sexta-feira, 31 de julho de 2015

LER POESIA É MAIS ÚTIL PARA O CÉREBRO QUE LIVROS DE AUTOAJUDA, DIZEM CIENTISTAS

Você já podia imaginar, mas agora está evidenciado cientificamente: ler poesia pode ser mais eficaz em tratamentos psicológicos do que livros de autoajuda. E mais: textos de escritores clássicos como Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot, mesmo quando de difícil compreensão, estimulam a atividade cerebral de modo muito mais profundo e duradouro do que textos mais simples e coloquiais.Um texto já publicado pela agência EFE, mas que poderia ser revisto, afinal estamos comentando sobre a velha história da análise crítica sobre Literatura tida como de qualidade e a Literatura tida como de entretenimento, e mais, auto-ajuda: a leitura de obras clássicas estimula a atividade cerebral e ainda pode ajudar pessoas com problemas emocionais, diz estudo.


      Ler autores clássicos, como Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot, estimula a mente e a poesia pode ser mais eficaz em tratamentos do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool.Especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa da universidade monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários que leram primeiro trechos de textos clássicos e depois essas mesmas passagens traduzidas para a "linguagem coloquial".Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico "Daily Telegraph", mostram que a atividade do cérebro "dispara" quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano.Esses estímulos se mantêm durante um tempo, potencializando a atenção do indivíduo, segundo o estudo, que utilizou textos de autores ingleses como Henry Vaughan, John Donne, Elizabeth Barrett Browning e Philip Larkin. 
Os especialistas descobriram que a poesia "é mais útil que os livros de autoajuda", já que afeta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas as lembranças autobiográficas, e ajuda a refletir sobre eles e entendê-los desde outra perspectiva.
"A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças", explica o professor David, encarregado de apresentar o estudo.Após o descobrimento, os especialistas buscam agora compreender como afetaram a atividade cerebral as contínuas revisões de alguns clássicos da literatura para adaptá-los à linguagem atual, caso das obras de Charles Dickens.



MARCELO VINICIUS

“Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos” (Ansel Adams)..


quinta-feira, 23 de julho de 2015

IN MEMORIAN (RICARDO LARANJEIRA)


SERTÂNIA PERDE MAIS UM DOS SEUS GRANDES ARTISTAS, ATOR, MAQUIADOR,ETC. ALÉM DO GRANDE SER HUMANO, FALECEU EM RECIFE NOSSO AMIGO RICARDO LARANJEIRA, NESTA MADRUGADA... ETERNAS SAUDADES...

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Experimentalismo dos Secos & Molhados...

