DEZEMBRO em CarnavaliZações - Por Jomard Muniz de Britto (ainda JMB)
Mesmo sem poder escapar de
celebrações, este MÊS nos
compromete com todos, todas.
Tão familiares e
sempre consumistas. Familionários
integrados ao PODER.
Tudo podendo ser presenteado.
Nada a ser renegado por M E D O.
Todas as estações do ano no MÊS?
Por isso deZembro é tão desejante.
Convergências e par/ti/da/ris/mos.
Quase ninguém pensando ABISMOS
do Ser e Nada,
do Regional ao Universo.
E poucos ou raros chegam a tremer
com TEMERidades que desgovernam.
Nosso país nunca foi paradisíaco.
Desamparo entre a condição indígena
e a miséria dos desempregados
citadinos. Apesar do Sol e dos luares
de beleza.
PROPINA: que palavra mais cruel!
Sem direito às ex-clamações?
Ainda podemos relembrar o abuso
superlativo do PODER?
Centrais e periféricos.
PROPINAS em vasto repertório.
A felicidade consumista nos conduz ao
BLOCO DO NADA: carnavalizações.
Sem religiões salvacionistas.
Sem retóricas TRANSeducativas.
Esquecemos P. Freire e D. Ribeiro.
Gente pra brilhar. Não para cemitérios.
Do PAI PAI ao DEVASSOS NO PARAÍSO.
Continuemos leitores de JSTREVISAN.
Até mesmo de outros brincantes,
escritores em transe, trânsito
e foliões traumas.
Recife, dezembro de 2017
celebrações, este MÊS nos
compromete com todos, todas.
Tão familiares e
sempre consumistas. Familionários
integrados ao PODER.
Tudo podendo ser presenteado.
Nada a ser renegado por M E D O.
Todas as estações do ano no MÊS?
Por isso deZembro é tão desejante.
Convergências e par/ti/da/ris/mos.
Quase ninguém pensando ABISMOS
do Ser e Nada,
do Regional ao Universo.
E poucos ou raros chegam a tremer
com TEMERidades que desgovernam.
Nosso país nunca foi paradisíaco.
Desamparo entre a condição indígena
e a miséria dos desempregados
citadinos. Apesar do Sol e dos luares
de beleza.
PROPINA: que palavra mais cruel!
Sem direito às ex-clamações?
Ainda podemos relembrar o abuso
superlativo do PODER?
Centrais e periféricos.
PROPINAS em vasto repertório.
A felicidade consumista nos conduz ao
BLOCO DO NADA: carnavalizações.
Sem religiões salvacionistas.
Sem retóricas TRANSeducativas.
Esquecemos P. Freire e D. Ribeiro.
Gente pra brilhar. Não para cemitérios.
Do PAI PAI ao DEVASSOS NO PARAÍSO.
Continuemos leitores de JSTREVISAN.
Até mesmo de outros brincantes,
escritores em transe, trânsito
e foliões traumas.
Recife, dezembro de 2017
Entre Natais e Carnavais, DEZEMBRO - Por Jomard Muniz de Britto
Impossível esquecer as festividades que
anunciam novas datas e compromissos.
Mais que nunca é necessário celebrar.
Porque tudo será como antes, amanhã.
Nossos desejos circulam por todas as dobras e reinvenções.
Exercícios de imaginação,em dúvidas
permanentes e até periclitantes.
Nosso calendário TRANSmutando rotinas
em roteiros da possível amorosidade.
Desafiando padrões de comportamento.
Não conseguimos escapar das celebrações
tão familiares e muito mais consumistas.
Não confundir consumismo com comunismo.
Se a realidade das margens nos remete às
impossibilidades do real cotidiano,
o que fazer de nossa imagética política?
Nosso imaginário não deve permanecer
globalizado pelos meios massivos de
comunicação dialógica.
Continuaremos massificados?
A estética da miséria terceiro-mundista
ainda nos assola e até mesmo consola?
Não esqueçamos a MAMA ÁFRICA
reinventada por Chico César entre Mandela
e uma cigana analfabeta relendo as mãos
de Paulo Freire e errantes herdeiros.
Vamos continuar apontando e apostando
nas encruzilhadas de novas passagens.
Transposição nas falas, escritas e fábulas
negociando e trapaceando com os donos
poderosos em todos os abismos.
Porque abismos sempre hão de pintar
entre nós, ACROBATAS cegos e cintilantes.
É preciso e urgentíssimo que possamos
percorrê-los sem medo.
