Em geral, a história é sempre a mesma:
alunos que ficam conectados a seus perfis das redes sociais durante a aula,
professores que não aprovam esse comportamento, e o conflito está criado. Por
acreditar que o cenário não precisa ser de embate, a professora Mariana
Redigolo decidiu utilizar o Facebook como instrumento de ensino. Durante uma
aula de literatura sobre o livro “Senhora”, de José de Alencar, Mariana sugeriu
que os estudantes criassem perfis das personagens na rede social, levando em
consideração as características apresentadas no livro.
A ideia prontamente
contagiou os 80 alunos do 2º E.M. da Escola Estadual Professor Joaquim Antônio
Ladeira, em Louveira, a 75 quilômetros da capital paulista, que criaram perfis
de Aurélia e Fernando, protagonistas do romance de Alencar. “Achei muito bacana
a ideia de incorporar, na sala de aula, algo que faz parte do nosso dia a dia.
Até os alunos que não dão tanta importância para a aula interagiram e
participaram desse projeto”, afirma a estudante Jéssica Della Roza.
Mariana já mantinha,
desde o ano anterior, um grupo de estudos pelo Facebook, grupo este que, mesmo
sem valer nota alguma, era muito acessado pelos discentes. Segundo a
professora, o objetivo não era avaliar, e sim envolver o aluno que estivesse
ocioso na rede social. “O tempo que os alunos passam no Facebook é muito
grande. Uma hora ou outra eles ficarão à toa e, provavelmente, irão acessar o
conteúdo de literatura que está lá ‘de bobeira’ no grupo”, observa Mariana.
A docente ainda completa: “Uma ferramenta que atrai tanto os estudantes
merece, no mínimo, um olhar mais demorado por parte dos professores. É preciso
entender por que ficar no Facebook é mais interessante do que prestar atenção
na aula”.
E a professora não
está errada. De acordo com dados relativos ao segundo trimestre de 2014 e
divulgados pelo próprio Facebook, 89 milhões de brasileiros – o que corresponde
a 8 de cada 10 internautas - acessam o site todos os meses. Desse universo, 59
milhões, dos quais os alunos de Mariana fazem parte, entram diariamente na rede
social. Ademais, o tempo de permanência mensal desses usuários, no Facebook, é,
em média, de 16,6 horas. Outro dado relevante diz respeito ao aumento de 55% no
acesso via dispositivos móveis, que chegou a 68 milhões.
Sobre o uso do
celular e do Facebook no ambiente escolar, Jéssica ressalta a possibilidade de
fazer, na sala mesmo, pesquisas rápidas, bem como o melhor aproveitamento do
tempo da aula. “Se uma parte da matéria é mandada pelo Facebook, o professor
não precisa passar grandes textos na lousa e sobra mais tempo para a discussão
e resolução dos exercícios”, defende a aluna.
Consoante Soneide da
Silva, coordenadora do Ladeira, a direção da escola aprovou o uso dos grupos de
estudos no Facebook e decidiu, inclusive, socializar a metodologia para os
demais professores. Quando perguntada sobre o uso do celular na sala de aula, a
coordenadora cita a lei que proíbe essa prática, mas pondera: “É uma questão de
bom senso e de encontrar o uso adequado. Acreditamos que o celular pode servir
como um instrumento pedagógico”, declara Soneide.
De fato, o artigo 1º
da Lei Estadual nº 12.730/07 proíbe o uso de telefone celular nos
estabelecimentos de ensino, durante o horário das aulas. A professora Mariana,
entretanto, discorda “O celular e o Facebook são ferramentas incríveis para a
educação. Não adianta proibir, tem que educar o aluno para o uso adequado da
tecnologia na vida”.
Encontrou seu Caminho fazendo Erasmus em Santiago de Compostela, mas
acha que o esqueceu lá. Mestre em Linguística. Doutora na arte de
procrastinar..
Nenhum comentário:
Postar um comentário