Em um futuro  próximo, jovens ouvintes vão ficar incrédulos: mas, sim, houve um tempo em que lançar um disco era um conceito mais amplo do que apenas listar arquivos digitais comprimidos. Havia um tema, um nome e uma capa. Estampada em um pedaço de papelão de 12 polegadas, a imagem era a síntese de uma obra. "É a vida que produz a arte. E a capa tem que fazer o sujeito entender e se interessar pelo o que vai ver ou ouvir", explica o artista gráfico Elifas Andreato, autor de tantos cartazes de filmes e capas de discos que não cabem na prateleira. Há 40 anos, o vinil era a principal forma de se ouvir música e, embora a censura da ditadura ainda quisesse calar, histórias de relacionamentos, de intimidade e de experimentos rendiam discos históricos e alegorias para as vitrines das lojas. "Até 1973, as capas eram feitas diante das convicções das gravadoras. Eram eles que escolhiam a arte", conta Elifas. Não à toa, em uma pesquisa sobre as melhores capas de discos brasileiros, feita em 2001 pelo jornal "Folha de S. Paulo", cinco trabalhos de 1973 apareceram no top 10. 
Secos & Molhados e decepados. Lembrado até hoje como um dos maiores discos brasileiros (com a melhor capa, segundo a "Folha"), o álbum de estreia do Secos & Molhados foi gravado com um objetivo claro na cabeça: "Ser o 'Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band'' (disco dos Beatles, de 1967)", conta um dos fundadores da banda, João Ricardo, ao UOL. "Qualquer um que fizesse um disco, almejava uma obra-prima. Agora, nunca pensei que se tornaria o que se tornou. A maneira de como tocou as pessoas continua me surpreendendo até hoje".A força musical do disco foi realmente revolucionária. "Secos & Molhados" vendeu rios de cópias e encheu estádios com uma facilidade de um ídolo teen de hoje. Ney Matogrosso, provocativo, já rebolava ao som de "O Vira" e "Mulher Barriguda", sob os olhos atentos da ditadura. Um fenômeno que, de certa forma, começava pela sua capa anárquica: com as cabeças dos integrantes degoladas, servidas à mesa, como um banquete. "As maquiagens praticamente surgiram dessa foto. Nos shows já fazíamos pinturas leves, mas a definição veio ali", revela João.
A ideia surgiu do fotógrafo Antonio Carlos Rodrigues, que trabalhava com o músico no jornal "Última Hora". João revela o truque: "Tivemos que furar um compensado, colocado entre dois cavaletes, para colocarmos as cabeças. Ficávamos sentados em tijolos para mantermos a mesma altura. Antes fui com o Gerson (Conrad) comprar os alimentos no único supermercado aberto à noite. Foi cansativo mesmo", mas valeu um dos melhores discos de todos os tempos em nossa tão extinta de qualidade MPB.
( Veja o álbum completo no you tube) https://www.youtube.com/watch?v=xpqbbmJ42yU

Coluna da jornalista Sheila Raposo: O que a história nos conta...

Quase sesquicentenária, ela atende pelo codinome de princesa. Bonita e festeira, tem corpo de veias largas e espaçosas, por onde trafegam gentes, bichos e toda sorte de veículos, motorizados ou não. Erguida às margens do Rio Paraíba – que quase nunca é rio, mas leito esperançoso –, ela foi traçada pelas mãos de fazendeiros de gado e ganhou corpo com a ação de plantadores de algodão e sisal, comerciantes, criadores de ovelhas e cabras, trabalhadores autônomos, rendeiras, funcionários públicos, artistas e estudantes.