Dezembro desconstruindo nossas falácias
cotidianas, irrompendo outras potências.
Recife, dezembro de 2017.
anunciam novas datas e compromissos.
Mais que nunca é necessário celebrar.
Porque tudo será como antes, amanhã.
Nossos desejos circulam por todas as dobras e reinvenções.
Exercícios de imaginação,em dúvidas
permanentes e até periclitantes.
Nosso calendário TRANSmutando rotinas
em roteiros da possível amorosidade.
Desafiando padrões de comportamento.
Não conseguimos escapar das celebrações
tão familiares e muito mais consumistas.
Não confundir consumismo com comunismo.
Se a realidade das margens nos remete às
impossibilidades do real cotidiano,
o que fazer de nossa imagética política?
Nosso imaginário não deve permanecer
globalizado pelos meios massivos de
comunicação dialógica.
Continuaremos massificados?
A estética da miséria terceiro-mundista
ainda nos assola e até mesmo consola?
Não esqueçamos a MAMA ÁFRICA
reinventada por Chico César entre Mandela
e uma cigana analfabeta relendo as mãos
de Paulo Freire e errantes herdeiros.
Vamos continuar apontando e apostando
nas encruzilhadas de novas passagens.
Transposição nas falas, escritas e fábulas
negociando e trapaceando com os donos
poderosos em todos os abismos.
Porque abismos sempre hão de pintar
entre nós, ACROBATAS cegos e cintilantes.
É preciso e urgentíssimo que possamos
percorrê-los sem medo.
Dezembro desconstruindo nossas falácias
cotidianas, irrompendo outras potências.
Recife, dezembro de 2017.
SGT. PEPPERS ... 50 ANOS DA MAIOR REVOLUÇÃO DA MÚSICA.
No ano de 1967, muita coisa
aconteceu, fatos marcantes e importantes aconteceram no mundo: O Primeiro
transplante de coração, a guerra dos seis dias, o verão do amor, a continuação
da guerra no Vietnã, Arthur Kornberg sintetizou o DNA, as ditaduras em vários
países, inclusive no Brasil, Gabriel Garcia Marques, lança Cem anos de Solidão,
as mortes de: Che Guevara, João
Guimarães Rosa, René Magritte, na
música lançamentos importantes de bandas como: The Doors e do Pink Floyd, entre
outros...mas no dia 1º de junho foi lançado o mais esperado acontecimento do
ano o novo disco da Banda inglesa mais influente de todos os tempos: The Beatles, este disco, icônico, conceitual,barroco:”Sgt.
Peppers Lonely Hearts Club Band” e o mundo se tornou uma espécie de aldeia
global, reafirmando o conceito
introduzido nas teorias de comunicação defendida por Marshall
McLuhan. Segundo esse conceito, McLuhan defende que a partir do advento e
do desenvolvimento tecnológico dos novos meios de comunicação (como a TV e o
Rádio, telefone, por exemplo), o mundo se interligaria completamente, havendo,
assim, uma intensa troca cultural entre os diversos povos, aproximando-os como se
estivessem numa grande aldeia inteiramente conectada. Depois deste álbum
vieram: o jazz-rock, espécie de reação dialética do punk, o DJ, a música disco
e Techno, african beat, o mangue, o reggae, tropicalismo...porque um disco
poderia significar tanto? A começar pela capa idealizada por Paul McCartney,
que traz uma colagem, elaborada por Peter Blake e fotografada por Michael
Cooper, com o intuito de proporcionar uma embalagem de qualidade visual,
relacionado ao conteúdo sonoro, não só a plasticidade e sim a simbologia das
colagens, montando assim uma espécie de mosaico, elevando a capa a uma obra de
arte...os aspectos presentes na capa, tornam-se importantes na medida de seus
símbolos, indicando assim vários caminhos artísticos, através de imagens de pessoas,
objetos como a TV, simbologia representando a admiração dos Beatles por grandes
compositores e nomes da Literatura como Bob Dylan, Edgar Alan Poe, Aldous Huxley, Lewis Carrol, Oscar Wilde, as
questões sociais e psicanalíticas de:
Karl Marx, Jung, o ocultismo de Alester Crowley, além de serem os primeiros a colocarem as letras das músicas na
contra capa e tornando uma das *capas
mais imitadas de todos os tempos e que hoje se tornou uma peça exposta no Victoria and Albert Museun de Londres,
disponível em: http://www.vam.ac.uk.
