contra a ditadura. Foi preso pela ditadura militar e torturado.   "Primeiro, eu ficava feliz se me davam um colchão. Depois, vivi muito tempo em uma salinha estreita, e aprendi a caminhar por ela de ponta a ponta",lembra o presidente uruguaio. Dos 13 anos de cadeia, Mujica passou algum tempo em um prédio, no qual o antigo cárcere virou shopping. A área também abriga um hotel cinco estrelas. Ironia para um homem avesso ao consumo e ao luxo.
No bairro Prado, a paisagem é de casarões antigos, da velha aristocracia uruguaia. É onde está a residência Suarez y Reyes, destinada aos presidentes da República. Esse deveria ser o endereço de Pepe Mujica, mas ele nunca passou sequer uma noite no local. O palácio de arquitetura
francesa, de 1908, só é usado em reuniões de trabalho.

Mujica tem horror ao cerimonial e aos privilégios do cargo. Acha que presidente não tem que ter mais que os outros. "A casinha de teto de zinco é suficiente", diz ele. "Que tipo de intimidade eu teria em casa, com três ou quatro empregadas que andam por aí o tempo todo? Você acha que isso é vida?", questiona Mujica.
Gosta de animais, tem vários no sítio. Pepe Mujica conta que a cadela Manoela perdeu uma pata por acompanhá-lo no campo e que ela está com ele há 18 anos.
A vida simples não é mera figuração ou tentativa de construir uma imagem, seguindo orientações de um marqueteiro. Não, ela faz parte da própria formação de Mujica.

No dia 24 de maio de 2012, por ordem de Mujica, uma moradora de rua e seu filho foram instalados na residência presidencial, que ele não ocupa porque mora no sítio. Ela só saiu de lá quando surgiu vaga em uma instituição. Neste início de inverno, a casa e o Palácio Suarez y Reyes, onde só acontecem reuniões de governo, foram disponibilizadas por
Mujica para servir de abrigo a quem não tem um teto.
 Em julho de 2011, decidiu vender a residência de veraneio do governo, em Punta del Este, por 2,7 milhões de dólares. O banco estatal República a comprou e transformará a casa em escritórios e espaço cultural. Quanto ao dinheiro, será inteiramente investido - por ordem de Mujica, claro - na construção de moradias populares, além de financiar uma escola agrária na própria região do balneário.

O Uruguai ocupa o 36ª posição do ranking de EDUCAÇÃO da Unesco, enquanto o Brasil ocupa a 88ª posição. Já no ranking de DESENVOLVIMENTO
HUMANO, o Uruguai ocupa o 48º lugar, enquanto o Brasil ocupa o 84º lugar.
Enquanto isso no Brasil, políticos reclamam que recebem salários baixos para os cargos que exercem. QUE VERGONHA!!!

Mujica é um homem raro, nesses tempos de crise de valores morais e ética, dentre os políticos sul-americanos.
Compartilhem essa história, compartilhem mesmo! Os brasileiros têm que saber que existem  políticos de verdade, que trabalham em favor do povo, e não das suas contas bancárias!

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PARA COMPREENDER OS ATENTADOS? Jomard Muniz de Britto, jmb

Antes de tudo confirmar que nosso autor
de textos audiovisuais, com suas heranças
e errâncias no cinema superoitista, continua
exercitando-se nas zonas fronteiriças 
da prosa com a poesia, 
da crônica com a pop filosofia,
misturando gêneros e ousando perturbar 
as hierarquias entre "alta cultura" universitária 
e subterrâneos tropicalistas, na mídia e fora dela,
através de redes alternativas de comunicação.
Itinerário de "afinidades eletivas" que poderiam
até gerar uma quase enciclopédia de poemações
e filosofemas, lembranças de almanaque,
reflexões emotivas, cortes epistemológicos e
papos-cabeça em qualquer lugar.
Reunindo autores consagrados e outros ainda não,
ele vai praticando interferências, homenagens,
recortes e colagens verbais.
Nesse jogo de reconstruções linguísticas, quase
chega a definir um ideário, pensamento em processo.
Os leitores são, por sua vez, instigados a redescobrir
outros elos, encadeamentos, livres associações,
compromissos além da mera ou cara retórica.
Tudo prazerosamente na medida do possível.
Continua acreditando - sua utopia concreta? -
nas possibilidades do pluralismo 
estético-ideológico entre jovens de todas as idades
e contemporaneidades. Até quando?
Tudo girando em torno dos enigmas da poeticidade
e da democratização cultural.
Em todos eles, o senso de humor - mesmo sem
perder o sentimento trágico da existência - 
é sua nuclear motivação.
Diálogos com Paulo Freire & diferenciações.
Ironia amorosa e sarcasmo sem compaixão.
Atenção aos signos, ocultações, 
reverberações e superstições.
Antropoemia devorada pelos antropófagos
dos experimentalismos.
Nem a favor nem contra
as veias aortas do machonalismo.
Promessas de felicidade e 
catástrofes desafortunadas.
A letra e a voz sem esquecermos os gestos
fundacionais arcoverdejantes de
Pedro das Américas. Arrudiando o mundo.
Todos os solos. Todas as luzes e trevas.
Todos e todas no Grito dos Excluídos.
Recife, quase setembro 2013.
atentadospoeticos@yahoo.com.br 
                                        
 
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