Essa senhora, que no dia 28 de junho completou 143 anos, é a cidade de Monteiro, pequena e poética urbe do Cariri paraibano. O nome, antes de se referir a algum acidente topográfico ou aos antigos guardas das matas portuguesas, é uma homenagem ao seu fundador, Manoel Monteiro do Nascimento, que ali fincou seus mourões, em finais do século XVIII. De povoado a vila, de vila a distrito e daí a município, em 1872.
De Manoel Monteiro, a cidade herdou o nome e a devoção a Nossa Senhora das Dores. Nada mais. Não se sabe, depois disso, para onde ele foi, e por que foi. Não se sabe se deixou  descendentes. Também não há vestígios da casa onde viveu – nem mesmo a capelinha dedicada à Virgem, a partir da qual teve início a devoção que consagrou a santa como padroeira do município, sobreviveu ao tempo.Hoje, Monteiro se espicha, a passos largos, por terras que há pouco tempo eram roçados e pastos. Universidade, ovino caprinocultura, Instituto Federal, artistas ligados ao forró, órgãos federais, comércio diversificado – a cidade cresce. Pelos lados e também para cima, com “puxadinhos” verticais que destoam no cenário onde antes se via um belo e harmonioso conjunto arquitetônico.O centro da cidade, até os anos 1990, era tomado por casas de planta baixa, com portas e janelas abertas para as ruas, fachadas azulejadas e calçadas convidativas. Construídas entre o século XIX e meados do século XX, essas casas, aos poucos, vêm sendo demolidas para dar lugar a projetos sem personalidade, cobertos de cerâmica e desnudos de estilo.Como chamar de princesa uma cidade que não preserva a sua história? Princesa é um título nobre, e nobreza tem tudo a ver com tradição. Ao perder sua memória arquitetônica, a princesa fica cada dia mais plebeia. Com o tempo, e o desprezo dos seus, a Monteiro que mantinha o seu casario preservado perde os ares de alteza. Uma pena. Crescer não deveria ser sinônimo de apagar o passado, e desenvolvimento não deveria rimar com amnésia cultural.
       Imagine como a humanidade teria perdido se ainda hoje não pudesse admirar, pessoalmente, monumentos como as pirâmides do Egito e a Acrópole de Atenas, na Grécia; sítios arqueológicos como o de Angkor, no Camboja; ou cidadelas como a inca Machu Picchu, no Peru? Ou, falando especificamente de cidades vivas, onde as pessoas moram, trabalham, estudam ou apenas visitam, imagine como ficariam sem graça os passeios pelas cidades europeias se os europeus não tivessem preservado seus centros históricos e suas cidades muradas? E nem precisamos nos afastar tanto, basta ir a Olinda, Ouro Preto, Paraty, Tiradentes, Petrópolis… Aqui mesmo, no Brasil, vemos exemplos de cidades que mantiveram seus cascos históricos preservados e continuaram crescendo e se desenvolvendo, apesar de tudo!
Bons exemplos devem ser seguidos, sempre. Nenhum país ou cidade deixou de se desenvolver ao conservar seus prédios, ruas, praças e monumentos. O passado faz parte do presente e nos orienta em relação ao futuro.
Monteiro cresce, e isso é bom. O que entristece é que, quanto maior, mais desmemoriada ela fica. Pobre princesa…
 COLUNA DA JORNALISTA SHEILA RAPOSO: O QUE A HISTÓRIA NOS CONTA/ — 21 de julho de 2015.

sábado, 18 de julho de 2015

ANÁLISE DO POEMA HORAS VIVAS, DE MACHADO DE ASSIS: APROXIMAÇÕES COM O ROMANTISMO

Abaixo, o poema Horas Vivas, de Machado de Assis:
Noite: abrem-se as flores... Que esplendores! Cíntia sonha amores Pelo céu. Tênues as neblinas Às campinas Descem das colinas, Como um véu.
Mãos em mãos travadas, Animadas, Vão aquelas fadas Pelo ar; Soltos os cabelos, Em novelos, Puros, louros, belos, A voar.
— “Homem, nos teus dias Que agonias, Sonhos, utopias, Ambições; Vivas e fagueiras, As primeiras, Como as derradeiras Ilusões!
— Quantas, quantas vidas Vão perdidas, Pombas mal feridas Pelo mal!
Anos após anos, Tão insanos, Vêm os desenganos Afinal.
— “Dorme: se os pesares Repousares, Vês? – por estes ares Vamos rir; Mortas, não; festivas, E lascivas, Somos – horas vivas De dormir!” –