Os
Beatles já vinham de dois discos bem sucedidos Rubber Soul e Revolver estavam cheios das turnês que faziam ,
resolveram não fazerem mais shows e com isso ficariam mais tempo nos estúdios,
pode se dizer que o Sgt. Peppers começou em 1966, com duas belíssimas canções
“Strawberry Fields Forever” e “Penny Lane” que não entraram no disco...
mas em uma viagem Paul teve uma brilhante ideia de desenvolver seu alter ego, seu
eu-lírico e pensou nos outros integrantes(John, George e Ringo) ou melhor os Beatles deixariam de ser eles
mesmos e seriam uma banda fictícia:” A
Banda do Sargento Pimenta e seus Corações Solitários” e através dela, eles
poderiam criticar o show business, o sistema, a indústria cultural, afinal Paul
McCartney era o Beatle que mais estava ligado aos acontecimentos de vanguarda
na cena cultural londrina e americana, podemos destacar sua presença nas
apresentações da banda inglesa Pink
Floyd, com o pessoal do Velvet Underground, que Brian Epstein só não se
tornou empresário do grupo, porque infelizmente morreu de overdose, há também
influencias de Sebastian Bach, experimentalismo
de Stockehausen, a música livre de John
Cage, Luciano Berio, Pierre Boulez e a influência dos Beaches Boys, através do
disco “Pet Sounds”, e do disco “Freak out” de Frank Zappa, tanto os Beaches Boys como Zappa tinham buscado
inspirações nos próprios Beatles, tudo isso contribuiu, enfim: McCartney, Harrison, Lennon, Starkey, tornaram o Sgt.
Peppers um verdadeiro show de variedades e sonoridades, uma colcha de retalho,
de: vaudeville, música eletrônica, atmosfera circense, cravos renascentistas,
ragas indianas, quarenta e um músicos da orquestra sinfônica de Londres,
trajando casacas azuis, narizes de palhaços, óculos coloridos, etc..
As letras poéticas e psicodélicas marcantes
das músicas, misturadas com o LSD, alterando o estado mental em busca de novas ideias,
lembrando que o LSD não era ilegal na época e foi usado em inúmeras
experiências e as referências ao alucinógeno estariam presentes em várias
músicas do álbum. Para começar o Lado 1 do disco, a primeira faixa começa com
a introdução da banda imaginaria “We are Sgt.
Peppers Lonely Hearts Club Band/ We hope you have enjoyed the show”(Nós somos a
banda dos corações solitários do Sargento Pimenta/ E esperamos que vocês gostem
do show), que é apresentado pelo personagem fictício Billy Shears e para estabelecer
um conceito, dispensaram a nomeação para os outros alter egos e com isso uma
faixa e colada ao longo de toda outras faixas, um hard rock psicodélico, depois
da apresentação entra a canção “With a
little help from my friends” que ficou marcante na voz de Joe Cocker no
Festival de Woodstock e foi tema da série de TV “Anos Incríveis” além da
polemica a referência as drogas...”I get hight with a little help from my
friends” (eu fico alto com uma pequena ajuda de meus amigos...) Tendo sido influenciados
por um livro chamado: “A Experiência Psicodélica” escrito por Timothy Leary e Richard Alpert, Os
Beatles começaram a acreditar que é possível atingir a percepção da unidade de
todas as coisas pelo uso do LSD, uma espécie de “despersonalização” ou a “perda
do ego”, estes relatos com alucinógenos, deu o que falar na terceira faixa do
disco com a música: “Lucy in the sky
with Diamonds”...as iniciais formam LSD, apesar de a intenção não ser esta,
foi inspirado em um desenho feito na escola que Julian, filho de Lennon, trouce
de uma amiguinha chamada Lucy e a genialidade de John com a influência de Lewis Carroll, através de Alice através
do espelho e no País das maravilhas e com isto pintou um retrato fantástico da
força das ilusões, enquanto imaginamos uma garota com olhos de caleidoscópios e
se torna a aparição repentina que perturba o fluxo das imagens do sonho, nos
dando a oportunidade de reconhecer que estamos envolto em um mundo impessoal e
romper com as ilusões da vida diária...”Picture yourself in a boat in a
river...a girl with kaleidoscope eyes.” Foi censurada pela conservadora BBC de
Londres, mas a próxima canção “It’s
getting better” Uma letra inspirada no que acontecia ao redor deles...e
Jimmy Nichols um baterista que substituiu Ringo em uma turnê de 64, quando alguém
perguntava a Jimmy como iam as coisas ele respondia “está melhorando” Paul
aproveitou a frase mas o principal da letra e a prática de alguém possa superar
até hábitos nocivos, como o sujeito, que costumava infligir crueldade física em
sua mulher, apesar de querer justificar e melhorar seu comportamento, mas não
