A última vez em que
estive com Fernando foi a menos de seis meses, em minha casa, no Rio. Ele
chegou junto com outro grande amigo, Ronaldo Bastos, e foi uma noite como há muitos anos não acontecia. Passamos horas lembrando de histórias, canções, amigos e,
principalmente, a amizade que nos guiava em todos estes anos em que passamos
juntos. Eu já sabia que Fernando estava com um problema de saúde, mas em nenhum
momento falamos disso naquela noite. Não precisava. Fernando esteve ao meu lado
nos acontecimentos mais importantes da minha vida. E isso já era o suficiente a
ser lembrado.
Em meu último show, em
Santos, no dia 5 de junho, uma jornalista pediu para eu contar uma história,
qualquer uma. Não sei como, mas automaticamente comecei a falar do Fernando, e
de quando eu estava em São Paulo, e fiz três músicas no mesmo dia: “Pai
Grande”, “Morro Velho” e “Travessia”, esta última, a que levei para Fernando
Brant fazer a letra em Belo Horizonte. O resto é história.
Sem ele, as coisas não
teriam acontecido desta maneira. Nenhuma palavra do mundo é capaz de descrever
o quanto eu sou agradecido por ele ter feito parte da minha existência.
Obrigado Amigo, muito
obrigado;
Milton Nascimento
(BH, 13\06\2015)

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