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·         Poema leve, de estrutura diversa, quase cantarolante, encerra, contudo, a discussão acerca de duas categorias implícitas sobre o conceito de Romantismo: a psicológica e a histórica. Assevera J. Guinsburg, na obra O Romantismo: "A categoria psicológica do Romantismo é o sentimento como objeto da ação interior do sujeito, que excede a condição de simples estado afetivo: a intimidade, a espiritualidade e a aspiração ao infinito, na interpretação tardia de Baudelaire. (...) A primazia da vertente alemã (de 1796 em diante), a primeira a empregar, numa conotação crítica e histórica, a palavra ‘romântico’, e que selaria a fortuna teórica desse termo, o qual passou desde então a significar um estado de poesia e uma atitude em relação à literatura, resultou de uma ascendência intelectual; pois que ligada ao classicismo de Weimar (Goethe e Schiller), e particularmente sensibilizada pela problemática schilleriana da poesia ingênua dos antigos e da poesia sentimental dos modernos, a escola germânica nasceu no clima universitário estimulante de Iena, de uma geração posterior ao Sturm und Drang, ao mesmo tempo que o idealismo pós-kantiano".
·         Esse momento do poema – a aspiração ao infinito – afilia-o ao Romantismo à Casimiro de Abreu, em especial no poema Assim, a seguir posto:
·         Viste o lírio da campina? Lá s'inclina E murcho no hastil pendeu! - Viste o lírio da campina? Pois, divina, Como o lírio assim sou eu! Nunca ouviste a voz da flauta, A dor do nauta Suspirando no alto mar? - Nunca ouviste a voz da flauta? Como o nauta É tão triste o meu cantar! Não viste a rola sem ninho No caminho Gemendo, se a noite vem? - Não viste a rola sem ninho? Pois, anjinho,
·         Assim eu gemo, também! Não viste a barca perdida, Sacudida Nas asas dalgum tufão? - Não viste a barca fendida? Pois querida Assim vai meu coração!
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Em ambos os versos – de Machado e de Casimiro – assiste-se à quebra da relação clássica entre natureza e eu, no que concerne ao fato de que, no Classicismo, as leis gerais da natureza se imiscuíram na regência de toda a vida humana. Isto é, havia uma maneira peculiar de comunicação entre os mundos exterior e interior do homem, promovendo um achatamento do sujeito, “encaixado como sujeito universal do conhecimento, a uma Natureza cuja ordem e cuja regularidade se prolongam na ordem e na regularidade dos discursos científico, religioso, estético, jurídico e político do século XVIII (Guinsburg, 1988).
O princípio romântico intenta, por conseguinte, romper essa similitude de regularidades, por meio do rompimento das características imutáveis dadas pelo Classicismo aos elementos constituintes do Universo. No poema machadiano, o substantivo Noite se encontra personalizado tal qual uma mulher presente na primeira estrofe – Cíntia – ressurgindo o antigo simbolismo de deificação do elemento noturno:
"Para os gregos, a noite (nyx) era a filha do Caos e a mãe do Céu (Urano) e da Terra (Gaia). Ela engendrou também o sono e a morte, os sonhos e as angústias, a ternura e o engano. As noites eram frequentemente prolongadas segundo a vontade dos deuses, que paravam o Sol e a Lua, a fim de melhor realizarem suas proezas. A noite percorre o céu envolta num véu sombrio, sobre um carro atrelado com quatro cavalos pretos, seguida do cortejo de suas filhas, as Fúrias, as Parcas. Imola-se a esta divindade ctônica uma ovelha negra (Chevalier, 2012)".
A segunda estrofe é o enlace pueril dos casais apaixonados – “Mãos em mãos travadas/Animadas,/Vão aquelas fadas/Pelo ar;/Soltos os cabelos,/Em novelos,/Puros, louros, belos,/A voar”. Aproxima-se do lirismo de Casimiro, no tocante à presença do tom infantil nas ações, totalmente desprovidas de conteúdo sensual.
Similar ao poema de Casimiro exposto acima, a terceira estrofe discorre sobre as agruras do destino do homem. Mais uma vez, a circunspecção do tema não resvala para o niilismo tão caro a Machado tampouco para os devaneios ególatras da segunda geração romântica, o afamado Mal do Século. Às agonias contrapõem-se os sonhos e as utopias, ainda que tais elementos não sejam suficientes para sanar os percalços: sonhos e utopias se esfumaçam com o passar do tempo. Os poetas, no entanto, dirimem a gravidade disso. Na quarta estrofe, as vidas perdidas pelo desengano são comparadas a pombas malferidas. A simbologia da pomba submete-se a um vigoroso sentimento religioso. No Novo Testamento, a pomba representa o Espírito Santo, um dos elementos da Santíssima Trindade. Na mitologia grega, a pomba era a ave que Afrodite trazia próxima a si e espelha a realização amorosa que o amante oferta ao objeto de desejo. Pureza e desejo são as linhas de tensão presentes na pomba; o poema, porém, não alude ao quinhão sensual, visto que os adjetivos elencados carecem desse apelo: vivas, fagueiras, louros, puros. O poema se fecha valorizando o sono como saída para os óbices da vida, retomando a figuração da função onírica como espaço para a expressão ou a realização de um desejo reprimido, na visão freudiana.
Machado aspira, nesta estrofe, à valorização do sono como um anseio de retomada de um estado puro anterior e dota o ato de dormir com componente ativo, chamando-o de horas vivas.