tem nada que justifique a violência. ”I used to be cruel to my woman/ I admit
it’s getting better...” (Eu costumava ser cruel com a minha esposa/ Admito que
está melhorando...) A Fixing a Hole,
mais uma que os Beatles-interpretes descobriram referência as drogas, a
heroína, uma canção de Paul que retrata a renovação da vida, de se dar
liberdade de fechar os buracos e rachaduras que permitiam que os inimigos da
sua imaginação se infiltrassem... “She’s
leaving home” inspirado em uma matéria de jornal sobre Melanie Coe, uma
adolescente londrina de 17 anos que tinha fugido de casa, e que os pais sentem
quando descobrem o fato, na época muitos adolescentes fugiam de casa, como
parte da criação de uma sociedade alternativa, fazia parte da contracultura, observa-se
uma narrativa heterodiegética na letra e tema do feminismo presente, uma
espécie de abismo entre pais e filhos e que os pais se questionavam, o que fizeram de errado ,eles
deram tudo a ela e sacrificaram a maior parte de suas vidas, deram tudo que o dinheiro podia comprar, Paul e
John fizeram esta música que abordava estes questionamentos e filosoficamente
mostrava que o dinheiro não resolvia tudo e que a juventude estava buscando
algo mais do isso e aborda a questão feminina, os direitos das mulheres...”Being for the Benefit of Mr. Kite” John
estava passeando com Tony Bramwell, ex-funcionário da Apple e passaram em um
antiquário e John viu um cartaz de circo vitoriano emoldurado e o comprou, com
a impressão de 1843, que anunciava o Circo Royal de Pablo Fanque, que apresentava a maior temporada e a produção seria
em benefício do Sr. Kite...e tudo que estava no cartaz inspirou a Lennon a
escrever a letra...”and of course Henry the Horse dances the waltz” (e é claro
que Henry, o cavalo, dança valsa”) com isso o contexto da canção surreal, cria
um mundo imaginário , mais que isso, a imagem aural criada pela canção e suas
narrativas fictícias nos dão um enorme prazer como se estivéssemos no circo de Pablo Fanque, que foi um artista de
muitos talentos e tornou-se o primeiro negro dono de um Circo na Inglaterra e
para dar esse clima circense na época não é à toa que George Martin é chamado do 5º Beatle sempre foi genial um mega produtor, tocou um órgão Wurlitzer e
piano e os quatro alquimistas tocaram um tipo de harmônica diferentes, Paul tocou guitarra e baixo, tudo foi
transportado para o circo vitoriano sonhado por John...terminando assim o Lado
1, mas se este lado foi cheio de inovações e pioneirismos... o Lado 2 também
seria bastante criativo e na primeira faixa vem uma canção belíssima e
filosófica de Harrison que vinha evoluindo muito em suas composições e “Within you, without you” uma letra que
revela sua admiração pela filosofia oriental...que começou em uma conversa com
seu amigo Klaus Voormann, artista e músico alemão, conhecido desde Hamburgo e
falavam sobre o amor, um muro de ilusões que as pessoas levantam, o universo e
outras viagens espirituais...revelando a visão do individualismo ocidental, a
ideia de cada um possa ter seu próprio ego...extraídos dos ensinamentos
hindus...as implicações para o consumismo, as pessoas não desperdiçarão a vida
com coisas ilusórias e irreais...as convenções diárias nos fornecem esse mundo
de ilusões e Harrison nos explica que as pessoas presas neste mundo não
autentico podem “nunca ver a verdade”(“Never glimpse the truth” e com isso se alienaram e perderem a alma...”and the
people, who gain the world and lose their soul/ They don’t know they can’t see,
are you one of then? “E as pessoas que ganham o mundo e perdem a alma não sabem
que não podem ver. Você é uma delas? ”) Com isso mostra que os Beatles tentam
nos guiar para uma vida transcendental, no qual não somos alienados e temos a
verdade como nossa existência real...a canção termina em risos...em seguida vem
uma canção de Paul, composta quando ele tinha 15 anos, feita para seu pai que
também era musico e tinha uma banda nesta época e sempre foi uma influência
importante. Paul idealizava uma carreira de sucesso na linha de Rodgers e
Hammerstein, compositores americanos de trilhas sonoras e musicais, Lennon e
McCartney sonhavam em ter uma canção gravada por Frank Sinatra, ele depois gravou” Something” de George
Harrison...voltando a canção, tem cara de “vaudeville”, os antigos teatros de
variedades com versos cômicos, irônicos e românticos com a questão de quando
tivermos 64 anos...“When I get older losing my hair/ many years from now/ will
you still be sending me a Valentine?” (“Quando eu ficar mais velho e perdendo o
