SAGARANNA UMA DAS GRANDES ATRAÇÕES NO PALCO DO SESC-FLIS
e Sagaranna de Recife; mostraram qualidade da música Pernambucana...
DESEJO de VOAR ou RINALDO por ELE MESMO
Entre o ser
humano e a pedra cotidiana
é preciso e
urgentíssimo reinventar a
poeticidade
sem fronteiras. Com os pés
no chão da
artevida os desafios
das linguagens
intervisuais: desenho,
pintura,
gravura, escultura, cerâmica.
Dialogismo das
artes expandidas.
DESEJO DE VOAR
que atravessa, percorre
e transfigura
mitologias da Grécia para
Toritama,
perpassando os NÓS de nossa
historicidade.
Ninguém ousaria replicar
influências que
se transmutam:
do muralismo
mexicano aos cordeis
de J. Borges.
O voo de Ícaro redescobrindo
correntezas e
labirintos de João Cabral,
Samico,
Picasso, Miró...
Transe por
diferenciações.
Eles sempre
souberam voar com os pés
no território
de carências e vontades.
O artista se
condensa no tempo: antes e
agora. Sujeito
singular de pluralidades.
Não deseja
ocultar-se em Brasília:
- “Eu vi,
porque fui pra lá”. Coragem.
Sua visão
entre abismos imaginários:
- “O olhar
contorcido pela úmida razão”.
Jamais
iludir-se com a fogueira dos
racionalismos
explicativos. Dominadores.
Por todos NÓS
que raramente conseguimos
escapar do
império dos sentidos e outros
devaneios
narcisistas persistentes.
Nosso RINALDO
continua apostando no
EX-PERI-MENTAL
sem dono nem propriedade,
desdobrando-se
de olhos abertos para
os mistérios
do mundo.
Porque ELE
sabe voar agora e sempre.
JOMARD MUNIZ
DE BRITTO
A DEMONIZAÇÃO DO NORDESTE
As eleições presidenciais trouxeram de volta
sentimentos hostis que, como brasileiro, eu gostaria de ver superados. Essa foi
uma eleição apertada: 51,6% e 48,4%, diferente das três anteriores.
Um cálculo errado que perpassa várias análises nos
diz que Aécio precisava de pouco mais de três milhões e meio de votos para
ganhar a eleição. Depende de onde viriam esses votos. Se saíssem dos votos
dados a Dilma, Aécio só precisaria da metade desse total, porque cada voto que
Aécio ganhasse Dilma teria um voto a menos. Arredondando, seria necessário que
um milhão, setecentos e cinquenta mil votos mudassem de candidato para que
Aécio ganhasse.
Escolher o Nordeste como a região da qual esses
votos deveriam vir é outra arbitrariedade aritmética. Poderiam vir de qualquer
lugar. Qualquer transferência de um milhão e oitocentos mil votos de
Dilma para Aécio faria com que o tucano vencesse a eleição. Em São Paulo, Aécio
recebeu 15 milhões e trezentos mil, ampla vitória que surpreendeu a muitos,
inclusive a mim; não obstante, se Aécio ganhasse ainda mais folgado e recebesse
pouco mais de dezessete milhões, seria eleito. Se, tanto em Minas Gerais como
no Rio de Janeiro ele recebesse um milhão de votos a mais em cada estado (e
Dilma um milhão a menos...), Aécio seria eleito. Afirmar que Aécio perdeu as
eleições brasileiras no Nordeste é absurdo. Aécio perdeu as eleições
brasileiras no Brasil. Pinçar o Nordeste,
“culpando” a região pela eleição de Dilma só acontece numa contabilidade
eleitoral caolha e arbitrária.
Por que a vitória folgada de Dilma no Nordeste se
transformou em acusação? Analisando as opiniões raivosas, detectei lógicas
duvidosas: os nordestinos teriam apoiado Dilma com base em seus interesses
pessoais, atendidos pelo Bolsa-Família e outros programas sociais. O argumento
desconhece que a teoria democrática se baseia na defesa dos interesses
próprios, idealmente em sistemas em que todos votam, onde cada votante dispõe
de um voto, com o mesmo valor que todos os demais. Não é uma teoria baseada no
altruísmo, no sacrifício dos interesses próprios em favor dos de alguém mais.
Os dados mostram que o Nordeste foi a região mais beneficiada pelas mudanças
nos gastos sociais federais desde 2003.