GILMAR LUÍS SILVA JÚNIOR

Uma criatura hiperativa, que teme procurar ajuda médica com receio de ser internado...
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quinta-feira, 16 de julho de 2015

MARX & NIETZSCHE CONTRA DEUS

O breve dialogo travado sobre o argumento de Karl Marx como definição de religião é discutido sob uma óptica da realidade, como surge a religião e pra que nos deveria servir que não regulamentador moral da sociedade ante uma anti-religião.

"A religião é a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma popular, o seu point d’honneur espiritualista, o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu complemento solene, a sua base geral de consolação e de justificação. É a realização fantástica da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. Por conseguinte, a luta contra a religião é, indiretamente, a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião. A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo. A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que abandonem as ilusões a respeito da sua condição é o apelo para abandonarem uma condição que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, o germe da crítica do vale de lágrimas, do qual a religião é a auréola. A crítica arrancou as flores imaginárias dos grilhões, não para que o homem os suporte sem fantasias ou consolo, mas para que lance fora os grilhões e a flor viva brote." Karl Marx, 1844
Não é possível resumir numa só definição sintética a religião, talvez mal sintética há, pois é a busca por uma, una. De seu radical etimológico 'religar' ao que não é conexo, denota um nexo, ou seja, buscar ter sentido, mas que sob forma minimalista seria crença no que não se vê ou se prova, de modo que até mesmo vejo ateus religiosos por ai, ao afirmarem que creem na inexistência de Deus sem mostrar-me seu atestado de óbito, como Nietzsche declarou. Hoax, pergunto-los? Pois é a religião a pergunta dos homens a Deus, a busca do 'porque'. Mas a religião, mais que sintética é sintomática, não habita em templos, mas em corações. A linha tênue entre a espiritualidade e religião é que a religião está pra legião de crentes e espiritualidade para o individuo numa jornada singular e individual pelo inefável. A religião nasceu paras as massas.
Escrevi para Nietzsche mas ouvi o eco de minha voz no abismo que pregou e não para de me encarar, Nietzsche, está morto gritou meu eco! Nietzsche não me responderá, cartas de volta ao remetente. Suas marteladas lhe atingira o cérebro pra nunca mais pensar. Mas ouço seus ecos como de um super-homem da ignorância travestida com palavras de garbo, emprumou seu navio ao abismo e nunca mas voltou a não ser isso, o vazio que ecoou. Não conheça o conhecimento, diz seu conhecimento a ignorar. Oh ignorância, tu és meu conhecimento e o abismo o seu lar. Eis o super contra-senso! Grita e martela a tudo desabar! É um buraco, proclama intuitivamente, tudo a de ser um buraco e super-homem a força da ignorância. Ignoremos o conhecimento da verdade! Não, ignoremos o ignorar. As cartas devolvidas para Nietzsche são seu atestado de óbito moral. voltei a genealogia da ignorância e da imoralidade, e de fato, tudo que encontrei foi o abismo e no fundo um martelo caído. A magnus opus de Nietzsche é também seu túmulo.