cabelo daqui a muitos anos/ você ainda estará me mandando um cartão de
namorados?) Como serão tratadas as pessoas ao envelhecerem? ...em seguida vem a
canção Lovely Rita, na época os
parquímetros eram uma novidade, uma inovação e “meter maid” (donzelas do
medidor) era uma expressão americana, dita por um americano surpreso ao ver as policiais
femininas, que na Inglaterra são
chamadas de “parking meter women”(mulheres do parquímetro) serviu de inspiração para a criatividade de Paul,
tornando a amável Rita em uma mulher forte com referências militares e precisa
como os chás ingleses, mostrando como o transito é levado a sério no seu
país...“Lovely Rita meter maid/ May I inquire discreetly/ When are you free/ to
take some tea with me”.(“Adorável Rita, garota do parquímetro/ posso perguntar
discretamente/ quando você está livre/ para tomar chá comigo”)...em seguida o
canto do galo abre essa faixa animada de “Good
Morning ,Good Morning” de John, que tinha se tornado um beatle preguiçoso,
vivia o tempo todo dentro de casa, dava pouca atenção aos negócios e nas artes,
muito mais nas questões da vida doméstica, por isso Paul dominava o Sgt.
Peppers...mas foi num comercial de televisão dos cereais de milho Kellogg’s
Corn Flakes, que inspirou John a compô-la e faz lembrar da
análise de Michael e Steven Bauer que
“Aquele Bom dia, é o próprio retrato da alienação endêmica às sociedades
capitalistas descrita por Karl Marx” (que está presente na capa do disco),
assim como a aceitação resignada entre as massas trabalhadoras das condições
alienadoras nas quais elas vivem, a canção começa com o som de um galo
cantando, o primeiro entre vários sons de animais, aparentemente aleatórios,
produzidos durante a música. Longe de ser uma escolha aleatória, todavia os
animais representados aparecem, por insistência de Lennon, na ordem de sua
cadeia alimentar. A composição sonora do celeiro, portanto, serve para comentar
as letras, que trazem um relato em primeira pessoa do tédio mundano e um típico
local de trabalho de um dia comum, considerada como um todo, a canção sugere
que a vida contemporânea sob o capitalismo nada mais é que uma viciosa e
desumanizadora luta pela sobrevivência, no qual os poderosos devoram com avidez
os mais fracos, o protagonista da canção, ao viver em um estado de falsa consciência, acredita,
sem pensar que essa é a ordem natural das coisas, e, com prontidão, aceita sua
posição inferior na cadeia alimentar capitalista.” Depois dessa canção vem a
reprise do “Sgt. Peppers...” fazendo sua tradicional despedida ao público antes
do último número, como faziam ao vivo e vai entrando a faixa mais polemica “A Day in the life” a apoteótica canção começa no meio
dos aplausos da faixa anterior a música foi feita por Paul e John, Lennon teve
a ideia e Paul ajudou a desenvolver, a letra é uma colagem de cenas, de relatos
de jornais da vida cotidiana inspirados em notícias, filmes, etc. “A day in the
life” é a “Waste Land” dos Beatles, disse Jack Kroll da revista Newsweek,
comparando as letras de Lennon & McCartney à poesia de T.S. Eliot. ,quarenta
e um músicos da Orquestra Sinfônica de Londres, trajando casacas e narizes de
palhaços, empunhando violinos e patas de macaco, óculos coloridos ,incenso
espalhados pelo estúdio e vários convidados e amigos dos Fab Four... todos os
instrumentos tocados ou não pelos Beatles são imprescindíveis, mas o baixo de
McCartney é o destaque desta obra prima, teve até uma interpretação Freudiana,
feita pelo psicanalista, Ner Littnner que disse: “Seu ritmo bem marcado parece
trazer ecos das primeiras experiências significativas, como a serenidade fetal intrauterina
que reverbera repetitivamente na cadencia das batidas do coração materno.”...na
segunda parte da canção com os versos de Paul: (Woke up, fell out the bed...) ouve-se
um despertador, junto com a orquestra mais algumas colagens sonoras, um
poderoso acorde final, tocado por três pianos simultaneamente, que se desfaz no
silencio. No fim o Silencio prolongado com altas frequências, fora do campo
auditivo humano, só para os cães “ingleses” ouvirem, enfim “um dia na vida” é
uma viagem que arranca do ouvinte de sua complacência cotidiana diante do
anonimato social, a violência da música cria uma ruptura na perspectiva do
ouvinte, levando-o a ouvir e, nesse caso, ver sua apatia ética como um objeto
concreto e definível. Terminando assim uma obra prima revolucionaria
desencadeadora que nunca vai encontrar substitutos, tornando assim em o melhor
álbum conceitual de rock de todos os tempos.