Os habitantes dos estados mais ricos se percebem
como financiadores das transferências feitas para as áreas carentes. O dinheiro
sai de algum lugar, havendo uma percepção, certa ou errada, de o Sul e o
Sudeste contribuem muito mais do que recebem.
Quando a economia vai bem e o país cresce, as
transferências pesam menos. A combinação entre a estagnação econômica do
governo Dilma e a transferência de renda entre classes e entre regiões aumentou
um ressentimento em relação aos beneficiários das transferências.
Há dois outros fatores que podem pesar: a fadiga,
esperada depois de três governos petistas, e o que é percebido como o colapso
ético desses governos. Muitos opositores argumentam que um escândalo da escala
do mensalão (e do petrolão) provocaria, num país sério – para parafrasear De
Gaulle, uma onda de renúncias, que não aconteceu. Os beneficiários dos
programas sociais que votaram em Dilma são acusados de optar por receber “a
esmola dos programas sociais”, permitindo que uma cleptocracia continuasse a
governar. A desinformação a respeito do Bolsa-Família exacerba essa percepção.
O seu montante é superestimado. Não sabem que os gastos com o programa são
menores do que os gastos do BNDES com o apoio a empresas. Há mais: muitos, com
renda na faixa de vários salários mínimos, não percebem a diferença que setenta
reais fazem para quem ganha menos do que o mínimo.
Há raciocínios em direções contraditórias: por um
lado, uma população que venderia o país em troca de esmolas; pelo outro, o
Bolsa-Família seria caríssimo, responsável direto pela estagnação do país e
pelas agruras da classe média.
O Bolsa-Família e as eleições de petistas não
criaram o preconceito contra nordestinos. Ele é antigo, mas era dirigido
sobretudo contra os migrantes nordestinos que vieram para o Sudeste e o
Sul do país. Hábitos diferentes e níveis econômicos e educacionais mais baixos
alimentaram o preconceito por décadas. É um preconceito bem documentado.
Infelizmente, há residentes do Sul e do Sudeste, com ascendentes nordestinos,
que se somaram ao coro dos preconceituosos.
Creio que há mais nesse preconceito do que os olhos
costumam ver: na trama complexa da política regional, o Sudeste e o
Centro-Oeste lutam contra uma ausência de identidade regional.
Não há sudestinos... É cada estado por si e ninguém
por todos, o que contribui para a debilidade de cada estado e da região. Em
contraste, existe uma fortíssima identidade nordestina, uma forte identidade
nortista e uma identidade sulista. A construção dessas regiões como blocos
políticos foi importante na luta por recursos. Porém, como salienta Zaverucha,
as identidades (e os conflitos) estaduais surgem quando se trata de dividir um
bolo entre os estados do Nordeste. Foi o que matou a SUDENE.
O preconceito tem mão dupla. Infelizmente, a
identidade nordestina criou um preconceito inverso, o da exploração entre regiões.
Há, também, no Nordeste, um preconceito contra o Sul e o Sudeste, sobretudo
contra São Paulo, que é usado politicamente por alguns membros das elites
nordestinas para encobrir suas mazelas, estratégia documentada por Iná Elias De
Castro em O Mito Da Necessidade.
A relevância política das identidades regionais e da
sua ausência é clara nos discursos no Senado Federal: nos dados do SICON, 3.780
discursos mencionavam o Nordeste, 1.469 mencionavam a Região Norte e apenas 270
o Sudeste. Para cada menção ao Sudeste, há 14 ao Nordeste. As diferenças vão
além dos discursos: a legislação federal relega o Sudeste à irrelevância
enquanto região. Apenas 1% da legislação o menciona, em contraste com 60% de
referências ao Nordeste. O Sudeste como região ficou fora da legislação.
Não há como legislar e beneficiar uma região que não existe. Parte da população
do Sudeste, um mero descritivo geográfico, se ressente, sem consciência disso,
da pujança, da existência política e cultural do Nordeste. O Nordeste votou,
maciçamente, em Dilma em 2010 e 2014 e em Lula em 2006. No Sudeste, Aécio
ganhou disparado em São Paulo, ganhou no Espírito Santo, perdeu apertado em
Minas, e perdeu no Rio. Não houve padrão. As perdas do pré-sal evidenciaram a
desunião política do Sudeste.
Não é legítimo demonizar o Nordeste por ter aquilo
que o Sudeste não tem: uma identidade.
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