O espiritual é subjetivo por isso a de emergir tantos conflitos entre religiões, e sua busca por inviável sincretização seria mais explosiva que sua abolição. A espiritualidade é uma língua do homem para conhecer a si mesmo através do inominável, o instrumento é a fé, o objetivo é o etéreo ante a pergunta da "mortabilidade" humana, o homem busca em Deus se imortalizar como aqueles que buscam na verdade o significado. Certamente a diferença essencial entre o ser humano e os demais animais seja a espiritualidade que nos remete a um estudo de seus mitos a lá antropologia

Sou nisso espiritualista, pois creio em 'religar', mas a um Topo Uranos donde o Ethos manifesta quer no individuo ou coletivo. A diferença assim é fractal escalar, mas como fratura, partido ou secta segue o caminho da experiência individual e por isso imensurável onde diverge da ciência, então. De fato vejo que os mitos e religiões mesclam-se no mesmo panteão como conduto e que por relação não somente filosófica não podemos falar de ética sem espiritualidade, pois somente os que possuem alma (psiquê) o detém. Richard Dawkins acerta ao alvo parcialmente, pois alguns fazem mitos de religião e outros religião de mitos, mas toda ela(s) não passa de metafísica e consequentemente em simultaneidade como pai da filosofia, pois a de ter fé somente quem duvidou um dia.

Sendo assim Marx fora deveras superficial, pois a religião exala apenas no limiar de horizonte da realidade, há o abaixo e o superior, este último ético e de milagres, pois o horizonte é o natural e acima dele o sobrenatural, mas quantos homens tem asas para visita-lo? Deus está para além por-do-sol, no horizonte terrestre do apenas visível e por isso não o vemos, é preciso asas, mas o dia que isso acontecer, a de sermos anjos!

GERSON AVILLEZ

Homo Kaber Viven, natural do Rio de Janeiro. Hominídeo bípede de hábitos onívoros e graduando teologia. A pedra no rim do capeta, o dragão na garagem dos pseudos, a pulga atrás da orelha de Nietzsche, o calo nos pés do mau vidente. Conservador moderado de direita com tendências anarcopacifistas como crítica à corrupção e abusos de poder, e asperger por natureza. Autor de 37 livros até 2014 de Corpus Ad Ventus sua Magnus Opus. Membro de uma ilustre família em Portugal do qual tem acendentes famosos e descentes históricos como Conde Jorge de Avillez.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Dia Mundial do Rock


            O dia 13 de julho é conhecido no Brasil como Dia Mundial do Rock. A data celebra anualmente o rock e foi escolhida em homenagem ao Live Aid, megaevento que aconteceu nesse dia em 1985. A celebração é uma referência a um desejo expressado por Phil Collins, participante do evento, que gostaria que aquele fosse considerado o "dia mundial do rock". O evento também ficou conhecido por contar com grandes artistas do gênero, como Paul McCartneyMick JaggerKeith RichardsRonnie WoodElton JohnQueen,David BowieU2 entre outros.

E o Rock ficou cada vez mais Popular, principalmente por causa desses quatro Cavaleiros do Após-Calypso, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison no Brasil a Jovem Guarda, O Tropicalismo e Raul Seixas e os anos 80, difundiram o melhor do Rock Nacional Tupinikin...

Flávio Magalhães

domingo, 12 de julho de 2015

A ETE É CAMPEÃ DA ETAPA REGIONAL DOS JOGOS ESCOLARES... 2015

É Campeã!: Escola Técnica vence etapa regional dos Jogos Escolares

Depois do conquistar o quinto título consecutivo nos Jogos Escolares de Sertânia, a equipe de Futsal Infantil Feminino da Escola Técnica Estadual Arlindo Ferreira dos Santos, sagrou-se campeã da etapa regional dos Jogos Escolares. A equipe da ETE chegou invicta na final e venceu o time da escola Carlos Rios por 3x2.