JOSÉ
FLÁVIO DE OLIVEIRA MAGALHÃES, natural de Sertânia. Professor
de Língua Estrangeira Inglês e Arte em uma escola técnica pública estadual em
Sertânia-PE. (ETE-AFS). Mestre em Ciência da Educação e Multidisciplinaridade
pela GAMA FILHO, cuja dissertação; “Reflexão sobre o uso da música dos Beatles
como ferramenta de ensino e aprendizagem nas aulas de Língua Inglesa. ”
Referências Bibliográficas:
TURNER,
Steve. The Beatles: A História por trás
de todas as canções. São Paulo: Cosac Naify,2009;
BAUR,
Michael e Steve. Os Beatles e a
Filosofia. São Paulo: Madras,2007;
MARTIN,
George. Paz, Amor e Sgt. Peppers. Os
Bastidores disco mais importante dos Beatles. Rio de Janeiro:
Relume-Dumará, 1995;
MUGGIATI,
Roberto. A Revolução dos Beatles.
Rio de Janeiro: Ediouro, 1997;
HEYLIN,
Clinton. Sgt. Peppers Lonely Hearts Club
Band: Um ano na vida dos Beatles e amigos. São Paulo: Conrad,2012;
MARSHALL
Macluhan. OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO COMO
EXTENSÕES DO HOMEM. Tradução de
Décio Pignatari. São Paulo. Editora Cultrix, 1964.
MAI0 DEVASSADO: ENTRELUGARES Jomard Muniz de Britto. JMB, ainda.
O Brasil
continua sendo o abismo de
nossas temeridades. Contradições? Apesar das poéticas contraDICÇÕES de Sebastião Nunes, também NUVENS
com Edições DUBOLSINHO de Sabará/Mg: JOÃO: “Aos três anos, J. aprendeu sozinho a
ler e a escrever em várias línguas, inclusive chinês, árabe e grego moderno.
Diante disso, os pais concluíram que seria bobagem manda-lo para uma Escola”. BR inaudito, permissivo. João continua
arrebatando em livros DUBOLSINHO:
de Sabará pelos abismos brasilíricos.
NUVENS para cosmonautas das multi-literaturas em transe. Relendo PAI PAÍS, MÃE PÁTRIA de José Carlos
Avelar. Brasil
veloz, desvelado. Nosso Brasil permanece em abissais te-me-ri-da-des e/ou
atrocidades. Pelos ENTRELUGARES de Ricardo
Maia Jr. Ou interrogando FESTIM DE
POETA, de Paulo Marcondes Ferreira Soares. Para escandalizar sofistas e
socráticos com historicidade das Academias Livres da Jaqueira. Queira ou não
queiramos. Entre arcaicos e contemporâneos do PT: PÓS-TUDO. Percorrendo
os DEVASSOS NO PARAÍSO de João
Silvério Trevisan. Saudade das montagens de Antonio Edson Cadengue, Luiz Reis e
Rudimar Constâncio. O Brasil das certezas e
desatinos, dúvida sistemática nos
consumindo em
dúvidas permanentes. BR interdito.
Maio devassador. Jamais
sublime e/ou sublimador. BR
assustador: do RJ aos manguesais do pernambucâncer. BR doloroso,
indomesticável.
Recife, maio de 2017. atentadospoeticos@yahoo.com.br
Assinar:
Postagens (Atom)
-
NA FESTA DE LOURO FORAM HOMENAGEADOS: MANOEL FILÓ E ROGACIANO LEITE E TIVE O PRAZER DE REVER MAIS UMA VEZ O NOSSO IRMÃO DE LUTA DE POES...