Com o título, a ETE garantiu vaga para representar a GRE de Arcoverde na etapa estadual que ocorrerá em Recife ou Petrolina.


sábado, 11 de julho de 2015

REALIDADE EDUCACIONAL EM PRETO E BRANCO

Pequena reflexão sobre a ineficácia de nossas escolas no processo de formação de leitores.
Notícia publicada em meados do mês passado chamou minha atenção.http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=82384), pois a mesma relata que dois livros de colorir da editora Sextante estavam próximos de atingir a marca de um milhão de exemplares vendidos. Nada contra o livro de colorir e seus adeptos, o que me intrigou foi o fato de, num país de não leitores, de mais de cinquenta milhões de analfabetos totais e funcionais segundo dados do Instituto Paulo Montenegro publicados em 2012

(http://www.ipm.org.br/ptbr/programas/inaf/relatoriosinafbrasil/Paginas/inaf2011_2012.aspx) justamente um livro sem palavras vender tanto.


           O problema não é o livro e quem o compra mas sim nossas escolas e suas imensas dificuldades de formar leitores. O cerne da questão é a falta de políticas públicas eficientes para construir e manter uma instituição escolar que atenda às reais necessidades da população. Os números são emblemáticos, todos eles, desde os que mostram os não alfabetizados até a quantidade de livros vendidos, eles servem para nos alertar que a educação está em crise, há tempos, e que nada parece ser feito para mudar isso. Num país cujo lema é “Pátria Educadora” é preciso rever métodos e prioridades se realmente se quiser fazer algo que vise construir uma sociedade melhor, mais justa, menos violenta e menos corrupta. Enquanto os noticiários sofrem uma enxurrada de opiniões sobre maioridade penal, em que se discute se deve-se ou não prender e punir adolescentes criminosos a escola parece nem existir, sendo pouco citada e não aparecendo sequer como uma opção para a diminuição da violência. Pois seria muito mais interessante pensar, refletir e debater se, no lugar de prender um menor infrator, houvesse para ele uma escola decente, que se propusesse a oferecer a ele a oportunidade de se construir enquanto cidadão. Não seria preciso prender se estes menores estivessem na escola. Já no século XIX o escritor francês Victor Hugo dizia que quem abre uma escola fecha uma prisão. 



(Retirado de: http://www.juniao.com.br/mais-educacao-menos-prisao-dona-isaura-educacao-prisao/)

        Penso que enquanto a escola servir, em muitos casos, como depósito de crianças e adolescentes, que vão “estudar” porque não podem ficar em casa sozinhos ou pelo risco da família ser denunciada ao conselho tutelar, que enquanto a mesma escola se mantiver com sua estrutura semelhante a um presídio, no que diz respeito à organização do seu espaço físico, em sua organização hierárquica, com seus sistemas de vigilância e punição (quem quiser é só ler Vigiar e Punir do Michel Focault para ver como isso se dá na prática), dificilmente as coisas vão mudar e, infelizmente, continuaremos a perder tempo discutindo em vão questões que não são as mais relevantes e que não efetivarão mudanças significativas. Enquanto isso, como dizem desde o ano passado alguns comentaristas esportivos sobre a falência do futebol brasileiro, gol da Alemanha!


25 ANOS SEM CAZUZA...O TEMPO NÃO PÁRA...


domingo, 5 de julho de 2015

“QUEM FOI TEMPERAR O CHORO E ACABOU SALGANDO O PRANTO? ” LEANDRO GOMES DE BARROS – 150 ANOS DE POESIA

Num tempo de estranhezas, esquecimentos e instantaneidades, a poética de Leandro Gomes de Barros, desprovida da erudição acadêmica, assume o pódio que lhe é de direito, nos revelando a essência de um Brasil puro e verdadeiro.

De tempos em tempos somos surpreendidos por uma explosão de vida. Sem nos darmos conta, uma aparece e nos encanta, arrebata, congela todo o conhecimento outrora adquirido, e só pensamos naquela música, soneto, pintura, um acorde de violino ou o rasgo de uma gaita. Anoitecemos e amanhecemos com aquilo na cabeça. Temos até medo de adentrarmos nela para conhece-la melhor, participar, olhar de mansinho sobre o privilégio de ser só o que é: grande! Leandro Gomes de Barros é vida! Este homem, que viveu na peregrinação e pousos da escrita popular é hoje considerado o mais notável e importante entre os poetas. Nasceu em 1865, no dia 19 de novembro, na cidade de Pombal, sertão paraibano. Aos dez anos começou a escrever e foi o pioneiro na escrita e edição de histórias em folhetos. Escreveu, editou, publicou, distribuiu e vendeu sua própria produção. Teve sua própria tipografia. Muitos foram as autoridades das letras e da história que falaram sobre ele. Câmara Cascudo escreveu: “ Viveu exclusivamente de escrever versos populares, inventando desafios entre cantadores, arquitetando romances, narrando as aventuras de Antônio Silvino, comentando fatos, fazendo sátiras. Fecundo e sempre novo, original e espirituoso, é o responsável por 80% da glória dos cantadores atuais” – Vaqueiros e Cantadores – Ed. De Ouro. Seu espólio literário foi vendido e muitos usaram de sua poesia e o plagiaram. Alguns se apropriaram de seus versos a ponto de mudarem o acróstico do fim da história. Foi o primeiro poeta a lutar por direitos autorais no Brasil. 
      Em 1976, Carlos Drummond de Andrade publicou no Jornal do Brasil na edição do dia 9 de setembro: “Em 1913, certamente mal informados, 39 escritores, num total de 173, elegeram por maioria relativa Olavo Bilac príncipe dos poetas brasileiros. Atribuo o resultado a má informação porque o título, a ser concedido, só poderia caber a Leandro Gomes de Barros, nome desconhecido no Rio de Janeiro, local da eleição promovida pela revista FON-FON, mas vastamente popular no Nordeste do País, onde suas obras alcançaram divulgação jamais sonhada pelo autor de “Ouvir Estrelas”. ... E aqui desfaço a perplexidade que algum leitor não familiarizado com o assunto estará sentindo ao ver defrontados os nomes de Olavo Bilac e Leandro Gomes de Barros. Um é poeta erudito, produto da cultura urbana e burguesa média; o outro, planta sertaneja vicejando à margem do cangaço, da seca e da pobreza. Aquele tinha livros admirados nas rodas sociais, e os salões o recebiam com flores. Este, espalhava seus versos em folhetos de cordel, de papel ordinário, com xilogravuras toscas, vendidas nas feiras a um público de alpercatas ou de pé no chão.

... Não foi príncipe de poetas do asfalto, mas foi no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro. ” Bebeu na fonte do poeta ninguém menos que Ariano Suassuna, que no Auto da Compadecida expõe o cavalo que defecava dinheiro. Suassuna o trata de filósofo numa de suas últimas entrevistas em que o repórter pergunta de sua crença ou não em Deus. “ – Eu estaria lascado! se não acreditasse em Deus”. Disse o escritor ao recitar um ícone da coletânea de Leandro: “Por que Existem o Mal e o Sofrimento Humano? Se eu conversasse com Deus/ Iria lhe perguntar:/ Por que é que sofremos tanto/ Quando se chega pra cá? / Perguntaria também/ Como é que ele é feito/ Que não dorme, que não come/ E assim vive satisfeito. / Por que é que ele não fez? A gente do mesmo jeito? Por que existem uns felizes/ E outros que sofrem tanto? / Nascemos do mesmo jeito, / Vivemos no mesmo canto. / Quem foi temperar o choro/ E acabou salgando o pranto? ”
Leandro Gomes de Barros é patrono da cadeira número um da ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL. Encontrou a sua grande e única certeza irremediável no dia 4 de março de 1918, em Recife.
Neste ano 2015 celebramos os 150 anos de nascimento do poeta.

ANGELO RAFAEL

Artista Plástico, Designer e neo Escritor. Autor dos livros "Os Homens do Couro - memórias poéticas de um ofício" e "A Casa das Bocas Pintadas de Encarnado". Atualmente está Diretor do Museu Assis Chateaubriand da Universidade Estadual da Paraíba em Campina Grande, PB..



quarta-feira, 1 de julho de 2015

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